Leasing operacional é alternativa

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Na edição 145 da TRANSPORTE MUNDIAL, de agosto último, escrevi neste espaço que a indústria de caminhões esperava que a queda das vendas tivesse chegado ao fim do poço. Isso porque ninguém mais estava acreditando que a retração pudesse ser 42,3% do primeiro semestre. Tradicionalmente, o segundo semestre é melhor do que o primeiro e se esperava que o mercado voltasse a crescer, nem que fosse 0,1%. Ninguém estava pedindo para crescer 5% ou 10%. Apenas 0,1% já estava bom. Para surpresa geral, as vendas em agosto foram de retração de mais 10% sobre julho e – 46,2% sobre a agosto do ano passado.
 
A indústria de caminhões vem tomando várias medidas para enfrentar a crise. Um das medidas bastante interessante é o leasing operacional. Existe há anos nos Estados Unidos e na Europa. Essa modalidade de financiamento sempre foi discutida no Brasil, mas havia vários entraves, inclusive culturais e, por isso, nenhum banco ou montadora teve coragem de lançar essa modalidade… até o mês passado.

A MAN Latin America, em parceira com o Banco Volkswagen, é a primeira montadora a oferecer o leasing operacional. Por enquanto, como projeto-piloto e exclusivamente para 400 unidades dos modelos MAN TGX 28.440, 29.440 e 29.480. Se der certo, poderá ser expandido para os caminhões da marca Volkswagen.

Para explicar de uma forma bem simples, o leasing operacional funciona como um aluguel. O cliente faz um contrato de 36, 48 ou 60 meses (sem entrada e com parcelas fixas até o fim), incluindo todas as despesas de emplacamento, IPVA, manutenção preventiva e corretiva, telemetria, rastreamento e controle da frota. Ao final do prazo, ele devolve o caminhão e pode fazer um novo contrato por outro zero km. Caso ele queira ficar com o caminhão, ele pagará o preço de mercado usado (que poderá ser financiado) e não um saldo residual acrescido de juros como em alguns financiamentos e no leasing tradicional.

O leasing operacional é vantajoso para empresas que têm imposto de renda a pagar. Como a mensalidade será considerada como despesa de aluguel e o caminhão não será considerado ativo da empresa, as parcelas podem ser abatidas no IRPJ e deduzidas na base do PIS/Cofins. Segundo o presidente da MAN Latin America, Roberto Cortes, as parcelas do leasing operacional podem ficar até 30% menores em relação às do Finame, considerando todos esses abatimentos de impostos.

Recentemente o Banco Mercedes-Benz anunciou que já está com o programa (Leasing operacional) pronto, e aguarda o melhor momento para lança-lo no mercado.  

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).