Com promessa de reduzir o consumo de diesel de 2% a 8%, dependendo do modelo e da operação, a Mercedes-Benz apresenta mudanças no trem de força dos ônibus rodoviários O 500 RS, RSD e RSDD, além de um novo câmbio para o O 500 R. Em contrapartida, esses chassis estão de 1,5% a 2% mais caros. As mudanças estão no câmbio automatizado GO 240, adoção do sistema de desligamento automático do motor, aumento do torque no motor de 360 cv e melhorias no compressor de ar e no ventilador do radiador.  O conjunto dessas alterações foi batizado pelo fabricante de “Pacote Fuel Efficiency” (eficiência do combustível).

Walter Barbosa, diretor de vendas e marketing ônibus Mercedes-Benz, com a transmissão PowerShift GI 240. Foto: Divulgação

Segundo o diretor de vendas e marketing ônibus da Mercedes-Benz do Brasil, Walter Barbosa, o frotista já ganha no curto prazo, considerando que os ônibus rodoviários rodam entre 15 mil e 25 mil quilômetros por mês e, por isso, sendo o combustível responsável por até 30% dos custos da operação. Além disso, algumas melhorias vão ajudar a redução custos de manutenção, trazendo mais ganhos no longo prazo.

Caixa automatizada PowerShift

Três foram as mudanças na transmissão GO 240 de 8 velocidades. Foram adotados novos hardware, software e mapeamento para agilizar as trocas de marchas e reduzir as necessidades de trocas. O resultado é o melhor aproveitamento do torque do motor e, para passageiros, maior conforto. No longo prazo, a redução de trocas também pode representar menor desgaste de todos os componentes envolvidos na transmissão desde a embreagem até os cubos das rodas. O câmbio GO 240 é de série no chassi O 500 RSDD 8×2 com motor de 408 cv e opcional para O 500 RS 4×2 e O 500 RSD 6×2 — estes dois modelos têm a caixa GO 210 manual de 6 velocidades como equipamento de série.

Motor OM 457 LA

O torque do motor de 360 cv foi aumentado de 163,1 mkgf para 188,4 mkgf a 1.100 rpm. O resultado disso combinado com as mudanças nas caixas de marchas é a menor rotação do motor em velocidade cruzeiro (entre 80 km/h e 90 km/h) e para vencer subidas, o que traduz em menor consumo de combustível. Os modelos com este motor têm o câmbio manual GO 210 como item de série e o GO 240 automatizado como opcional. Segundo Walter Barbosa, 80% das compras do RS e RSD são com câmbio manual.

Desligamento automático do motor

O sistema foi lançado para os modelos urbanos em agosto do ano passado e agora passa a equipa os modelos rodoviários. Trata-se do EIS (Engine Idle Shutdown) que identifica se o ônibus está parado há um determinado tempo em neutro e com o freio de estacionamento acionado. No caso dos ônibus urbanos, este tempo é programado para 4 minutos e, no rodoviário, pode ser também de 10 minutos por causa do embarque mais demorado e a necessidade de manter o ar-condicionado ligado. Antes do motor ser desligado, um aviso é emitido pelo painel digital e, caso o motorista queira adiar o desligamento por um ciclo de tempo, abasta tocar o pedal do acelerador. O objetivo é evitar desperdício de diesel e emissões de poluentes enquanto o ônibus está parado por período mais longo.

Compressor de ar otimizado

O trabalho da engenharia em parceria com o fornecedor do compressor foi para que o motor do sistema não seja mais um “peso” para o motor do ônibus quando o sistema de ar está totalmente carregado. Assim, uma válvula de alívio foi adotada na parte superior do compressor afim de liberar o ar e aliviar a pressão sobre os dois pistões. Nessa situação, há também a diminuição da temperatura de trabalho e do nível de ruído, o que também pode significar maior vida útil do compressor.

Ventilador do radiador

Com a finalidade de ter um controle melhor da temperatura do motor, o gerenciamento do ventilador passa a ser eletrônico. Chamado de Visctronic, o novo gerenciamento consegue um controle melhor da velocidade do ventilador. “Além disso, desenvolvemos um novo design para as pás das hélices, agora mais eficientes. Por funcionar somente o necessário, há menos gastos de combustível, menor nível de ruído e a vida útil das correrias é prolongada” – explica Walter Barbosa.

O 500 R

Este modelo é o de entrada no segmento rodoviário, indicado para curtas distâncias. Ele passa ser equipado com câmbio GO 190 de 6 marchas. O diferencial desta caixa é a alavanca tipo joystick com sistema servo-assistido e que exige menor esforço do motorista. A nova caixa Mercedes-Benz substitui a ZF S6-1550.

Caixa manual GO 190 de 6 velocidades

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).