O motor V8 da Mercedes fica!

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Há rumores no mercado, ainda não confirmados, de que a Mercedes-Benz vai descontinuar os motores em V da linha Actros. Os V6 que equipam os caminhões nas versões 2546 6×2 e 2646 6×4 em breve passam a ser oferecidos com arquitetura em linha de 6 cilindros. Solução encontrada pela marca da estrela de três pontas para aumentar o índice de nacionalização dos caminhões e torná-los mais competitivos no Finame.

Mas a boa notícia, sobretudo aos amantes desses bólidos com arquitetura de 8 cilindros em V é que a versão produzida pela marca para equipar o Actros 2655 permanecerá no portfólio para atender ao transporte de longas distâncias rodoviárias que precisam de velocidades médias. Apesar de ser um nicho, são operações rentáveis e cujos clientes, se realmente gostam do produto, se tornam fiéis à marca. 

Tanto é que a Mercedes-Benz, por meio do banco Mercedes, promete condições especiais para a venda desse produto, uma vez que seu motor é importado da Alemanha. Segundo a fabricante, por ser um segmento muito pequeno não compensa nacionalizar a produção do motor. Mas se depender das marcas donas desses fortes propulsores, essa categoria tem tudo para crescer no mercado. Condições especiais de venda, constantes melhorias e foco nas operações das quais esses caminhões são ferramentas rentáveis estão entre as estratégias.

Ano passado a Scania, tradicional na fabricação, de motores V8 promoveu melhorias na sua linha de motores com essa arquitetura – R 560 e V 620 – com intuito de aproximar o cliente desses veículos e quebrar tabus com relação ao bloco e aos caminhões com altas potências.

Coração valente

Nessa direção, a Mercedes quer colocar o Actros 2655 6×4, um cavalo traçado que é equipado com um potente motor produzido pela marca, o OM-502 LA de 6 cilindros em V que gera 551 cv de potência a 1 800 rpm e um fortíssimo torque de 265,3 mkhg a 1 080 rpm – propulsor capaz de proporcionar altas velocidades e força para vencer qualquer aclive.

O sistema de injeção desse motor é bomba-bico, que consiste em uma unidade injetora por cilindro, interligada ao bico injetor através de uma pequena tubulação de alta pressão. Possui como principais características construtivas: 8 cilindros, 4 tempos diesel, cabeçotes individuais e 4 válvulas por cilindro, sendo 2 de admissão e 2 de escapamento. É um motor turboalimentado e, pelo seu projeto, não necessita de geometria variável.
Para atender a norma P7 (Euro 5), que visa a redução de emissão de poluentes saídos dos escapes dos veículos, a Mercedes, por meio da sua tecnologia BlueTec 5, optou pelo sistema SCR (Redução Catalítica Seletiva), em que há a necessidade do Arla 32.

A transmissão eleita pela fabricante da estrela é a altura do motor. Trata-se do câmbio automatizado PowerShift 2, de 12 velocidades e que dispensa o pedal de embreagem e anéis sincronizadores. Uma inteligência embarcada da PowerShift 2 é o sensor de inclinação da via, que de forma inteligente elege a melhor marcha de acordo com a inclinação da rodovia. Essa caixa também é equipada com modos de direção acionados por meio de uma tecla. No modo Power, o motorista pode trocar de marchas com maior potência – ideal nas ultrapassagens, por exemplo. No entanto, se o motorista esquecer essa função acionada, depois de 10 minutos é desligada automaticamente, evitando consumo desnecessários de diesel.

O modo manobra completa o eficaz sistema inteligente da caixa. E como o nome sugere, serve para auxiliar o motorista nos pátios de manobras, sem gastar combustível, por isso, nesse momento, a rotação é limitada a 1 000 rpm. A tecla balanceio também está acoplada à caixa e deve ser acionada quando o caminhão está em situação de atoleiro e perde tração. O sistema faz a modulação da embreagem, evitando que o caminhão patine. Esse câmbio traz a função do piloto automático e a mudança direta da 1ª marcha para a ré.

O freio-motor do caminhão é o Top Brake, cuja potência de frenagem é de 380 cv. No entanto, quando o retardador entra em ação, o poder de frenagem passa dos 1 000 cv. A Mercedes-Benz oferece três opções de relação de diferencial: de 4,30, 3,90 e 3,58. E a distância de entre-eixos é de 3 300 mm (+1 350 mm).

Mais otimizado

O Actros 2655 6×4 é um caminhão rebuscado, dotado de soluções para quem opera nas longas viagens rodoviárias. No entanto, a máxima nesse negócio é oferecer um caminhão que seja eficaz na medida certa, sem excessos, para não comprometer os custos de operação. E pensando nisso, a Mercedes adotou o eixo sem redutor nos cubos e os freios a tambor como itens de série, assim como fez em toda a sua linha de caminhões pesados rodoviários. Mesmo com opiniões divergentes com relação a essa estratégia, a Mercedes ouviu o mercado que exigia soluções mais simples, sobretudo em operações em que eixo sem redutor e freios a disco são dispensáveis.

