Comprar caminhão e ônibus por meio de financiamento ainda é a escolha da maioria, mesmo que a opção pelo pagamento à vista tenha crescido de 10% (em 2004) para 14% (em 2016). Esse e outros dados mostrados em um balanço feito pela ANEF (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras) demonstram que o setor de transporte é altamente dependente das ferramentas de financiamento.

Segundo o presidente da ANEF, Gilson Carvalho, 2017 será um ano um pouco melhor. A entidade espera um crescimento de 5,5% no repasse de crédito. “No primeiro semestre, o mercado deverá manter o ritmo, pois o nível de confiança da população ainda continua baixo e ninguém quer comprometer sua renda ou ficar inadimplente. Depois, nossa expectativa é de crescimento no volume de negócios, mas ainda muito inferior aos anos anteriores”.

No caso de caminhões, o primeiro bimestre deste ano ainda reflete o cenário de 2016 e apresenta queda de 32,8% em relação ao mesmo período do ano passado. Caminhões levam de 30 a 90 dias para serem emplacados, portanto, os emplacamentos de janeiro e fevereiro representam vendas de novembro e dezembro do ano passado.

Gilson Carvalho lembra que há uma grande expectativa com relação a possível estímulo na economia com os quase R$ 42 bilhões que poderão ser sacados das contas inativas do FGTS. Porém, ele lembra que a população brasileira está altamente endividada e temos mais de 22 milhões de desempregados. Portanto, esses recursos não devem ir para o consumo, mas para pagamento de dívidas.

Outro que compartilha de mesma opinião é o vice-presidente da Anfavea e diretor de relações institucionais da Mercedes-Benz do Brasil, Luis Carlos Moraes: “a retomada do mercado de caminhões não virá pela volta do consumo pela população, mas de investimentos”. Porém, o executivo chama a atenção para o fato de que os projetos de concessões públicas de infraestrutura precisam sair do papel e não ficar somente nos anúncios.

A frota atual é estimada em 2,42 milhões de veículos comerciais (caminhões e ônibus), conforme dados do Denatran. A partir desse dado, a ANEF informa que 58,1% deles estão alienados (ainda pagando financiamento), 29,2% sem gravame (quitados), 8,8% arrendados (leasing) e 3,9% com algum tipo de impedimento, como penhor, reserva de domínio ou algum tipo bloqueio judicial.

A inadimplência nos financiamentos de veículos aumentou 0,4% em 2016 e está em 5% nas pessoas jurídicas e 4,6% nas pessoas físicas. O Banco Central considera inadimplente quem está com prestação atrasada há 90 dias.

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).