TM entrevista: Stefan Buchner, presidente mundial da MB

1369

A marca Mercedes-Benz é a mais importante da Daimler Trucks, que conta ainda com as marcas de caminhões Fuso, BharatBenz, Freightliner, Western Star e uma joint venture com a Foton na China.

O executivo Stefan Buchner é o presidente mundial da Mercedes-Benz Caminhões e responsável pelas regiões Europa e América Latina. Ele fica na matriz, em Stuttgart, Alemanha, também sua cidade natal, onde nasceu em 18 de janeiro de 1960.

O Brasil é atualmente o quinto maior mercado da marca no mundo por causa da atual crise econômica. Porém, os bons fundamentos macroeconômicos indicam o potencial do mercado brasileiro e a importância da região. Por isso, desde que assumiu a presidência mundial, Buchner visita o país cerca de quatro vezes ao ano para acompanhar de perto todos os negócios, operações e testes realizados no Brasil. Em sua última visita, ele concedeu a seguinte entrevista exclusiva à TRANSPORTE MUNDIAL:

TRANSPORTE MUNDIAL • No último Salão de Hannover, a Mercedes-Benz enfatizou bastante os veículos comercias com tecnologia de eletromobilidade como modelos que trazem soluções para o futuro do transporte de cargas em áreas urbanas. Porém, para mercados em desenvolvimento, como os da América Latina, os caminhões elétricos são muito caros para serem viabilizados economicamente. Qual a visão da Mercedes-Benz em soluções sustentáveis para países como os da América do Sul?

Stefan Buchner • Em Hannover, nós mostramos com mais destaque o nosso Urban eTruck. Fizemos isso porque estamos convencidos de que essa tecnologia é importante para os nossos clientes, principalmente na Europa, região na qual as legislações estão ficando mais rígidas. Mas também podemos usar esse caminhão eTruck em muitas cidades da Ásia e da América Latina. Nós temos um desafio com a redução das emissões e, portanto, desenvolvemos um protótipo desse caminhão para demonstrar uma solução para a distribuição urbana com autonomia de até 200 quilômetros e que atenda os requisitos legais. Cidades como Londres e Paris, por exemplo, a partir de 2020, já anunciaram que não vão permitir o tráfego de caminhões pesados. A ideia é ter vários centros de distribuições nas marginais dessas cidades e apenas caminhões com emissão e ruído zero entrarão nessas regiões, sempre à noite, e a distância percorrida seria no máximo de 200 quilômetros.

TM • No caso do Brasil, quando poderemos ver essa solução de eletromobilidade na rua?

Buchner • A nossa ideia é que no início da próxima década a gente consiga oferecer o Urban eTruck para todos os clientes da Europa, Ásia e América Latina.

TM • Quais outras opções tecnológicas de menor custo de aquisição a Mercedes-Benz poderia oferecer para mercados emergentes?

Buchner • Nós já temos disponível para os nossos clientes a tecnologia de motores movidos a biodiesel e gás natural.

TM • Para caminhões de longa distância, qual será a tecnologia sustentável a ser adotada?

Buchner • Eu tenho certeza que o combustível diesel, para longas distâncias ainda vai persistir por mais 10 ou 15 anos. Mas quando falamos de distribuição, o eTruck vai ser a solução e, para longas distâncias, nós ainda continuaremos com o diesel, biodiesel e no futuro acredito que crescerá o uso do caminhão a gás.

TM • Diante da atual situação econômica do Brasil e, considerando a experiência da Mercedes-Benz em outros mercados, quais recomendações haveria para o país?

Buchner • Faz tempo que o país enfrenta uma forte tempestade. Eu diria que precisam equilibrar as finanças e o lado fiscal. No momento, os juros e a inflação estão muito altos. Precisam fazer com que os empresários e investidores recuperem a confiança no país. O que atrapalha é essa falta de confiança que está de uma forma generalizada.

TM • O que você diria para o setor de transporte?

Buchner • A gente viu o que acontece quando a demanda cai. Acabamos de receber os números de mercados. Foi o pior ano dos 60 anos da empresa no Brasil. Isso mostra que os empresários estão cautelosos e esperando para ver se a economia reage para voltar a investir. Por outro lado, também sei que os caminhões com mais de 20 anos no país não pagam impostos. Então fica o raciocínio, por que investir em um caminhão novo se eu tenho isenção de IPVA em uma frota mais antiga? Portanto, há mais de 1 milhões de caminhões com mais de 20 anos de uso. A idade média da frota está muito alta. Então, essa regra de isentar os caminhões velhos acaba não estimulando a economia.

 

TM • Considerando a dimensão continental do Brasil, setores como agronegócio e mineração, e o tamanho da população brasileira, qual seria o número real de vendas anual de caminhões no país?

Buchner • Levando em conta todo o potencial, como você disse, com a força do agronegócio, da mineração, eu diria que o número médio seria entre 120 mil e 140 mil caminhões para o potencial do mercado brasileiro.

A entrevista completa com Stefan Buchner, presidente mundial da Mercedes-Benz, você confere na edição 161 da revista TRANSPORTE MUNDIAL.  

Compartilhar
Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).