Duas grandes marcas, DAF e Scania, apresentaram cavalos mecânicos para atender a resolução 663/17 do Contran sobre a nova combinação de veículo de carga (CVC), com 11 eixos e peso bruto total combinado (PBTC) de 91 toneladas.

A demanda partiu do segmento de cana-de-açúcar que, cada vez mais, utiliza rodovias oficiais e necessita rodar em acordo com a legislação. Até então, nas estradas, precisava obedecer a lei da balança de até 74 t, limite não muito produtivo para o custo operacional das empresas do setor.

No entanto, apesar de ser o setor sucroalcooleiro o que mais vai se beneficiar, essa regulamentação será válida para todos os segmentos do transporte, mas com condições especiais para circular por meio das AETs (Autorização Especial de Trânsito) para não comprometer estradas, pontes e viadutos. A distância máxima de carregamento e descarregamento não poderá ser superior a 100 km, ou seja, não poderá exceder a 200 km por ciclo (ida e volta). A velocidade máxima do conjunto será limitada em 60 km/h, mesmo se o caminhão estiver vazio.

Contudo, as fabricantes de caminhões, para atender à norma do super rodotrem, como ficou conhecido, tiveram de adaptar, no caso da Scania, ou desenvolver como a DAF, veículos que cumpram às exigências.

A opção DAF

O representante da DAF, o XF105 com motor Paccar MX-13 (12,9 litros), ganhou versão de 520 cv para atender à demanda das 91 t. Vale ressaltar que entre às exigências da resolução 663/17 consta que os motores dos veículos para esse transporte devem atender uma relação peso/potência, o que significa que para 1 tonelada transportada o caminhão tem de oferecer potência de 5,71 cv.

Assim, para puxar as 91 t é necessário que os propulsores tenham potências a partir de 519,6 cv. Por essa razão, a DAF desenvolveu o Paccar MX-13 de 520 cv de potência e 255 mkgf de torque que, mesmo no limite, atende à legislação.

A transmissão é a ZF AS-Tronic de 16 velocidades automatizada. Ela é a mesma utilizada nos caminhões rodoviários da marca. Para as operações fora de estrada, ela ganhou nova calibração com mais reduzidas, mais torque e redução de atrito para que ofereça a mesma performance nos terrenos on-road e off-road.

O gigante do grifo

Com 100 cv a mais em relação ao DAF XF105 520, o representante da Scania é o R 620 V8. Para atender especificamente ao super rodotrem, uma das exigências que é a potência, a Scania já oferece e com sobra.

Uma outra demanda da lei solicita mudança no sistema de freio dos veículos que tracionarem tais composições. Quando o freio de estacionamento é acionado, ele trava apenas o caminhão, e fica por conta do chamado “maneco” travar a carreta.

No caso da nova composição, devido ao peso, o sistema de freio do veículo também tem de ter a função de frear o conjunto cavalo e carreta. Para tanto, o caminhão R 620 da Scania recebeu uma terceira linha de ar para permitir a frenagem simultânea em toda a composição (caminhão, semirreboque e reboque) quando o freio de estacionamento for acionado.

O R 620 6×4 é equipado com motor produzido pela Scania, o DC 16 V8, de 16 litros e 8 cilindros em V, cuja potência é de 620 cv e torque de 305 mkgf de 1.000 a 1.400 rpm – o que fará total diferença na hora de puxar 91 t.

A caixa automatizada Opticruise de 14 velocidades (sendo 2 superlentas) também é fabricada pela Scania. O caminhão ainda traz de série o Driver Support, sistema que ajuda o motorista a tirar a melhor performance do veículo, sobretudo no que se refere ao consumo de combustível. Para a segurança ele ainda conta com o freio auxiliar Scania Retarder.

O R 620 para o super rodotrem tem outros diferenciais se comparado à versão rodoviária.
A tomada de ar do off-road é traseira e seu tamanho corresponde a dimensão do motor de 16 litros, para que o ar seja aspirado de forma eficiente, sobretudo no momento em que o veículo estiver trabalhando em condições mais severas.

O lançamento completo das opções para super rodotrem de DAF e Scania você confere na edição 169 da revista TRANSPORTE MUNDIAL

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.