Para determinadas aplicações, como bombeiros, serviço de limpeza e transporte de passageiros, as caixas automáticas se tornaram imprescindíveis, pois são atividades que estão submetidas a esforços intensos e desgastes prematuros no sistema de embreagem e seus componentes. Isso, por causa do anda e para e a severidade, sobretudo, com relação ao peso da carga.

 

Por essa razão, o Atego 1729, um caminhão popular no segmento de coleta e compactação de resíduos, ganhou versão com caixa automática Allison Série 3000.

O Atego 1729 4×2 coletor de lixo foi lançado no mercado no final de 2015 com câmbio automático de seis velocidades. De fábrica, o modelo é oferecido 4×2, mas pode receber a instalação do 3º eixo por fabricantes do mercado, possibilitando a montagem de compactadores de até 19 m³ – esta, a versão avaliado pela TRANSPORTE MUNDIAL nas ruas da grande Recife, PE.

O caminhão possui um trem de força Mercedes-Benz, com motor OM 926 LA, de 7,2 litros, 6 cilindros, que por meio da BlueTec 5 atende à norma de emissão P7. Esse propulsor desenvolve 286 cv de potência a 2.200 rpm e torque de 114 mkgf de 1.200 a 1.600 rpm.

Outro aspecto relevante é o sistema construtivo da caixa automática, frente à automatizada ou a manual, por exemplo. Em vez de engrenagens fixas de marcha, uma atrás da outra, o câmbio automático usa engrenagens planetárias. Também dispensa embreagem, tornando-se mais robusto, havendo menos quebra e gerando maior produtividade por causa da velocidade e também por estar mais disponível.

Não por acaso, a Elus Engenharia, localizada em Jaboatão dos Guararapes, em cinco meses coletando lixo com 11 caminhões Atego 1729 automáticos reduziu em 40% o custo com manutenção de frota.

Especificações

O Atego 1729 possui suspensão a molas e um novo quadro de chassi com balanço curto e mola reforçada, com intuito de suportar os impactos da operação e da caixa de carga do veículo, que geralmente roda com máxima capacidade. Importante ressaltar que esse chassi é o mesmo usado na linha Atron, cuja longarina é mais resistente.
O eixo possui bloqueio de diferencial para quando o veículo tiver de atuar em locais de pisos mais severos.

Além disso, o Atego é oferecido com escape vertical, opção de banco para três passageiros, espelhos auxiliar de manobra e terceiro eixo instalado na frente do eixo de tração (para não perder a tração em vias de difícil acesso e de muitos aclives).

Todos os detalhes do nosso teste a bordo do Mercedes-Benz Atego 1729 você confere na edição 159 da revista TRANSPORTE MUNDIAL.

 

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Andrea Ramos
Jornalista especializada em veículos comerciais, apaixonada por caminhões e punk rock, e mãe do B e do Ben.
  • Rafael Lima

    Poxa, é o primeiro caminhão automático que vejo aqui no Brasil, pelo menos até onde sei. Porque todas essas caixas que são mais comuns tipo I-shift, Powershift, Opticruise e ZF Astronic são todas automatizadas, todas tem sistema de embreagem, ver um caminhão com uma caixa Allison totalmente automática é algo surpreendente. Parabéns à Mercedes-Benz por isso!

    • Zetros1833

      Se não me falha a memória, o VW 17.280 Colletor tbm tem.

      • Rafael Lima

        Não, não tem. O Constellation 17.280 é apenas manual, quem tem como opcional as caixas automáticas da Allison é o Constellation 17.260 e 24.260 compactadores, de série eles e o Atego 1729 só vêm com caixas manuais, bem lembrado, eu tinha esquecido dos Volkswagens!

        • Zetros1833

          Eu confundi o nome e os modelos, na verdade o nome é Compactor e não Colletor como eu disse, rs. Veja bem, os Constellation 17.260 e o 24.260 vem com caixa Eaton de série e opcional Allison S3000. Mas o Constelaltion 26.280 da série Compactor vem com caixa Allison S3500 de série.

          • Rafael Lima

            Ah, é verdade.. o 26.280 vem de série realmente, estava olhando na ficha técnica aqui, ele tem também tomada de força PTO na transmissão, diferente da maioria dos caminhões que tem no motor.

    • mjprio

      A despeito dessas transmissões que vc falou terem embreagem, sao muito elogiadas, principalmente a Opticruise que consegue “entender” o modo de condução e memorizar as trocas em um determinado trecho. Mas obviamente que as Voith Diva e ZF Ecolife tem seus meritos e sao amplamente empregadas no segmento de onibus BRT

      • Rafael Lima

        Não entendo nada de ônibus, é um mundo completamente diferente dos caminhões, mas não sou eu que falo que as caixas automatizadas tipo a Opticruise tem sistema de embreagem, é a engenharia e a mecânicas que fala, pode pesquisar, uma caixa automatizada é uma caixa manual comum com adição de dois atuadores eletro-hidráulicos.

  • geraldo veras

    Desnecessário quase 300 hp num veículo cuja média de velocidade nos centros urbanos é de 15 km/h. Totalmente desnecessário. Temos usado o Ford 1723 e as configurações em termos de torque e potência se mostraram mais que suficientes.

    • Zetros1833

      Em cidades com aclives acentuados a maior potência e o maior torque fazem a diferença em relaççao ao cargo 1723. Principalmente com o veículo carregado.

      Só não achei legal, o eixo de apoio instalado à frente do eixo trator. Já vi um Accelo 1016 da Coca-Cola com essa configuração e ao subir uma pequena ladeira, com pequena inclinação, ficou patinando pq o eixo trator perdeu contato com o asfalto.

      • Rafael Lima

        Concordo, mas essa do eixo ficar sem contato já não sei. O objetivo dessa configuração é exatamente oferecer mais tração por meio da distribuição de peso.

      • mjprio

        Caramba. Curioso não? O fato e que normalmente esses veículos vocacionais tem essa configuração. Que por sinal era típica dos onibus Mercedes antigos, diferente dos scanias e Volvos que sempre tiveram o eixo central de tração, quando com 3 eixos. Hoje a MB ja utiliza o eixo central tb.

        • Zetros1833

          Nas linhas O-370/O-371 e O-400 era assim realmente. Talvez nos ônibus não tivessem esse problema por conta da distribuição de peso ou pelo maior espaçamento entre os eixos traseiros. Mas, no Accelo eu vi esse fato ocorrer algumas vezes.