As composições super-rodotrem, autorizadas pela Resolução Contran 663/17, já estão rodando nas estradas brasileiras, mas ainda, vemos dúvidas nas redes sociais. Vamos esclarecer, abaixo, os principais pontos que todos interessados nesse nicho de transporte devem saber. 

Quem rodava com 91 toneladas de PBTC (Peso Bruto Total Combinado) em composição de 9 eixos, rodava fora da Lei da Balança. Com a regulamentação, poderá se adequar com o cavalo mecânico 6×4 e potência acima 519,6 cv e, assim, passar a rodar dentro da lei.

Na edição 169 da revista TRANSPORTE MUNDIAL, apresentamos dois modelos de caminhões lançamentos especificamente para este tipo de transporte, o Scania R 620 V8 6×4 e o DAF XF105 520 6×4. A Volvo deve anunciar, em breve, o FH 540 também para este tipo de aplicação.

A legislação exige potência mínima de 519,6 cv para 91 toneladas (Portaria INMETRO 51/2011, que estabelece no mínimo 4,2 kW/tonelada ou 5,71 cv/tonelada. Por este motivo, a DAF aumentou a potência do motor Paccar MX-13 de 510 cv para 520. Um chute quase na trave, mas está dentro da lei.

Como esses caminhões serão utilizados principalmente nas atividades do transporte de cana-de-açúcar e madeira, eles precisam ter alguns reforços para rodar em estrada de terra. Além disso, nas rodovias autorizadas, a velocidade não pode ultrapassar os 60 km/h. Portanto, pode-se pegar um modelo rodoviário com potência acima de 520 cv e colocar para puxar uma composição de 91 toneladas, mas não é o ideal. Tanto Scania quanto DAF fizeram modificações nos sistemas de freio, reforçaram a refrigeração do motor e realizaram novas calibrações na caixa de marchas para esta aplicação específica.

O implemento e a distribuição de peso

A composição deve ser com semirreboque de 3 eixos + dolly de 2 eixos + semirreboque de 3 eixos. O comprimento máximo é de 30 metros e o mínimo de 28 metros. A altura continua limitada a 4,4 metros. Portanto, em termos de volume (cerca de 184 m3) não muda em relação ao bitrenzão de 9 eixos. O que aumenta é a capacidade de peso. A permissão do aumento de 74 t para 91 t (17.000 kg a mais) foi graças ao acréscimo dos dois eixos. Eles fazem a distribuição do peso extra e mantém as características de segurança para frenagem.

A indústria de implementos rodoviários, como a Randon, já estão lançado produtos mais adequados para este tipo de transporte.  

Para o percurso

O uso desse tipo de composição deve ser para transferência de carga com distância máxima de 100 km, portanto, 200 km para o ciclo ida e volta. É preciso de AET (Autorização Especial de Trânsito). Ela que deve ser solicitada ao DNER de cada estado, no caso de rodovias estaduais, e no DNIT, no caso de federais.

Para obter a AET é preciso enfrentar um pouco de burocracia. Além da documentação que comprove a adequação da composição, é exigida avaliação das rodovias por meio de estudo técnico para comprovar a compatibilidade das pontes, dos trevos, acessos, rampas, pavimento e sinalização. Se houver alguma necessidade de adequação no percurso, ela ocorrerá por conta de quem estiver solicitando a AET.

Será preciso fazer contas para ver se vale o trabalho e os custos extras para transportar cerca de 14 toneladas a mais (a carga útil vai variar em função da Tara do composição). 

Veja aqui mais detalhes do DAF XF 520 e do Scania R 620 para super-rodotrem.

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).