O Atego 1719 é um caminhão popular entre os semipesados. Com 332 unidades vendidas de janeiro a maio de 2017, ele está na terceira posição no ranking de vendas do seu segmento, o que lhe garante uma participação de 7,19% dentro da categoria que envolve caminhões com PBT superior a 15 t e PBTC até 45 t. Mas se destacar apenas os caminhões rígidos com PBT de 17 t, aí o Atego 1719 encabeça o ranking. O que lhe garante importância no line up da Mercedes-Benz.

E graças aos novos atributos que ele, e toda a linha de semipesados, acaba de receber para ter aptidões sobre e fora do asfalto, a Mercedes-Benz pode ter encontrado uma oportunidade de negócio. O Atego 1719 e os demais membros da família de mesmo nome são os únicos do mercado a oferecerem a opção de equipamentos “crossover”, que na Mercedes é chamado Pacote Robustez.

Esse pacote foi desenvolvido a partir de uma demanda da Via Lácteos Transportes, empresa do Paraná, especializada na logística do leite. Para se ter ideia, a Via Lácteo responde por 50% das operações de distribuição de leite para a indústria do setor no país, razão de ela manter uma frota de 480 caminhões com idade média de dois anos e meio – nem todos Mercedes-Benz.

Mas foi a marca da estrela quem entregou à Via Lácteos a estrutura a qual precisava em algumas de suas operações: caminhões robustos para operarem dentro e fora das rodovias com igual desenvoltura.

Para atender tal necessidade, o Pacote Robustez é composto por para-choque dianteiro tripartido com ângulo de entrada maior, grade metálica de proteção do farol, nova posição da luz de seta, primeiro degrau da cabine produzido em metal e nova posição do suporte para a placa visando facilitar o acesso ao engate do cambão. Esse pacote contempla ainda os pneus 295/80R22,5 que são mais altos.

Vale ressaltar que todos esses itens já são oferecidos de série no Atego 2730 6×4 que nasceu off-road. No entanto, para a operação da Via Lácteos um caminhão traçado não é necessário. E os Atego 1719 4×2 e 2426 6×2 foram as soluções mais adequadas.

Para ver esses diferenciais do Atego na prática, TRANSPORTE MUNDIAL, a convite da Mercedes-Benz, viajou para Giruá, interior do Rio Grande do Sul, cuja agricultura é a base da economia. Lá, a Via Lácteos mantém 10 caminhões Atego 1719 para realizar o transporte do leite. O Atego 2426 faz a mesma operação em Xanxerê, Santa Catarina.

Desempenho

Além dos atributos que lhe garantem um estilo crossover, o Atego de 17 t emprega um motor OM 924 LA. que agradou os condutores da Via Lácteos pela economia. Trata-se de um motor de 4 cilindros em linha, de 185 cv de potência que gera 2.200 rpm e robusto torque de 71 mkgf disponibilizados integralmente a partir de 1.200 até 1.600 rpm. O OM segue os padrões de emissão do Proconve P7, utilizando a tecnologia SCR.

Na versão avaliada, a transmissão é a MB G 85-6, manual de 6 velocidades, cuja relação i=4,88 traz suavidade às trocas sem perder a agilidade. Com essas especificações, o Atego consegue sair da inércia e chegar rapidamente à velocidade de cruzeiro de 80 km/h.
Como opcional, a Mercedes oferece a transmissão MB G 60, manual de 6 velocidades cuja relação é de 4:30.

Para a suspensão, a engenharia da marca optou por molas parabólicas com amortecedores telescópicos de dupla ação e barra estabilizadora, tanto na dianteira como na traseira. Na estrada de asfalto nota-se uma suspensão macia, mas que se comporta bem nas irregularidades da terra, deixando o caminhão mais firme na hora do sacolejo.

Destaque para o chassi com quadro reto, sem emenda atrás da cabine. A decisão por esse chassi é oferecer algo mais prático e menos custoso na hora da implementação do veículo, evitando, dessa forma, furações desnecessárias. Vale ressaltar que na versão para bebidas do 1719, a suspensão usa molas trapezoidais.

Levando a sério o velho ditado sobre a primeira impressão é a que fica, o Atego no Pacote Robustez entrega o que promete. O caminhão tem bom comportamento na estrada e não perde a forma na terra, muito em função do seu trem de força. Para quem dirige também não sente o peso da direção.

Habitabilidade

No Brasil, a indústria de caminhões não dá tanta atenção ao acabamento dos veículos semipesados como dá aos pesados rodoviários. E no Atego 1719 a situação não é diferente. Há plásticos por todos os lados, mas, agradável ao toque e de fácil limpeza.
O ar-condicionado analógico e o vidro elétrico presentes ainda são opcionais. A lista de itens de série é ínfima, apenas a escotilha e o freio-motor Top Brake – que faz total diferença na operação, sobretudo, fora de estrada.

O painel de instrumentos é simples, mas oferece computador de bordo com informações sobre consumo instantâneo, autonomia e outros dados referentes à viagem.
Lucas Godoi é um jovem motorista. Com apenas 23 anos de idade, e dois deles na operação de transporte da Via Lácteos, ele é um dos que opera o Atego 1719. Godoi argumenta que o caminhão é bom de média. “Nossa meta é chegar a fazer 4,70 km/l com esse caminhão e mesmo com tantas manobras que temos de fazer dentro das fazendas, o motor do Atego não nos deixa na mão. É um caminhão ágil”, salienta.

Cerca de 70% da rota é feita em estradas de terra o que se traduz em uma média de 150 km percorridos por dia e 21 produtores visitados. O trabalho leva cerca de oito horas porque a cada parada o motorista tem de retirar o leite dos tanques de resfriamento por expansão de aço inox das fazendas e passar para o caminhão, cujo tanque é capaz de levar até 10,5 mil litros.

“Mas nessa operação é difícil andar com carga cheia. Geralmente carrego 6 mil litros de leite por dia”, completa o jovem motorista, que antes de passar a mercadoria para o caminhão-tanque, também tem de avaliar a qualidade do leite por meio de uma análise denominada teste de alizarol, produto químico que é misturado ao leite num tubo de ensaio.

Na estrada

Na rodovia RS-344, os caminhões são limitados a rodar a uma velocidade máxima de 70 km/h. Nesse trecho de asfalto, o caminhão trafega em 6ª marcha simples a 1.000 rpm. Ao acessar a estrada de terra, o condutor aciona o segundo estágio do Top-Brake, que é capaz de segurar o caminhão sem a intervenção do pé do motorista ao freio a uma velocidade de 20 km/h em 2ª marcha reduzida e a uma rotação de 1.700 giros.

Já quando alcança 63 km/h em 4ª simples, ainda na estrada de terra, a rotação cai para 1.500 rpm. Polivalente, econômico e gostoso de dirigir, o Atego 1719 4×2 tem tudo para virar sucesso de vendas na versão crossover, solução adequada para quem opera dentro e fora das rodovias.

Confira tudo sobre o nosso teste a bordo do caminhão Mercedes-Benz Atego 1719 na edição 164 da revista TRANSPORTE MUNDIAL. 

Compartilhar
Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.