O eixo traseiro equipado no Actros V8 é o MB HD6 + HL6, com as relações i = 3,58 (43:12) i = 3,90 (43:11). Mas a marca da estrela dispõe dos eixos com redutores e dos freios a disco em sua linha de produtos.
No que se refere ao alto nível a bordo, o Actros é dotado de sistema de suspensão a ar com 4 bolsões por eixo, rendendo em estabilidade e resistência ao balanço, além de conforto extra para o condutor.

Opcionalmente a cabine pode ser a MegaSpace Segurança (mas há versões leito teto alto ou baixo). Essa cabine ainda traz um pacote de equipamentos de segurança ativa, como o sensor de proximidade, faixa de rolagem, sistema de partida em rampa, sensor de chuva e os freios ABS com ASR (sistema antiderrapagem). Completa o bom nível de acabamento interno o cinto de segurança de três pontos anexado ao banco e o acionamento automático dos faróis. De série, o Actros 2655 6×4 V8 possui travas, vidros e retrovisores comandados eletronicamente, alarme de ré, imobilizador eletrônico e retrovisores de manobra.

A ergonomia está presente na estação de trabalho, graças à caixa acoplada do lado direito do motorista e o painel de instrumentos com todos os itens posicionados à frente ou bem próximos ao motorista, evitando que ele tenha de se movimentar muito ou até ter de sair da posição de dirigir. O computador de bordo traz o Econômetro, que auxilia o condutor a sempre manter a faixa econômica de condução do veículo.

A área de descanso tem uma cama confortável, o que já era de se esperar em caminhões da magnitude do Actros. Mas os vários porta-objetos e os bagageiros fazem a diferença nesse caminhão. Por isso ele é uma ferramenta eficaz nas longas viagens. Aplicações em que o Actros com motor V8 vai bem, no Brasil, são multicomposições, como bitrem, bitrenzão e rodotrem.

Um dos maiores consumidores desse tipo de equipamento é quem atua no transporte de produtos químicos, que necessita de um veículo que preza pela segurança e que faça velocidades médias, e para empresas no ramo de cargas indivisíveis, que precisam de veículos que combinem potência e torque. Pelo preço convidativo de R$ 489 038 vale a pena passar em uma concessionária da marca e conhecer o produto.

Concorrentes

O Rei da Estrada

A Scania foi a primeira fabricante de caminhões no Brasil a investir em motores com arquitetura em V. E na Europa, até hoje, ela é a única que o mantém. Isso porque ela acredita que o mercado, mesmo que de nicho, necessita de veículos que atendam demandas de transporte que requeiram velocidade e, sobretudo, torque. E os motores V8 da marca são reconhecidos por isso. Hoje a Scania oferece o R 560 e o R 620 – sendo este o mais potente em produção no país – com arquitetura em V.

O modelo que mais se aproxima do representante da Mercedes é o Scania R 560. Trata-se de um caminhão que dispõe do motor DC 16, de 16 litros, com potência de 560 cv e torque de 275,5 mkgf de 1 000 a 1 400 rpm. Esse motor é combinado à caixa automatizada Opticruise de 14 velocidades.

A Scania é superdefensora do bloco em V8 por possibilitar três diferenciais: a árvore de manivelas curta que gera menor torção e por isso aumenta a vida útil do motor, o bloco em V que melhora a passagem de ar e proporciona um arrefecimento mais perfeito, e os 8 cilindros, importantes reforços para reduzir a potência gerada na cabeça do pistão na busca de uma melhor mistura ar/combustível.

Esse modelo pode ser equipado com a cabine R tradicional, cabine Highline ou Streamline – esta, no entanto, com a vantagem de oferecer mais economia de combustível, graças ao seu design, que promoveu a aerodinâmica e reduziu a resistência do vento. Nessa combinação, o caminhão traz defletor, que expele o ar num movimento que lembra uma onda e elimina a possibilidade de acúmulo de sujeira nas portas e maçanetas. Equipado com suspensão a ar, ganhou novos ajustes pneumáticos, válvulas e sensores que permitem um aumento em torno de 25% no intervalo de manutenção.

Como complemento e para ser exclusivo, a Scania ainda disponibiliza o Kit V8, que traz os seguintes opcionais: assentos em couro (com ventilação e ajuste de pescoço), tapetes, volante e portas revestidas em couro, faróis de xenônio (garantem melhor iluminação e distribuição da luz), bafômetro integrado ao painel, rádio com GPS, além do novo computador de bordo com visor que passa a ser colorido de fácil leitura.