Desde a apresentação do Actros 4844 8X4, em 2008, a Mercedes-Benz vem conquistando espaço com um veículo dedicado às operações off-road. Hoje é possível observar que a marca compete neste segmento com um produto de personalidade.

Não por acaso, a Fagundes Construção e Mineração S.A., um dos principais do setor de mineração, é dona da maior frota de Actros 4844 8×4 no Brasil. São 286 unidades que atendem às operações de transporte de minérios pelo País.

O MB Actros suporta as atividades nos campos de mineração da Fagundes

Há mais de 30 anos no mercado, a Fagundes coleciona importantes clientes em sua carteira e para atendê-los conta com aproximadamente 1.200 motoristas. Mas nem sempre a empresa foi cliente Mercedes-Benz. Por relações comerciais, em meados dos anos 1997, a Fagundes optou por outra marca. Quase 10 anos mais tarde, quando a Mercedes-Benz começou a importar os primeiros Actros, a empresa passou a adquiri-los.

O pneu T King é um diferencial nos campos de mineração

A partir de 2012, com a gama totalmente renovada por causa da introdução do P7, equivalente à legislação europeia Euro 5, o caminhão, mesmo com motor importado da Alemanha, como é até hoje, passou a atender às normas de emissões locais. Para isso, a fabricante desenvolveu o que ela chama de BlueTec 5, utilizando a tecnologia SCR em que há o uso do reagente químico Arla 32.

Equipado com propulsor fabricado pela Mercedes-Benz denominado OM 501 LA de 6 cilindros é o único da marca no Brasil equipado com motor de arquitetura em V. Esse motor de 12 litros possui sistema próprio de injeção chamado PLD (bico-bomba), e desenvolve 435 cv a 1.800 rpm de potência e 214 mkgf de 1.080 a 1.500 rpm de torque. A transmissão é também Mercedes-Benz G-330-12 automatizada PowerShift de 12 marchas que possui sensor de inclinação capaz de eleger a melhor marcha quando o veículo trafega carregado em pistas mais íngremes.

Para dar toda a robustez que o componente precisa para enfrentar as situações atípicas das pistas off-roads, a embreagem é bem reforçada, bidisco com diâmetro de 400 mm.
O Actros é equipado com dois freio-motores: o convencional, cujo sistema de funcionamento é por cabeçote, e o Top-Brake da marca que funciona por borboleta. Ambos trabalham em conjunto com o freio retarder Voith R 115H que somados resultam num poder de frenagem de 1.145 cv. E todo esse conjunto é oferecido de série. Outro item importante e que faz a diferença nas mineradoras é a suspensão dianteira de molas parabólicas com amortecedores telescópicos de dupla ação, barra estabilizadora e compensadora de carga – sistema que reduz esforços no componente, colaborando para a maior vida útil.

Na parte traseira, as molas parabólicas são tipo boogie também com amortecedores telescópicos de dupla ação e barra estabilizadora. Cada eixo dianteiro pode suportar 9 t e cada eixo traseiro suporta 16 t. Completa a robustez do caminhão o eixo com redutor nos cubos HD7-HL7, fabricado pela Mercedes-Benz, e os bloqueios transversal e longitudinal dos diferenciais traseiros – estes, colaboram para que o caminhão não perca tração nas rodas, mesmo nas situações mais desfavoráveis nos campos de mineração. A relação i=6,82 é super curta, típica de caminhões dessa natureza.

O Actros 8×4 é comercializado na versão K, vocacional para uso com caçamba, sendo esta a razão de seu sucesso. Cerca de 80% de suas vendas são direcionadas às operações com mineração. Contudo, por ser homologado para transportar 48 t de PBT e ter capacidade de carga líquida de 36 t, o modelo também tem participação em operações como pedreira e construção pesada. Por todos esses aparatos técnicos, o Actros responde por 59% do mercado de caminhões 8×4 fora de estrada, segundo dados da Fenabrave, no acumulado entre janeiro e julho.

Desenvolto no modo segurança

Na atividade da Fagundes em Goiás, os caminhões rodam 4 km da retirada de minério até o seu depósito de descarregamento. É uma operação em que o veículo trafega com 35 t de carga líquida todos os dias, 24 horas por dia em 4 turnos, somando um total de 400 km rodados a cada dia, dos quais 200 km são feitos com o veículo carregado.

