Setenta anos depois de inaugurar sua fábrica em São Bernardo do Campo/SP, a Mercedes-Benz mantém no País uma das principais operações da Daimler Truck fora da Alemanha, com produção, engenharia e desenvolvimento de veículos para o mercado brasileiro e outros países.

A história começou em 28 de setembro de 1956, quando a fábrica do ABC iniciou a produção de caminhões e chassis de ônibus. Desde então, a empresa produziu mais de 2,5 milhões de veículos — 1,7 milhão de caminhões e 800 mil ônibus — e exportou cerca de 560 mil unidades, sendo 300 mil caminhões e 260 mil ônibus.
Entre os primeiros modelos produzidos estava o L 312, o “Torpedo”, primeiro caminhão Mercedes-Benz fabricado no Brasil e um dos primeiros veículos comerciais a diesel produzidos no País. A partir dali, a marca passou a acompanhar as diferentes fases de expansão do transporte de cargas e passageiros no Brasil.
Alguns modelos ajudam a contar essa trajetória. O L 1111 e, depois, o L 1113 tornaram-se referências entre os transportadores. Juntos, somaram cerca de 240 mil unidades, segundo a Mercedes-Benz, e estão entre os caminhões mais vendidos da história brasileira.

Em 1972, chegou outro modelo que ganharia um lugar especial na memória dos transportadores: o L 608 D. O caminhão leve recebeu o apelido de “Mercedinho” e deu origem a uma linhagem que posteriormente incluiu modelos como o 709 e o 710. Durante décadas, esses veículos estiveram presentes na distribuição urbana e nas operações de curta distância.
O sucessor dessa tradição veio em 2003, com o Accelo. Até junho de 2023, a família acumulava 89.515 emplacamentos no Brasil. O Accelo 815, lançado em 2003, tornou-se o modelo mais vendido da família e deu continuidade à trajetória iniciada pelo Mercedinho.
Dos pesados aos extrapesados
A evolução também ocorreu nos caminhões destinados às operações de maior capacidade. Os cavalos mecânicos da linha LS marcaram a década de 1980 e, em 1988, o LS 1934 Turbocooler representou uma nova etapa tecnológica entre os pesados. O modelo utilizava motor de seis cilindros, turboalimentação e intercooler, com 340 cv, numa época em que novas soluções de desempenho começavam a mudar o perfil dos caminhões brasileiros.
A década seguinte trouxe uma renovação mais ampla da linha. Depois vieram famílias como Axor, Actros e Arocs, destinadas a diferentes aplicações do transporte rodoviário e fora de estrada. Em paralelo, a Mercedes-Benz incorporou novas tecnologias de transmissão, gerenciamento eletrônico, segurança e conectividade.
De fábrica a centro de desenvolvimento
São Bernardo do Campo deixou de ser apenas uma unidade de produção. O complexo concentra atualmente a fabricação de caminhões, chassis de ônibus e agregados, além de abrigar o Centro de Desenvolvimento Tecnológico da empresa. A operação também ganhou uma estrutura específica para a produção de ônibus. A Fábrica de Ônibus 4.0, em São Bernardo do Campo, reúne processos automatizados e recursos de digitalização aplicados à produção de chassis.
A unidade do ABC é ainda o Centro Mundial de Competência da Daimler Buses para desenvolvimento de chassis de ônibus. Na área de caminhões, a engenharia brasileira participa do desenvolvimento de produtos e tecnologias destinados a outros mercados.

A estrutura industrial inclui também a fábrica de cabinas de Juiz de Fora/MG, que produz as cabinas das linhas de caminhões da marca. A empresa mantém ainda campo de provas e centro de testes em Iracemápolis/SP, centro de distribuição de peças em Itupeva e centro de treinamento em Atibaia.
O próximo da Mercedes-Benz
Aos 70 anos, a Mercedes-Benz trabalha com uma gama de produtos bem diferente daquela que começou com o L 312. A eletrificação já faz parte do portfólio, enquanto conectividade, digitalização e sistemas de assistência à condução passaram a integrar os veículos comerciais.
