40 novos Iveco Hi-Way foram adquiridos recentemente para a ampliação da frota. Fotos: OTD

A OTD Brasil Logística é uma empresa relativamente nova, cresce na média 28% ao ano, trabalha com idade média da frota baixa e tem na gestão eficiente do fluxo de informações a receita para aumentar a preferência dos embarcadores por seus serviços. Recentemente, a OTD ampliou a frota de cavalos mecânicos com a aquisição de 40 novos Iveco Hi-Way. Para conhecemos mais sobre a gestão da empresa, entrevistamos o seu gerente geral, Paulo Caffeu. Formado em economia com especialização em Gestão Estratégica e Administração de Empresa, o executivo tem 12 anos de experiência em transporte e logística, respondeu a todas as perguntas enviadas pela TRANSPORTE MUNDIAL.  Confira:

TRNSPORTE MUNDIAL — Os 40 caminhões Iveco Hi-Way foram adquiridos para ampliar ou renovar a frota?

Paulo Caffeu — A aquisição dos 40 caminhões Iveco Hi-Way foi para a ampliação da frota da OTD.

TM — Qual o perfil da frota (tipos de veículos considerando os tipos de serviços: distribuição urbana, just in time, milk run e transporte rodoviário), tamanho da frota (própria e agregados) e idade média?

Paulo Caffeu — A OTD possui 400 equipamentos, sendo uma frota de 250 semirreboques, atuando no transporte rodoviário, nacional e internacional (Mercosul), de bens de consumo, embalagens, peças, químicos e fármacos, e 150 cavalos mecânicos. A OTD mantém ainda 100 agregados em suas operações. A idade média dos semirreboques é de 8 anos e a dos cavalos mecânicos é de 2,5 anos.

TM — Na aquisição dos 40 Iveco Hi-Way, a OTD adquiriu o plano de manutenção preventiva. Quantos veículos da frota contam com contratos de manutenção? Qual a visão sobre a tendência dessas opções: oficina própria, terceirizada e contratos de manutenção?

Paulo Caffeu — Atualmente a OTD possui plano de manutenção preventiva na maioria de sua frota própria de rebocadores. O contrato de manutenção nos auxilia no controle das manutenções preventivas e no tempo de inatividade do equipamento, além de possibilitar maior controle orçamentário dos custos da frota.

A oficina própria exige grandes gastos com estrutura e pessoal, ocupando área considerada produtiva e, além de tudo, torna o setor de manutenção estritamente operacional. Na terceirização do serviço de manutenção, o setor de frota passa a ter um foco de gerenciamento. Na OTD, este setor é denominado de CCF (Centro de Controle de Frota) e foca, além do gerenciamento da manutenção preventiva e corretiva, na telemetria dos equipamentos, analisando a dirigibilidade e aspectos que podem ocasionar uma futura manutenção do veículo.

A visão futura da OTD é estabelecer um modelo onde todo o gerenciamento da manutenção da frota seja terceirizado, com a administração de aprovação e análise centralizada na OTD, focando suas competências organizacionais em sua estratégia de negócios. 

 

TM — A tendência é crescer a frota com agregados ou própria?

Paulo Caffeu — A tendência é manter um mix estratégico entre frota própria e agregados, claro, respeitando algumas operações que exigem frota própria dedicada.

TM — Como é feita a gestão de motoristas, considerando admissão, retenção e qualificação?

Paulo Caffeu — A contratação segue os procedimentos de qualificação necessária para atendimento das exigências da OTD no quesito de qualidade dos serviços, desde sua integração à estrutura da empresa.

O desenvolvimento de projetos internos procura reter e qualificar os motoristas. É o caso do Projeto “PQM – Programa Quilômetros de Motivação”, que premia o comprometimento dos motoristas com a OTD e seus princípios e valores, educação nas estradas, diminuição de risco de acidentes e excelência nos serviços.

TM — No site, a OTD enumera as vantagens para os agregados (pagamento por km vazio e carregado, abastecimento com preços competitivos, seguro contra terceiros, gestão logística do veículo e rastreamento 24h). O que ela exige do agregado?

Paulo Caffeu — A contrapartida exigida ao agregado é a manutenção do cavalo mecânico dentro dos padrões da OTD, bem como a prestação do serviço seguindo normas e procedimentos operacionais, e dentro dos padrões de qualidade exigidos

TM — Qual tem sido a média anual de crescimento da OTD nesses 13 anos de existência?

Paulo Caffeu — O crescimento médio anual nos treze anos de existência é de 28% a.a., sendo que no último ano este crescimento chegou a casa de 35%. Este ano, mesmo afetada pela greve dos caminhoneiros em maio, o crescimento deve atingir a casa de 20%. Vale destacar que a OTD foi listada entre as 100 pequenas e médias empresas que mais cresceram no Brasil nos últimos 03 anos segundo a pesquisa “As PMEs que mais crescem no Brasil” realizada pela consultoria Deloitte e publicada pela revista “Exame” na edição setembro 2018.

TM — Desde a criação do programa Bigger And Better, em 2016, o que foi alcançado? E qual a expectativa para até 2020?

Paulo Caffeu — As metas do programa Bigger & Better são qualitativas e quantitativas e estão atreladas à missão, visão, valores e estratégia da OTD.

