Um toque futurístico

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Uso da tecnologia vai desde o projeto à produção

Uso da tecnologia vai desde o projeto à produção

O que os óculos Google Glass têm a ver com os veículos Iveco? É que a filial brasileira da montadora italiana iniciou um projeto pioneiro no uso dessa tecnologia para a fabricação de seus caminhões e, pelas expectativas da empresa, isso fará diferença para o comprador de seus produtos.
 
Denominado de Projeto Glass, cinco funcionários da linha de montagem estão usando o equipamento. O que se espera é maior agilidade nas tarefas e maior qualidade, o que pode significar produtos com menos defeitos de fábrica, ou seja, menos paradas do caminhão para visitas para reparo nas concessionárias. E, num futuro próximo, mesmo que haja um defeito, será possível rever as gravações feitas de determinado modelo pelo Google Glass e descobrir onde foi o erro.

Mas as funções dos óculos dentro da fábrica são muitas. Segundo Francisco Oliveira, gerente de logística da Iveco, com o equipamento é possível fazer um treinamento ao vivo. Ou seja, o operário pode realizar a montagem de uma peça no caminhão vendo as fotos em sequência de montagem. Em caso de dúvida, pode ainda assistir a um vídeo curto ao mesmo tempo para fazer a operação corretamente.

“Pelos óculos, o profissional pode checar como é a sequência da montagem de cada peça e a sua correta posição”, comentou. O funcionário visualiza imagens (pode ser fotos ou vídeos) equivalentes ao tamanho de uma TV de 27 polegadas. 

No modo tradicional, caso haja uma dúvida, o funcionário interrompe a produção para ir até uma sala checar manuais ou consultar um computador para saber como é feito o processo e, ainda, há o risco de quando voltar à linha de produção ter se esquecido de como era feito. Só aqui já há um ganho de tempo que a indústria chama de ganho de produtividade, o que pode até aumentar a competitividade da empresa no mercado. Em alguns postos de trabalho, o colaborador usa um Palm para checar informações. Com os óculos, ele tem as duas mãos livres para a tarefa e há uma redução nas perdas e no uso de papel.

Para essa fase inicial do uso do Projeto Glass, a Iveco comprou cinco Google Glass. Um deles está sendo testado na área de estoque de peças, em um galpão com milhares de peças. Lá,  um funcionário monta os kits com peças que são enviadas para a linha de montagem para serem colocadas no chassi ou na cabine dos caminhões. Aqui, qualquer erro pode provocar uma série de atrasos na produção. “O uso dos óculos pode reduzir em até 20% o tempo dos processos e garante que tudo seja feito de forma correta, pois as dúvidas são resolvidas em tempo real”, acrescentou o executivo. Segundo Anselmo Ichihara, diretor da empresa mineira Data Access, parceira da Iveco no Projeto Glass, o banco de dados já conta com centenas de imagens e vídeos e que terá 100% de todas as atividades da fábrica. “Os óculos também permitem que o funcionário tire fotos ou grave vídeos e envie para o responsável do setor em tempo real”, acrescentou.

De Minas para a Itália
 
O Google Glass começou a ser utilizado em campos profissionais, principalmente na medicina, mais do que entre as pessoas físicas, o que levou a sua criadora, o Google, a suspender as vendas para o consumidor comum no final do mês de janeiro deste ano. O produto será reformulado para esse público, mas para as empresas ele continua sendo comercializado. Cada óculos custa cerca de 1 500 dólares. A previsão da montadora é aumentar o projeto para que 30 funcionários usem o acessório ainda este ano.  

Depois do pionerismo da Iveco no Brasil, é a BMW nos Estados Unidos que também usará o equipamento para o controle de qualidade de veículos pré-série. 
A matriz da Iveco, na Itália, também gostou da ideia e está acompanhando o projeto-piloto em Sete Lagoas (MG) para implantá-lo lá.           

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).