Solução para o bolso

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Mercedes-Benz Atego 2423 é o principal concorrente do VW Worker 24.220

Mercedes-Benz Atego 2423 é o principal concorrente do VW Worker 24.220

Estima-se que aproximadamente 75% do setor de transporte rodoviário de cargas seja formado por empresas de micro, pequeno e médio portes, de acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essas transportadoras atendem os mais variados nichos de mercado e estão dispostas a todos os tipos de aplicação, geralmente cobrando fretes mais baratos, principal causa das dificuldades financeiras delas. E, para isso, contam – ou precisam – de equipamentos mais baratos, isto é, caminhões com características simples, principalmente, de baixa manutenção e que tenha uma grande oferta de peças no mercado paralelo. 

No mercado de veículos usados, um caminhão tem atendido bem às diversas aplicações de trabalho às quais tem sido submetido, e se enquadrado perfeitamente às necessidades dos transportadores de menor porte. Trata-se do Volkswagen Worker 24.220, que, em português popular, tem “caído como uma luva” para os pequenos negócios.  
O modelo começou a ser fabricado em 1990, com foco principalmente nos segmentos de carrocerias baú, sider, carga geral e basculante ou para o transporte de bebidas e coleta de resíduos sólidos, segundo informou a MAN Latina America, fabricante dos veículos Volkswagen.  

A produção do VW 24.220 só foi encerrada em 2011, quando, no ano seguinte, entrou em vigor a legislação Proconve P7, exigindo novas tecnologias de controle de emissão de poluentes. A cabine é antiga, mas fácil e barata de reformar. 
Por meio de sua assessoria de imprensa, a marca de origem alemã salientou ainda que, com base nos dados de mercado apurados pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), atualmente, existem cerca de 9.200 unidades do Worker 24.220 em circulação no país, ou seja 0,005% da frota de caminhões brasileira. 

Um desses modelos pertence à ZAP Entulho, empresa que atua há mais de 10 anos no transporte de caçambas e na coleta de resíduos, e que se enquadra no cenário dos pequenos transportadores. Ao todo, são três os caminhões que compõem a frota da companhia.

Simplicidade e versatilidade são dois pontos positivos destacados pelos usuários
Segundo Claudio Santos, proprietário da ZAP Entulho, a escolha do VW Worker 24.220 se deu justamente pelos atrativos de simplicidade e versatilidade oferecidos pelo caminhão. “Na época, comprei essa unidade porque era o modelo que atendia todas as minhas necessidades. Ou seja, por ser um caminhão forte, resistente e que necessita de pouca manutenção”, afirma o empresário.

A configuração

O perfil de destaque do Worker 24.220, que permite o modelo ser versátil, começa pela motorização. O propulsor Cummins C8.3 215P5-0, de 218 cv de potência a 2.200 rpm e torque de 90 mkgf a 1.400 rpm, integrado com a transmissão Eaton FS 6306, de 6 velocidades, oferece consumo aceitável, mesmo ainda sendo equipado com o sistema de injeção que utiliza a velha bomba injetora. 

Contudo, os atributos do modelo não ficam apenas no trem de forças. A distribuição de peso e o entre-eixos também são itens que merecem realce. Começando pelo entre-eixos, existem três dimensões para o modelo: 4.784 mm, 
6.024 mm e  6.431 mm. O PBT homologado é de 23 toneladas e a CMT (Capacidade Máxima de Tração) é de 35 toneladas, o que enquadra o Worker 24.220 na categoria de veículos semipesados, segundo classificação da Anfavea.

No caso da ZAP Entulhos, o caminhão é usado para um dos serviços mais pesados realizados pela empresa – o transporte de terra e entulho. Hoje, no mercado de usados, o Worker pode ser encontrado com facilidade para compra – tanto em concessionárias como diretamente com proprietários. O preço varia entre R$ 110 mil e R$ 135 mil, de modelos 2007 a 2010. Em resumo, o Worker tem agradado o pequeno transportador brasileiro que precisa de um caminhão com PBT de 23 t e não tem condições de comprar um 0 km.

“Considero um modelo bonito e compacto. Mesmo não sendo muito grande, transporta uma carga significativa para seu tamanho. Foi bem planejado e bem distribuído. Além de ser muito confortável, possui um ótimo desempenho na cidade e na estrada”, diz Santos, que, em uma avaliação geral do veículo, conclui: “Eu recomendaria a compra desse modelo, afinal trata-se de um veículo que sempre atendeu as minhas necessidades. Tirando alguns pequenos detalhes, é um excelente caminhão”.

O Sucessor 

O VW Worker 24.220 foi sucedido pelo VW Worker 23.230 (Euro 5), modelo que tem como principais destaques o motor MAN D08 de 4,6 litros, de 4 cilindros, potência de 225 cv a 2 400 rpm e 86,6 mkgf de torque a partir de 1.100 rpm. O sistema de pós-tratamento dos gases é o EGR (recirculação dos gases de escape), tecnologia que dispensa o uso do Arla 32 e que foi rejeitada por todas as outras fabricantes de caminhões no Brasil. O câmbio continua sendo o Eaton de seis marchas. A capacidade máxima de tração é de 27 toneladas.
Modelo foi sucedido pelo Worker 23.230
Os competidores

Destinado principalmente aos mercados de construção civil e mineração, o Mercedes-Benz Atego 2423 é o principal concorrente do VW Worker 24.220. O caminhão possui tomada de força no câmbio como um dos seus destaques de configuração, com isso, é possível dispensar adaptação por terceiros na instalação de básculas. A estrutura do MB Atego 2423 foi projetada, segundo a fabricante, para aplicações severas. Para isso, o modelo conta com chassi com longarinas duplas, o que lhe dá mais robustez e resistência em operações variadas de trabalho.

Opinião de quem usa

Negativos: Pouca desenvoltura, fraca rotação, rápida queda de giro. 
Positivos: Baixo custo de manutenção,  peças acessíveis no mercado nacional, resistente e de fácil comercialização.

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).