Zero acidentes

Zero acidentes

O Grupo Volvo aceitou participar do desafio pro­­posto pelo parlamento sueco de reduzir a zero o número de acidentes nas estradas de lá, pelo menos com o envolvimento de veículos e máquinas fabricados por ele. A Volvo do Brasil foi a primeira empresa do grupo, fora do país-sede, a aceitar esse desafio para ajudar reduzir as mortes nas rodovias brasileiras envolvendo veículos da marca. Quem explica como o projeto vai funcionar é a gerente de comunicação da Volvo, Solange Fusco

SOLANGE FUSCO •  O Zero Acidentes é a visão de segurança adotada pelo Grupo Volvo que tem como ideal um futuro sem acidentes envolvendo seus veículos. O conceito do Zero Acidentes não é novo. Foi inspirado num posicionamento adotado pelo parlamento sueco em 1997, que estabeleceu que ninguém será morto ou ferido gravemente em acidentes de trânsito na Suécia. O Grupo aceitou o desafio e tem muito a contribuir em razão da sua liderança em segurança e a longa história de investimento em pesquisa e desenvolvimento de soluções em segurança. Sabemos que é uma meta extremamente ambiciosa, mas é um ideal que nos fará evoluir para um melhor cenário em segurança. O Brasil é o primeiro país onde o Grupo Volvo atua, fora da Suécia, a também aceitar esse desafio. Só o PVST (Programa Volvo de Segurança no Trânsito) existe há mais de 30 anos e tem diversas iniciativas para  conscientização da sociedade sobre o drama  que acontece nas estradas brasileiras. Uma guerra anual com mais de 50 000 mortos. Vamos usar nosso conhecimento e os instrumentos que já temos para atuar como catalizadores desta nova bandeira. O TransFormar, por exemplo, um programa de formação de motoristas com foco na mudança de comportamento, terá um importante papel para que o motorista atue como gestor de riscos. Sabemos que o comportamento é um ponto crítico. Estudos nos apontam que 90% dos acidentes são provocados por falha humana.  

Lá na Suécia, o projeto Zero Acidentes existe há quanto tempo?
SF •  O Grupo Volvo adotou a visão Zero Acidentes com seus veículos em 2012. O objetivo é atingir esse ideal em 20 anos e envolve todos os segmentos de negócios: caminhões, ônibus e equipamentos de construção de todas as marcas do grupo. 

Quais são os caminhos que serão seguidos pelo projeto?
SF •  Até o final do ano, vamos lançar o novo PVST, que já vem com essa abordagem. Vamos engajar as entidades de classe, clientes, transportadores, embarcadores e a nossa rede de concessionários para que também adotem a visão Zero Acidentes. Sabemos que sozinhos não conseguimos atingir este ideal. Vamos atuar como catalizadores, para sensibilizar e mobilizar toda a cadeia envolvida no transporte comercial. Este ano, teremos quatro fóruns regionais para discutir iniciativas e ações que contribuam com este ideal. Os eventos serão em Porto Alegre, Belo Horizonte, Itajaí e Curitiba.

Segundo dados da Polícia Rodoviária Federal, o principal causador de acidentes é o comportamento do motorista, principalmente a falta de atenção. Qual o remédio para isso?
SF •  Nós apostamos em desenvolvimento, e por isso, em 2008, lançamos o TransFormar, um treinamento com uma dinâmica diferente. Nós não queremos ensinar o motorista de caminhão a dirigir, pois ele sabe muito bem como fazer isso. Mas ele precisa entender que tem esse papel de evitar o acidente. 

Qual é a frota de caminhões e ônibus Volvo circulando no Brasil?
SF •  Temos 30 anos no Brasil, então já são mais de 100 000 veículos circulando. Câmera de fadiga

E como chegar até quase 100 000 motoristas e transformar o comportamento deles para que não se envolvam em acidente?
SF •  Por meio de um trabalho de engajamento da rede de concessionários e de uma comunicação forte. Vamos incluir o tema nos nossos Road Shows, em eventos comerciais, em eventos que ocorrem em postos de combustível e que reúnem um grande número de caminhoneiros. Também vamos colocar o tema em todas as ações promovidas pelo PVST, como os Fóruns regionais. Precisamos usar todas as oportunidades para mostrar que é possível sim, explicando aos motoristas a importância de atuarem como gestores de riscos, para evitar acidentes, e aos empresários, a importância de investirem mais em treinamentos e em itens de segurança. 

O que já foi feito de bem-sucedido na Suécia? E dá para aplicar no Brasil?
SF •  O Grupo Volvo continua investindo maciçamente em pesquisa e desenvolvimento de produtos cada vez mais seguros; é um participante ativo em programas de pesquisa nacionais e internacionais que contribuam de forma significativa para o progresso com relação às questões de segurança, e participou ativamente do desenvolvimento da IS0 39001 – norma internacional de sistemas de gerenciamento de segurança. A Volvo é lider absoluta em segurança veicular e continuar investindo em novas tecnologias é uma contribuição essencial. Mas, desde 1997, quando o parlamento adotou a visão Zero Acidentes, apesar de ter um pequeno percentual de fatalidades no trânsito, a Suécia já reduziu em mais de 50% o número de mortos e espera chegar a zero, ou muito próximo disso, em 10 anos.

Nossas vias não colaboram para o aumento na segurança, e na Suécia ocorre o contrário. Como o projeto tratará desta questão?
SF •  A Suécia é uma referência de país onde segurança é um valor, tem prioridade e já faz parte da cultura de seu povo. Isso é resultado de ações concretas e constantes, de centenas de anos. No Brasil, a segurança ainda não é prioridade. Somos uma nação ainda sem cultura de segurança como um todo e também sem cultura de segurança no trânsito. Os problemas gerados em decorrência da falta de infraestrutura  rodoviária afetam, claro, a segurança. Mas nós vamos atuar nas áreas que estão ao nosso alcance, que é a disseminação da informação, a mobilização dos players do setor de transporte comercial, em treinamentos, e claro, oferecendo ao mercado veículos seguros e com alto grau de tecnologia embarcada.

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Editor da revista e site Transporte Mundial desde fevereiro de 2002. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia, de Belo Horizonte (MG).