No segmento de ônibus, a empresa produz no Brasil o eO500U, chassi urbano elétrico a bateria, e iniciou em 2026 as vendas do articulado eO500UA. No mesmo ano, apresentou o eCity, novo chassi elétrico urbano baseado na família OF.

Entre o “Torpedo”, o L 1113, o “Mercedinho”, os cavalos mecânicos LS, o Accelo, o Actros e os atuais caminhões e ônibus elétricos, a história da Mercedes-Benz também ajuda a contar a transformação do transporte brasileiro. São sete décadas de veículos que acompanharam — e, em muitos momentos, ajudaram a impulsionar — as mudanças nas estradas, nas cidades e na própria indústria nacional.
Mercedes-Benz no Brasil: 70 anos – Linha do tempo
1956 – L 312 e LP 312
A Mercedes-Benz inicia a produção de veículos comerciais no Brasil. O L 312 é o primeiro caminhão produzido pela marca no País. No mesmo ano, começa a produção do chassi de ônibus LP 312, o primeiro totalmente fabricado no Brasil.
1958 — L 321 e O 321 H
O L 321 inaugura uma nova geração de caminhões Mercedes-Benz no Brasil, com cabine avançada. Nos ônibus, o O 321 H marca a produção do primeiro ônibus monobloco brasileiro da marca.
1960 — LA 321
A companhia amplia a gama de caminhões com o LA 321, primeiro modelo nacional da marca com tração integral 4×4.
1964 — L 1111
Surge o L 1111, caminhão que se torna um dos modelos mais marcantes da história da Mercedes-Benz no Brasil.
1967 — LP 1520
A Mercedes-Benz amplia a linha de caminhões com o LP 1520, de cabine avançada.
1969 — O 352
Nos ônibus, o O 352 representa uma mudança importante com a adoção do motor traseiro.
1970 — L 1113
O L 1113 sucede o L 1111 e se torna um dos caminhões mais conhecidos da marca no País. Sua produção se estende por décadas, consolidando a presença da Mercedes-Benz entre os transportadores.
1971 — OF 1313 e OH 1313
A fabricante amplia sua oferta de chassis de ônibus com o OF 1313, de motor dianteiro, e o OH 1313, de motor traseiro. A família OF inicia uma trajetória que continua até hoje.
1972 — L 608 D
O L 608 D, conhecido como Mercedinho, leva a Mercedes-Benz ao segmento de caminhões leves a diesel e cria uma linhagem que posteriormente desembocaria no Accelo.
1978 — O 364
O O 364 amplia a presença da marca no transporte de passageiros e passa a atender diferentes aplicações urbanas e rodoviárias.
1984 — O 370
A Mercedes-Benz apresenta o O 370, nova geração de ônibus rodoviários.
1988 — LS 1934 Turbocooler
O LS 1934 chega ao mercado com motor OM-355/6 LA de 340 cv, turboalimentação e intercooler. O modelo representa uma evolução entre os caminhões pesados da marca naquele período.
1989 — Nova cabine bicuda HPN moderniza a linha de caminhões médios e semipesados da Mercedes-Benz
1991 — Chegada das cabines (FPN)
A marca apresenta a família de caminhões de cabine avançada para os segmentos médio e semipesado.
1992 — O 371
O ônibus O 371 chega ao mercado em diferentes configurações, incluindo modelos rodoviários e urbanos, reforçando a presença da Mercedes-Benz no transporte coletivo.
1994 — O 400
A família O 400 representa uma nova etapa para os ônibus Mercedes-Benz, principalmente no segmento rodoviário.
1998 — Eletrônica embarcada
A Mercedes-Benz introduz novas tecnologias nos caminhões brasileiros, incluindo gerenciamento eletrônico do motor e freios a disco. Nos ônibus, o OF 1417 passa a utilizar motor eletrônico.
2001 — O 500
A Mercedes-Benz apresenta a família O 500, que se tornaria uma das plataformas de ônibus mais importantes da história da marca no Brasil. O primeiro faturamento ocorreu em julho de 2001.
