Cargo 712: compacto para grandes volumes da Ford

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Se a ideia é transportar volume em perímetros urbanos com baixo custo, o mercado de usados tem uma oferta de caminhão que precisa ser considerada – o modelo leve Ford Cargo 712. Lançado pela fabricante de origem norte-americana em 2007, o modelo surgiu de um projeto totalmente focado em consolidar um produto compacto no mercado. Confira reportagem da época na série BAÚ DA TRANSPORTE MUNDIAL.
  De fato, compacto é o adjetivo que melhor resume todas as características do Ford Cargo 712. As dimensões de largura (2 109 mm) e círculo de viragem (de 11,58 m a 15,58 m) evidenciam o objetivo da montadora de assegurar boa capacidade de manobra em espaços curtos. Contudo, o destaque principal do modelo está em ofertar, junto à fácil dirigibilidade, a possibilidade de transportar grandes volumes. Isso é possível graças ao balanço dianteiro mais curto, de 1 267 mm, que permite acomodar uma plataforma maior de carga.

É possível encontrar duas opções de configuração: o modelo VUC (Veículo Urbano de Carga), com distância entre-eixos de 2 800 mm, e comprimento máximo de 5 490 mm e a versão com entre-eixos de 3 900 mm e comprimento máximo de 7 010 mm, destinada às aplicações que necessitam de capacidade volumétrica ainda maior. Na configuração com menor entre-eixos, o caminhão transporta 4 710 kg de carga útil. Na versão maior, leva 4 670 kg.


A Ford sugestiona que há maior rentabilidade operacional do C-712 para os clientes que transportam cargas de maior densidade, como, por exemplo, material de construção, alimentos congelados ou refrigerados, areia e cimento ensacado. 
Pela versatilidade, o modelo, que possui CMT (Capacidade Máxima de Tração) de 10 500 kg, é comumente usado para outras aplicações, como transporte de botijão de gás e principalmente guincho de veículos. 

Carlos Marques é proprietário de nove guinchos na cidade de Barra do Garças (MT), sendo duas unidades do Cargo 712. Há muitos anos no negócio, Marques garante que o modelo da Ford é o ideal para esse tipo de atividade: “É um ótimo veículo: econômico e diversificado. Nunca tive problemas com as unidades que tenho. Uma delas foi chamada para recall, foi a única vez que precisei retornar à concessionária para serviços além da revisão”, relata.

Curiosamente, as duas unidades Ford de Marques estão à venda no site do Mercado Livre (www.mercadolivre.com.br). Não, o proprietário não está insatisfeito com o modelo. O motivo da venda, segundo Marques, é porque duas novas unidades do Cargo 816, modelo que substituiu o C-712 no mercado, já foram encomendadas à Ford.

“Estou renovando a frota, por isso já encomendei os novos modelos Euro 5 a uma concessionária da Ford”, explica. A razão pela qual Marques afirma dar preferência aos modelos Ford, além de destacar o bom desempenho dos veículos, é também por experiências negativas com outros modelos. “Antes de comprar os Ford Cargo 712, eu tinha os modelos Volkswagen 8.150 e 8.120. Esse modelos não mostram bom desempenho, eu tive alguns problemas com câmbio”, conta. 

Embora Marques afirme que o Ford Cargo 712, de todos os seus veículos, é o que melhor atende suas necessidades, o especialista em reboques encontra alguns pontos que, segundo ele, poderiam ser melhorados. A potência é um deles. O modelo conta com motor Cummins B 3.9 Euro 3, mecânico, que também era utilizado no F-4000. Com 4 cilindros, esse propulsor oferece potência de 120 cv a 2 800 rpm e torque de 46,4 mkgf a 1 500 rpm. O trem de força se completa com o câmbio Eaton FSO-4405C de 5 marchas sincronizadas e eixo traseiro Dana 80. “É um veículo feito para transportar no máximo 4 000 kg. Porém é econômico e atende muito bem as operações de guincho”, avalia Marques.

ATUAÇÃO NO MERCADO
O C-712 foi fabricado de 2007 a 2011, quando foi substituído pelo Ford Cargo 816, devido à mudança na legislação – de Euro 3 para Euro 5. No período em que esteve em produção, o C-712 vendeu mais de 7 250 unidades, segundo informou a assessoria de imprensa da Ford.


A Ford lançou o C-712 em um momento no qual a marca encontrava-se em alta no mercado de veículos leves. Enquanto o segmento dos modelas leves havia crescido 17,4% no primeiro semestre de 2007, a Ford avançou 26%, sendo a marca que mais cresceu naquele período.Dois anos após deixar de ser fabricado, o modelo agora faz parte do mercado de usados.