O preço do diesel voltou a pressionar os custos do transporte rodoviário de cargas e aumentou a preocupação do Sindicato das Empresas de Transportes de Carga de São Paulo e Região (Setcesp) com o abastecimento no mercado brasileiro. Em nota divulgada nesta quarta-feira (30), a entidade relaciona o cenário às oscilações do petróleo no mercado internacional, às condições de importação e às incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio.
Segundo dados da Energy Information Administration (EIA) citados pelo Setcesp , o Brent à vista passou de US$ 77,24 por barril em 2 de março para US$ 138,21 em 7 de abril. Depois da forte alta, o preço recuou para US$ 68,53 em 2 de julho, mas voltou a subir e chegou a US$ 114,89 em 22 de setembro. O valor representa alta de 48,7% em relação ao registrado no início de março.
No mercado brasileiro, a pressão também aparece nos preços do diesel S10. Levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostra que o litro passou de R$ 6,15, na semana de 1º a 7 de março, para R$ 7,33 entre 20 e 26 de setembro. A alta chega a 19,2%. Considerando os R$ 6,09 registrados no fim de fevereiro, o aumento alcança 20,4%.
Apesar disso, o preço atual ainda está abaixo do pico de R$ 7,58 registrado no início de abril. O SETCESP chama atenção, porém, para a retomada da alta depois da queda observada nos meses seguintes.
Impacto no frete
A elevação do diesel já entrou na atualização dos custos considerados pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para o piso mínimo de frete. A Portaria SUROC nº 22, de 28 de setembro de 2026, adotou o diesel S10 a R$ 7,33 por litro como referência para os novos coeficientes.
Para o Setcesp , a atualização mostra como a variação do combustível interfere diretamente nos custos das empresas de transporte. A entidade orienta transportadores e contratantes a observar os novos valores nas operações abrangidas pela regulamentação.
Outro ponto citado é a subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel anunciada pelo governo. O sindicato manifesta preocupação com a possibilidade de novas pressões sobre os preços caso haja redução desse apoio ou uma piora das condições do mercado internacional.
O Setcesp , no entanto, ressalta que os dados apresentados não comprovam eventual represamento de preços por razões eleitorais. A entidade pede transparência sobre os critérios utilizados na política de preços, a duração das medidas e as condições para uma eventual retirada da subvenção.
Biodiesel entra na discussão
Além do comportamento do petróleo, o sindicato acompanha as propostas para elevar a participação do biodiesel na composição do diesel comercializado no país.
Atualmente, a mistura obrigatória é de 15% de biodiesel no diesel. A Lei do Combustível do Futuro permite ao Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) estabelecer percentuais de até 25%, desde que sejam atendidas condições relacionadas à viabilidade técnica.
O Sindicato defende que qualquer aumento da mistura seja precedido por testes e avaliações sobre o desempenho dos veículos. Entre os pontos citados estão o custo por quilômetro, a compatibilidade com os motores e a qualidade do combustível.
A entidade também pondera que uma mistura maior de biodiesel não significa necessariamente aumento do preço na bomba. O efeito dependerá dos custos relativos do diesel fóssil e do biodiesel, além de outros componentes que entram na formação do preço final.
Para o Setcesp, a dependência de importações preocupa
O abastecimento aparece como outro ponto de atenção. De acordo com a entidade, cerca de 30% do diesel consumido no Brasil depende de importações. Com isso, problemas no comércio internacional, interrupções de rotas marítimas ou danos à infraestrutura de refino podem afetar a oferta no mercado interno.
O governo informou que há oferta confirmada para outubro. Para o Sindicato, entretanto, o planejamento precisa avançar para os meses seguintes, com diversificação de fornecedores e acompanhamento dos estoques.
O Setcesp recomenda as transportadoras acompanhem a evolução dos custos e verifiquem a regularidade das entregas. A avaliação é de que uma alta persistente do diesel tende a pressionar os valores dos fretes e, posteriormente, os preços de produtos transportados, como alimentos e medicamentos.
Para o setor de transporte, portanto, a preocupação vai além da cotação do combustível na bomba. A combinação entre preço, disponibilidade e previsibilidade do abastecimento influencia diretamente a formação dos custos das operações e o valor do frete.
