O Actros roda 400 km, dos quais 200 km ele roda vazio e na operação que acontece 24 horas por dia

Para tanto, os motoristas exploram as duas formas de pilotagem do câmbio PowerShift. Vazio os caminhões trafegam no modo automatizado ou manual se o motorista preferir e se sentir seguro. Já carregado, o condutor tem de trafegar no modo manual. Segundo Cesar Augusto Alves da Silva, instrutor técnico da Fagundes, a norma é para que o condutor tenha total concentração e domínio do veículo. “Quando o modo automático entra em ação pode acontecer de o motorista não se sentir seguro pela queda de rotação, uma vez que o veículo vai trabalhar no regime econômico de 1.080 a 1.500 rpm. Nessa insegurança ele pode frear bruscamente e colocar a operação em risco”.

O Cockpit lembra os modelos rodoviários da marca

Durante o curto trecho, o caminhão carregado não pode ultrapassar a velocidade de
30 km/h, e o condutor é aconselhado a trabalhar a marcha de forma sequencial. Sai em 1ª até alcançar a 5ª marcha, a 1.450 rpm. Nesse trecho o caminhão chega a uma pista mais íngreme, onde a marcha é reduzida para 4ª e o caminhão começa a ganhar força para vencê-la, ainda assim, sem exageros na rotação que sobe para 1.600 rpm a 15 km/h. Importante ressaltar que em todo o terreno a inclinação de rampa não ultrapassa a 10%, justamente para evitar acidentes. Ainda como segurança, caminhões pipas molham a pista com frequência para que a poeira não atrapalhe a visibilidade dos motoristas.

Na descida em 5ª marcha a 1.400 rpm, o freio retarder acionado no 3º estágio, o suficiente para que o caminhão trafegue seguro e sem a intervenção do pé do motorista no pedal de freio, poupando tambores e lonas. A bordo da cabine alta, o motorista tem como maior atributo a visibilidade. No quesito conforto, o condutor tem à disposição o banco com suspensão pneumática e com vários níveis de ajuste de altura e profundidade. O ar-condicionado também é de série.

Sempre disponível

Na Fagundes, a frota de Actros 4844 8×4 têm idade média de 3,5 anos. Parte desse período a garantia é de fábrica e depois a manutenção é feita nos pátios da empresa. Antonio Eduardo de Oliveira, gerente de operações da empresa, explica que a manutenção não é estendida porque os caminhões são robustos e as paradas são apenas as revisões preventivas.

“Quando algum item dá problema, a equipe da concessionária Mercedes-Benz que nos atende e a engenharia da fábrica resolvem tudo rapidamente. Não tenho histórico de caminhão parado por falta de peça ou por quebra. Sempre há peça disponível. Certa vez, tivemos um problema nos parafusos de fixação do diferencial que começaram a se soltar por causa do impacto da operação. Eram parafusos lisos e rapidamente a engenharia da Mercedes-Benz desenvolveu parafusos estreados e o problema foi eliminado. Elegemos o Actros porque ele está sempre disponível e a nossa operação não para”, conta Oliveira.

Conclusão

O caminhão Actros 4844 é o mais popular de seu segmento e isso se justifica pelo seu preço agregado ao conjunto técnico. Segundo os frotistas, como exemplo a Fagundes, o pós-venda também é outro diferencial. Não por acaso hoje o modelo é o mais vendido entre os off-roads configurados 8×4. E vale destacar que por ser importado, o modelo não é financiável via Finame.

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.
  • mjprio

    Nao entendi. A MB nao havia parado a fabricação da serie 500 (motor em V) no Brasil? Além do mais os OM457LA e OM460LA atingem e ate superam essa potência

    • Celso Brocker

      A MB nunca fabricou este motor aqui. Ele é importado.

      • mjprio

        Ah sim. Mas justamente ele nao foi trocado la fora pela serie OM47X? ??
        O que eu sei e que os caminhoneiros tanto la como aqui reclamavam que ps custos de manutenção do motor em V eram maiores que os em linha.
        A propósito os OM500 eram comando no bloco ou no cabeçote

        • Zetros1833

          Tanto o OM-501 quanto o OM-502 ainda são produzidos para países onde as normas ainda são Euro 2 ou Euro 3 e alguns países Euro 5. Os OM-47X e OM-93X são aplicados em países com normas Euro 6.

          Os custos de manutenção dos motores em V eram altos justamente pq eram motores importados, ao contrário dos motores OM-457 e OM-460. Porém o OM-501 pelo menos, era um motor mais leve e mais compacto que os motores em linha.

    • Zetros1833

      O OM-460LA por ter 13 litros pode superar o OM-501 com 12 litros em potência e torque. Porém, o 457 não, enquanto ele chega a 456 cv e 2200 Nm de torque, o OM-501 chega a 476 cv e 2300 Nm de torque.