O Actros recebeu melhorias que o empresário de transporte percebeu e está comprando mesmo o modelo. Tanto é que encomendas feitas agora serão entregues somente em 2019. 

Sua evolução técnica nesses últimos 8 anos colaboram para o feito. De janeiro a agosto, enquanto o mercado nesse segmento saltou de 12.079 unidades em 2017para 22.645 em 2018, registrando um crescimento de 87%, o representante da Mercedes-Benz cresceu em igual período 201%, saindo de 885 unidades nos primeiros oito meses de 2017 para 2.668 unidades emplacadas em igual período este ano.

Por tudo isso, quem comprar o Actros hoje, dependendo da versão, só vai receber o modelo dentro de 90 dias. 

Destaque para a versão 2651 traçado, que em 2017 havia vendido 394 unidades também no mesmo período de janeiro a agosto e que este ano saltou para 1.763 – crescendo incríveis 347% nesses oito meses. Esse número coloca a configuração 6×4 responsável por 66% das vendas da linha de caminhões da marca da estrela de três pontas.

Para chegar a esse patamar de ser a terceira marca de caminhões pesados premium mais vendida, a Mercedes praticamente reinventou o Actros para se adaptar ao mercado brasileiro.

Quando o caminhão chegou ao Brasil em 2010, ainda importado da Alemanha, a Mercedes-Benz deixou clara a sua proposta de que queria entrar com tudo no segmento de caminhões pesados rodoviários posicionados como topo de linha.

Para tanto, trouxe um veículo com elevado nível de segurança e conforto (na versão com cabine Magaspace Segurança) e com uma lista de equipamentos técnicos como freios a disco de série. Outro diferencial, ainda mais se tratando de um caminhão rodoviário, era o redutor nos cubos HD7+HL7. A justificativa de manter esse item era porque ele tinha a função de distribuir melhor os esforços internos, deixando o eixo mais resistente, sobretudo, protegendo de estradas ruins como as das regiões do centro oeste e norte do Brasil. De fato, tais eixos resolviam, porém, o transportador brasileiro fez conta e concluiu que a solução deixava o caminhão mais pesado, logo consumindo combustível.

A tecnologia do motor também estava com os dias contados, e em questão de meses as marcas já começariam a mostrar suas soluções para atender o que foi chamada de P7 (norma de emissão de poluentes equivalente a Euro 5).

O Actros quando chegou tinha um propulsor de 6 cilindros com arquitetura em V, com cilindrada de 11.967 cm³ que na versão 2646 desenvolvia 456 cv a 1.800 rpm com torque de 224 mkgf a 1.800 rpm. Já o 2655 era equipado com motor OM 502 LA de 551 cv a 1.800 rpm e torque de 265 mkgf a 1.080. Sua transmissão automatizada PowerShift 12 marchas estava em sua primeira geração no Brasil.

Mas anteceder a chegada do Actros ao Brasil valeu muito a pena, ainda mais com relação aos seus aparatos de segurança. O brasileiro começava a se familiarizar com as tecnologias de segurança ativa como sensor de faixa, sensor de proximidade e de chuva e sistema de partida em rampa – itens estes que a Volvo introduziu no Brasil em 2009 com o FH.

O Actros também possuía os mesmos sistemas na cabine Megaspace Segurança que, mesmo importado nessa configuração, poderia ser adquirido a preços competitivo em relação ao FH. Mantendo-se assim até hoje. Segundo a Fipe, o Volvo FH 540 6×4 0 km custa R$ 488.651 e o Actros 2651 LS 6×4 0 km custa R$ 416.651.

Por tudo isso, o Actros poderia ser um típico caminhão que atendia aos anseios do transportador brasileiro.

Mas na prática, a história iniciada com a versão importada não começou muito bem. O transportador queria um caminhão mais simples, sem redutor, sem freios a disco e que lhe rendesse um baixo custo de combustível e de manutenção. E o desejo do transportador foi atendido. O Actros é entregue com freio a tambor e eixo sem redutor, mas mantém na lista de opcionais a versão com redutor e freios a disco.

Também, bastou chegar a Euro 5 para a Mercedes começar a trabalhar na adaptação para o mercado brasileiro.

Ele passou a ser fabricado em Juiz de Fora (MG) para atender ao Proconve Fase 7, com tecnologia própria, que a Mercedes chamou de Bluetec 5, porém, usando o mesmo recurso comum aos demais caminhões pesados, que é o sistema de pós-tratamento SCR.

O motor manteve-se o mesmo com arquitetura em V. Mas a caixa ganhou novidades com a 2ª geração da PowerShift, mantendo-se com 12 marchas e com novos recursos: sensor de inclinação da via, que de forma inteligente elege a melhor marcha de acordo com a posição do caminhão na estrada.

Em 2014, o motor em V foi descontinuado e a versão de 12 litros passou para 13 com o OM 460 modelo que compartilha dos mesmos componentes do motor do Axor 457 LA. Com isso, a manutenção ficou mais simples e mais barata.

O propulsor do Actros traçado 2646 passou, então, a desenvolver potência de 460 cv a 1.900 rpm e torque de 234 mkgf a 1.100 rpm – potência e torque maiores, porém, mais econômicos, já que a curva de torque ficou mais ampliada.

O Actros 2655 foi descontinuado e substituído pelo 2651 – o líder de vendas da família. Ele ganhou motor de 6 cilindros em linha com 510 cv a 1.900 rpm e torque de 244,7 mkgf a 1.100 rpm.

A inteligência da transmissão automatizada foi aprimorada com o ajuste de trocas mais refinado tanto na regressão como na progressão, permitindo ao caminhão trabalhar na marcha mais correta em cada situação de operação. O novo piloto automático ficou mais inteligente já que o sistema foi configurado para economizar combustível. Ele reconhece as condições da pista (inclinação) e de carga, por meio de sensores do veículo, e ajusta a demanda de torque e potência do motor orientando-o a trabalhar com economia. Apenas por esse sistema, o Actros pode ficar 1% mais econômico.

Fato é que com essa atual motorização e os novos componentes renderam em um caminhão mais econômico. Na frota da Fagundes Construção e Mineração, um dos primeiros clientes do Actros quando ele ainda era importado, há novos modelos da gama rodoviária também.

Para se ter uma ideia, a empresa foi a primeira a comprar a versão do Actros 2018 série especial retrô lançada na Fenatran passada com 21 unidades – aquele modelo que faz alusão à cabine AGL de 1960.

Ambos os modelos 6×4 – versão 2010 do 2646, e modelo 2018 do 2451 –, operam no transporte de máquinas usando a mesma composição, uma prancha de 4 eixos mais uma Dolly transportando escavadeiras totalizando um conjunto de 74 t de PBTC.

Com o Actros da primeira geração a média de consumo por viagem é de 1,7 km/l. No novo Actros, que é mais potente, o consumo é de 2,2 km/l.

 

 

 

 

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.