A versão do programa BaB 2016 alcançou diversos pontos estratégicos da companhia, como a implementação do Business Intelligence como ferramenta de análise para tomada de decisões, introdução de novos negócios, aquisições de outras empresas “M&A” e gestão por competência.

Em sua nova versão, o BaB 2020 foca na melhoria da governança corporativa por meio do Caderno de Gestão, nova política de Compliance e implementação do Balanced Scorecard como ferramenta para acompanhamento da estratégia. Além de projetos de sustentabilidade como o “Estrada com Araucárias”, “ PLVB”, certificação Sassmaq  e o projeto “Frota Verde” que utiliza caminhões movidos a GNV. Prevê ainda a expansão das operações da companhia para os países do Mercosul e atuação em novos segmentos de mercado. Estamos em 2018 e já atingimos vários dos pontos do programa, estamos confiantes que até 2020 todos os pontos serão concretizados. 

TM — Além de boa gestão de custos e logística, os embarcadores têm exigido o que mais nos últimos anos dos prestadores de serviços logísticos?

Paulo Caffeu —  A missão da OTD é “oferecer soluções logísticas de qualidade, prezando pela agilidade e exatidão do fluxo de informações…”, e aí podemos identificar as principais exigências dos embarcadores, ou seja, agilidade e exatidão no fluxo de informações, e para isto, a OTD utiliza as melhores tecnologias aplicadas ao segmento para poder atender as demandas dos clientes. A OTD faz parte da cadeia do “supply chain management” e precisa, desta forma, prover serviços adicionando valor ao negócio e aos clientes, e isto exige a aplicação de tecnologias de ponta nos processos operacionais.

TM — Como planeja para a tendência de frotas mais amigáveis ambientalmente, com veículos movidos a combustíveis alternativos e elétricos?

Paulo Caffeu — Um dos vieses da sustentabilidade praticado pela OTD é o ambiental. Além da renovação da frota para aquisição de equipamentos com tecnologias mais limpas, a OTD desenvolve projeto para a utilização de veículos bicombustível com utilização do gás natural veicular, através da instalação de um kit bicombustível (gnv e diesel) em caminhões para piloto de ecoeficência, utilizando o diesel como chama piloto e o gás natural como combustível principal.

TM — Hoje o que é feito para reduzir o impacto da frota tanto na questão ambiental, quanto social (considerando comportamento de motoristas no trânsito e redução de acidentes)?

Paulo Caffeu — No espectro gerencial, as tecnologias embarcadas nos equipamentos permitem a análise telemétrica das viagens, o que possibilita a redução de riscos e impactos ambientais. O controle de frenagem, velocidade, gestão do motorista, condução do veículo em faixa econômica (RPM), entre outras, reduzem os riscos de acidentes e também de emissões de gases de efeito estufa, além do consumo de combustíveis fósseis (tanto no diesel como nos pneus).

No viés sócio ambiental, a OTD se destaca no setor de transportes. É patrocinadora, junto a Embrapa Florestas, do projeto “Estradas com Araucárias”. O projeto incentiva, por meio de pagamentos por serviços ambientais – PSA, o plantio da Araucária Angustifolia em divisas de propriedades rurais familiares com faixas de domínio de estradas. Os produtores rurais plantam araucárias em suas propriedades e são pagos pela OTD, que utiliza as árvores para compensar emissões de gases de efeito estufa e retirar o dióxido de carbono da atmosfera, convertendo o mesmo em biomassa florestal, melhorando o ciclo hidrológico, o microclima e o aumento da biodiversidade. Já foram plantadas mais de 20.000 araucárias nas cidades da Lapa, Fazenda Rio Grande e Fernandes Pinheiro no Paraná, e Caçador em Santa Catarina, o que corresponde a aproximadamente 2.000 toneladas de CO2 sequestrados por ano, equivalente a emissão de CO2 pelo consumo de mais de 700.000 litros de diesel pela OTD (cálculo da Embrapa Florestas PR).

Desta forma, a OTD evidencia sua preocupação com o crescimento sustentável tanto economicamente como ambientalmente e culturalmente.

TM — Na visão da empresa, há preocupação com o crescimento sustentável. Poderiam exemplificar?

Paulo Caffeu — A OTD procura a perpetuidade. Somente com crescimento sustentável, em seus três vieses: econômico, ambiental e cultural, é que poderemos alcançar nosso objetivo. O lucro é o resultado da aplicação destes princípios de sustentabilidade.

Economicamente, a OTD aplica a gestão orçamentária para controle e análise de seus resultados, e utiliza auditorias externas para atestar as boas práticas e buscar melhoria contínua nos processos internos, além do uso de indicadores (Business Intelligence) para análise da performance e controles internos. A governança corporativa é praticada e difundida aos colaboradores, que acompanham os resultados e performance da empresa no mercado.

A cultura passou a ser uma prioridade da OTD e está embasada nos valores da empresa, que são pré-requisito para a admissão de empregados. Assim, a “mentalidade de dono” passa a integrar os processos e formar uma equipe coesa com um único objetivo: qualidade no atendimento ao cliente.     

 A preocupação com o meio ambiente está presente no dia a dia da OTD Brasil através de projetos como “Estrada com Araucárias”, “Programa de Logística Verde Brasil (PLVB)” e “Frota Verde” além disso somos uma empresa certificada pelo Sistema de avaliação de saúde, segurança, meio ambiente e qualidade (Sassmaq).

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).