É comum dentro de um mesmo grupo econômico ter mais marcas de veículos, e esse comercializar o mesmo modelo com logos diferentes. Isso ocorre também com grupos empresariais diferentes que fazem parcerias. Um bom exemplo disso é o Ducato, fabricado pela Fiat e vendido com as marcas Fiat, Peugeot e Citroën. Neste exemplo, apenas é trocado o logo e o cliente escolhe a marca que mais lhe agrada.

Outro exemplo, objeto desta reportagem de comparativo técnico, é o Kia Bongo K2500 e Hyundai HR, ambos na categoria até 3.500 kg de PBT. É sabido que essas duas marcas sul-coreanas pertencem ao mesmo grupo econômico, portanto, seria natural que fizessem a mesma coisa que as montadoras europeias fizeram com o Ducato.

No entanto, caso do “minicaminhão” não é bem assim. Os dois chassis cabines compartilham o mesmo trem de força e a estrutura da lataria da cabine. No resto, eles apresentam diferenças pouco conhecidas no mercado, mas que vamos apresentar agora para que seus compradores tenham consciência disso e façam suas escolhas.

O Hyundai HR é montado em Anápolis (GO) e o Kia Bongo em Montevidéu, no Uruguai, que teve a sua produção paralisada por um ano (devido à crise brasileira) e retomada este ano.

Em comum

O motor, importado da Coreia do Sul, é o mesmo para ambos. É um propulsor diesel com turbo in­tercooler, cilindrada de 2.5 litros (ou exatos 2.497 cm3) divididos em um bloco de quatro cilindros em linha feito de ferro fundido. A potência é de 130,5 cv a 3.800 rpm e o torque é de 26 mkgf entre 1.500 e 3.500 rpm.

O cabeçote, feito de alumínio e com duplo comando de válvulas, conta com 16 válvulas. O sistema de alimentação em ambos é Common Rail. Para atender a legislação ambiental, o motor conta com o sistema de pós-tratamento de gases EGR (de recirculação dos gases), o que dispensa o uso do líquido Arla 32. Alguns periféricos do motor são diferentes. Por exemplo, o filtro de ar no Bongo é tipo Snorkel.

Em resumo, é um típico motor diesel de uso urbano, que vai buscar a sua potência máxima em rotações mais altas, mas com o mérito de ter ampla faixa de torque, o que traz benefícios nas constantes mudanças de velocidades comuns ao trânsito urbano sem tanta necessidade de troca de marchas. O melhor diesel para abastecer este motor é o S10, mas o propulsor suporta bem o diesel S50.

A caixa de marchas também é a mesma para Kia e HR. Fabricada pelo próprio grupo, ela é manual com 6 velocidades. Porém, como os eixos são diferentes, cada um possui o seu fornecedor, a relação final é 4,444:1 no Bongo e 4,272:1 no HR.

As diferenças no chassi

A maior diferença entre esses “minicaminhões” está no chassi. O modelo da Hyundai apresenta um chassi 2,5 cm mais longo. O HR tem 4.850 mm de comprimento, e o Bongo, 4.825 mm. A distância entre-eixos também é diferente, de 2.430 mm no Hyundai, e de 2.415 mm no Kia. Por outro lado, o modelo da Kia tem chassi em perfil duplo “C”, mais resistente. O da Hyundai é retangular.

A distância do solo também é diferente. O Bongo é 1,8 cm mais alto, com vão livre do solo de 203 mm, o que é mais adequado devido a péssima qualidade do piso em nossas cidades. O HR tem 185 mm de altura livre do solo.

As diferenças na cabine

Apesar da cabine ser a mesma, há diferenças divisuais entre elas, a começar pelos faróis e para-choque dianteiro com ângulo de ataque 10 cm mais alto no Bongo. Por sua vez, o HR traz faróis auxiliares como equipamento de série.

Em termos de visibilidade, ambos deveriam ser iguais, mas um detalhe importante chama a atenção no chassi cabine da Kia. Ele é equipado com retrovisor bipartido com espelho convexo complementar, o que amplia a visão nas laterais.

Custos de manutenção

As revisões de ambos modelos são a cada 10 mil km. Para fazer um comparativo, apuramos quanto custa as revisões deles até 30 mil km. O dono do HR deixará na concessionária R$ 2.304,89 para as três primeiras revisões.

No caso do Bongo, para a mesma quilometragem, o desembolso será um pouco menos, de R$ 2.210,77. A Hyundai conta com 97 concessionárias e o HR precisa ser encomendado. O Kia Bongo conta com cerca de 100 concessionárias e a marca possui o modelo na rede para pronta entrega, o que facilita a negociação de desconto. Já o modelo comprado por encomenda, geralmente, só é produzido se o cliente estiver disposto a pagar o preço de tabela.

No caso do valor de revenda, segundo a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), o Hyundai HR desvaloriza mais do que o Kia Bongo. No primeiro ano de uso, quando um modelo sofre a maior desvalorização, o Hyundai HR está valendo R$ 60.326, e o Kia Bongo, R$ 61.050.

O preço de tabela do Kia Bongo é de R$ 73.990 e do HR é de R$ 73.720. Agora, mais informado, é partir para a negociação se ainda está em dúvida qual escolher.

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).