2003 — Accelo
O Accelo chega para substituir a antiga geração de caminhões leves e médios. O modelo mantém a proposta do “Mercedinho”, mas incorpora uma nova geração de tecnologia e conforto. O Accelo 815, apresentado naquele ano, torna-se o modelo mais vendido da família.
2004 — Atego
A Mercedes-Benz reorganiza sua gama de caminhões com o lançamento do Atego, destinado aos segmentos médio e semipesado.
2005 — Axor
O Axor passa a ocupar espaço importante entre os caminhões pesados e extrapesados, com versões para transporte rodoviário e aplicações fora de estrada.
2007 — Actros
O Actros chega ao Brasil inicialmente na configuração 4144 8×4, destinada a aplicações fora de estrada.
2010 — Actros rodoviário
A Mercedes-Benz amplia a família Actros no País com os modelos 2646 e 2546, destinados ao transporte rodoviário de cargas.
2011 — Atron
A marca renova sua tradicional linha de caminhões bicudos com o Atron, que mantém a configuração convencional de cabine em uma época em que os modelos de cabine avançada já dominavam o mercado.
2015 — Accelo 6×2
O Accelo 1316 6×2 amplia a família e leva o modelo ao segmento de caminhões médios.
2018 — Axor autônomo
Um Axor 3131 equipado com tecnologia de direção autônoma passa a operar em uma operação regular no setor sucroenergético. O projeto leva a automação para operações fora de estrada.
2019 — Novo Actros
O Novo Actros chega ao Brasil com tecnologias como a MirrorCam, painel digital e sistemas avançados de segurança.
2021 — eO500U
A Mercedes-Benz apresenta o eO500U, primeiro chassi de ônibus elétrico da marca desenvolvido no Brasil. O modelo marca a entrada da empresa na eletromobilidade de veículos comerciais no País. As entregas comerciais começam em 2022.
2022 — BlueTec 6
A Mercedes-Benz apresenta a nova geração de caminhões com motores BlueTec 6, preparada para atender ao Proconve P8/Euro 6. Accelo, Atego, Actros e Arocs passam a incorporar a nova tecnologia de emissões.
2022 — Ônibus Euro 6
A tecnologia BlueTec 6 chega também aos ônibus. A nova linha de chassis 2023 inclui modelos LO, OF e O 500 preparados para atender ao Proconve P8.
2024 — Nova geração do Accelo
A Mercedes-Benz apresenta uma nova geração do Accelo, com alterações de cabine, interior e tecnologias de segurança e operação. A linha passa a incluir os modelos 917, 1117 e 1417 6×2.
2024 — Atego renovado
O Atego recebe atualização visual e novas versões destinadas a diferentes aplicações, incluindo operações urbanas, distribuição e vocacionais.
2024 — Actros Evolution
A Mercedes-Benz apresenta o Actros Evolution, evolução do extrapesado com novas tecnologias voltadas à segurança, eficiência e conforto do motorista.
2024 — eO500UA
A Mercedes-Benz amplia sua oferta de ônibus elétricos com o eO500UA, chassi articulado destinado ao transporte urbano de maior capacidade.
2025 — Novo Axor
O Axor retorna ao mercado brasileiro com uma nova geração. Os modelos 2038 4×2 e 2545 6×2 combinam a tradição do nome com motor BlueTec 6 e uma proposta voltada ao transporte rodoviário.
2026 — Axor amplia a linha
A Mercedes-Benz amplia a oferta do Axor com versões equipadas com suspensão traseira pneumática e apresenta uma configuração plataforma do 2038.
2026 — eCity
A marca amplia a família de ônibus elétricos com o eCity, chassi urbano de 12 metros baseado na família OF.
2026 — eO500UA entra em nova fase
A Mercedes-Benz inicia as vendas do eO500UA, articulado elétrico destinado a operações de maior capacidade e grandes corredores urbanos.
2026 — 800 mil ônibus produzidos















