O investimento assertivo em tecnologia pode gerar bons resultados financeiros, sociais, motivar motoristas e, principalmente, crescer de forma sustentável em uma atividade tão concorrida e de grandes riscos como é a do transporte rodoviário de cargas.

Para mostrar um cliente que investe pesado em tecnologia há mais de 10 anos, a Volvo convidou a TRANSPORTE MUNDIAL para conhecer a operação da RRC International Group em uma das sete rotas mais extremas do mundo, que liga o Chile à Argentina, conhecida como “Paso Los Libertadores” e que conta com o trecho “Cuesta Caracoles”, uma serra com uma sequência de 29 curvas para facilitar a travessia da Cordilheira dos Andes.

Essa rota possui 256 quilômetros e, geralmente, tem duração entre 6h e 8h em condições normais. No inverno, por causa da neve e camadas de gelo que formam na pista, a mesma viagem pode durar até quatro dias por causa das constantes interrupções de tráfego. O trecho mais perigoso possui 67 quilômetros, entre Los Andes e a fronteira com a Argentina, e uma mudança de altitude de 1.100 m para 3.175 m no sentido Chile-Argentina.

A RRC foi fundada em 1981 e há 20 anos compra somente caminhões da marca Volvo. Atualmente a frota é formada por mais de 100 veículos, a maioria modelo FH com potências de 460 cv, 500 cv e 540 cv, e idade média de três anos. Os veículos transportam produtos refrigerados, congelados, frutas, produtos de saúde, higiene, limpeza, entre outros. Todos os implementos são semirreboque baú de alumínio e três eixos. No Chile, o limite de peso é de 45 toneladas de PBTC (Peso Bruto Total Combinado).

Os caminhões da RRC fazem a rota entre Chile e Argentina 2.500 vezes por ano. Segundo o diretor-presidente do RRC Group, Raúl Román Clavero, há 15 anos que a transportadora não registra nenhum sinistro grave. Isso é resultado de forte investimento em tecnologias de segurança, gestão de frota e em treinamento dos motoristas. “Temos grande responsabilidade de abastecer o lar de muita gente e garantir que os nossos motoristas voltem para suas famílias. Por isso, decidimos ter a máxima tecnologia disponível. É um grande erro pensar que investimento em tecnologia é custo”, afirma.

Passado e presente

Raúl lembra que, no passado, cada um dos caminhões rodava totalmente isolado do mundo. Hoje, com as tecnologias de conectividade, os motoristas estão em constante contato com a empresa, familiares e a própria área de assistência 24 horas da Volvo. “Assim, no caso, por exemplo, de qualquer problema com o veículo, o motorista aperta apenas um botão no painel e fala diretamente com um técnico da Volvo pelo serviço VOAR Call”, acrescenta. Por este serviço, o técnico da fabricante pode fazer o diagnóstico e correção do problema à distância ou acionar um socorro presencial.

Outra tecnologia que tem ajudado na eficiência da RRC é o I-See. Ela memoriza toda a topografia do percurso e nas viagens seguintes utiliza a informação para ajustar a melhor marcha, aceleração ou freio motor com antecipação de 60 metros. Assim, o I-See reconhece quando o veículo se aproxima de uma subida e acelera apenas o necessário para manter o embalo.

“O caminhão aproveita a energia cinética e economizada até 5% de combustível”, informa Adrian Sarmento, gerente de controle e desenvolvimento da RRC. O serviço de gerenciamento de frota e telemetria utilizado pela RRC é o Dynafleet oferecido pela própria Volvo.

Por meio do sistema, a empresa consegue acompanhar todos os caminhões à distância em tempo real pelo computador ou aplicativo para smartphone e tablet. Também faz o levantamento de dados para conhecer o estilo de condução de cada motorista e formatar treinamentos customizados conforme a necessidade de cada um.

O consumo médio da frota tem sido de 2,94 km/l e alguns motoristas têm conseguido até 3,13 km/l. “Com o uso do I-See, Dynafleet e treinamento constante, conseguimos com que os motores dos caminhões trabalhem com o objetivo de 48% da sua carga de força. Os benefícios disso são menor consumo, maior durabilidade de todo o trem de força, menos emissões de poluentes e maior durabilidade dos pneus”, diz Raúl. Esse cuidado gera uma velocidade média menor, mas também zero acidente, baixo consumo e maior durabilidade do veículo. O cliente entende isso e valoriza”, pondera.

A idade média dos motoristas da RRC é de 49 anos. “Temos motoristas com 64 anos e 40 anos de experiência e eles estão capacitados para tralhar com essas novas tecnologias. O desafio que estão vencendo é o da capacitação desses motoristas à distância. Para isso, a empresa adquiriu 50 tablets para que os profissionais possam estudar nos momentos que estão parados. Além disso, na cabine dos FH, há o “Driver Coaching”, função que dá dicas ao condutor sobre como dirigir de maneira mais eficiente.

O presidente do Grupo Volvo América Latina, Wilson Lirmann, enfatiza o quanto hoje a tecnologia faz diferença em rotas perigosas e ela não faria sentido nenhum se não tivesse a serviço das pessoas. “Nesse caso da RRC, podemos ver o quanto as tecnologias estão fazendo a diferença e estão sendo reconhecidas. Sabemos que podemos melhorar ainda mais e levar esses benefícios também para outras empresas”, acrescenta.

“O resultado, além da economia com combustível, manutenção e seguros, é que os embarcadores reconhecem a segurança que lhe oferecemos para transportar a sua carga e pagam por isso, além de darem a preferência pelos nossos serviços”, conclui Raúl.

Mercado chileno

O mercado chileno é dos mais competitivos do mundo. Por não ter nenhuma fábrica de veículos e uma grande abertura para o mercado internacional, lá há 32 marcas de caminhões de todos os continentes.

A Volvo, como empresa própria, está no país há 10 anos. Antes, ela era representa por um importador desde 1957, mas o primeiro caminhão Volvo chegou ao país em 1937, apenas 10 anos depois da fabricante ter sido fundada por Assar Gabrielsson e Gustaf Larson.
Atualmente existem 163 mil caminhões Volvo no país e desde que a empresa assumiu a operação no país, ela subiu da sexta para a segunda posição em seu segmento. A marca possui oito concessionárias no país e duas outras serão inauguradas ainda este ano.

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).