FH16 750 com novo I-Shift encara 750 toneladas

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A Volvo Trucks sempre se põe à prova e,  desta vez, para mostrar a força da sua transmissão I-Shift com marcha super-reduzida, puxou uma carga composta por 40 contêineres repletos de peças de reposição que estão sobre 20 reboques e formam uma linha de eixo de 300 metros de comprimento – que somados resultam em 750 mil kg. A caixa em questão estava equipada num Volvo FH16 com um motor de 750 cv. A ação aconteceu em Gotemburgo, na Suécia, e na cabine do FH estavam Magnus Samuelsson, o homem mais forte do mundo, e Brian Weatherley, jornalista especializado em caminhões.

Apesar da pouca distância que o veículo percorreu, de 100 metros, a ideia do desafio foi mostrar a robustez da caixa, uma novidade que a Volvo está lançando no mercado europeu e que em breve poderá aterrissar em terras brasileiras. Essa I-Shift se difere um pouco da versão à venda no mercado e que no Brasil equipa praticamente 95% da frota de caminhões da linha F da Volvo.

Segundo Álvaro Menoncin, gerente da engenharia de vendas da Volvo no Brasil, a novidade chegará para atender a operações como transportes de cargas indivisíveis, as chamadas cargas especiais, ou operações com transporte de cargas mais pesadas. “Conceitualmente é a mesma caixa em termos de funcionalidade, mas, para atender às operações que transportam cargas mais pesadas, essa nova transmissão teve as engrenagens redimensionadas”, explica. 

A I-Shift para essa configuração de transporte ganha versões de 13 e 14 velocidades, esta com a primeira marcha super-reduzida. Na caixa atualmente usada, de 12 velocidades, há 4 rés. A caixa com 13 marchas terá a possibilidade de sair com 4 ou 6 rés, e na caixa de 14 velocidades haverá 6 marchas a ré. Vale ressaltar, ainda, que a última marcha é overdrive.


Essa transmissão foi desenvolvida especificamente para proporcionar capacidade de arranque e de dirigibilidade em velocidades extremamente baixas. Por isso, essa solução é destinada justamente para caminhões que carregam cargas superdimensionadas. Para se ter uma ideia, nesse desafio, o Volvo FH16 percorreu os 100 km a uma velocidade de 0,5 km/h. Vale mencionar que uma pessoa caminha o equivale a uma velocidade de 5 km/h.

A I-Shift possibilita o deslocamento a uma velocidade entre 0,5 e 2 km/h. Mas é sabido que esses caminhões seguem carregados para seus destinos e retornam vazios. Apesar das engrenagens super-reduzidas, o veículo consegue, dependendo da aplicação, retomar um ganho de velocidade máxima (no final da faixa econômica do veículo) de aproximadamente 60%, algo entre 51 km/h e 83 km/h.

Vale ressaltar, porém, que, apesar do desafio no qual o caminhão FH16 equipado com a marcha de 14 velocidades conseguiu puxar 750 t de carga, a nova alternativa da Volvo para caminhões pesados está dimensionada para arrancar e transportar um PBT (peso bruto total) de até 325 t. “No desafio, quisemos mostrar sua robustez, provar aos nossos clientes que essa I-Shift trabalha com folga”, destaca Menoncin.

Dependendo da aplicação, a I-Shift está disponível com uma ou duas marchas reduzidas à frente e com uma ou duas marchas reduzidas a ré. Nesta última, possibilita o movimento de ré em velocidade extremamente baixa, o que é vantajoso, especialmente em manobras com necessidade de extrema precisão.


I-SHIFT REDUZIDA
Em caixas com uma marcha super-reduzida, a relação é 19:1 para caixas diretas, ou 17:1 em caixas com sobremarcha (a relação da marcha mais baixa em caixas I-Shift diretas normais é de 15:1. Em caixas diretas ou com sobremarcha com duas marchas reduzidas, a menor relação é 32:1. A relação da marcha mais baixa é 37:1 em caixas diretas.

Para operar com altas cargas, vários componentes são fabricados em materiais de alta resistência. A caixa é 12 cm mais longa que a versão convencional e estará disponível nos caminhões com motores de 13 e 16 litros da família F (FH, FMX e FM).

Apesar de ser um segmento nicho, a Volvo poderá trazer essa transmissão para o Brasil, uma vez que o FH16 configurado 8×4 hoje é a sua solução mais adequada para operações especiais com cargas pesadas. Para Menoncin, há demanda para essa solução no mercado interno. “A versão de 13 velocidades atenderia a operações com o caminhão com CMT (capacidade máxima de tração) de até 200 t, já a de 14, operações acima de 250 t de CMT.

NO DESAFIO
O Volvo FH16 usado no teste conta com I-Shift e marchas super-reduzidas e os eixos mais robustos da série regular de produtos da Volvo. Para lidar com a pressão no eixo de direção, o platô sob a quinta roda também foi reforçado. O caminhão é dirigido por Magnus Samuelsson, ex-detentor do título de “Homem Mais Forte do Mundo”.

“Poucas coisas chegam perto da sensação de superação e vitória sobre as limitações físicas de uma pessoa. Já enfrentei desafios dificílimos ao longo dos anos, mas este é de longe o mais pesado”, diz Magnus Samuelsson.

Antes de o experimento ser executado, várias medidas de segurança precisaram ser adotadas. Por exemplo, os acoplamentos entre os 20 reboques foram verificados com precisão e a pressão do ar em todos os 204 pneus foi ajustada nos mínimos detalhes. Foram colocados 40 contêineres nos reboques. Os contêineres foram carregados aos pares, um em cima do outro. Ao todo, o peso total do caminhão, dos reboques e dos contêineres excede 750 toneladas.

O QUE SÃO 750 TONELADAS?

57 caminhões Volvo FH16
350 carros Volvo XC90
150 elefantes adultos
4 aviões Boeing 747 Jumbo
• Um pouco mais de 4,5 turbinas eólicas