A alta do diesel voltou a pressionar o transporte rodoviário de cargas e, ao mesmo tempo, escancarou ineficiências que já existiam na operação das empresas. Embora o aumento recente afete todo o setor, o impacto final varia de acordo com a forma como cada transportadora gerencia o abastecimento.
Nesse contexto, o diretor executivo da VEIC, Rodrigo Somogyi, afirma que o custo do diesel vai além do preço exibido na bomba. Isso porque há componentes invisíveis na conta final que podem elevar significativamente o gasto das frotas.
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Ágio eleva custo do diesel nas frotas
De acordo com o executivo, um dos principais fatores que encarecem o diesel para empresas está no uso de cartões tradicionais de gestão de frota. Esses modelos, amplamente utilizados no mercado, incluem taxas adicionais. Ou seja, o chamado ágio e que impactam diretamente o valor pago por litro.
Na prática, esse acréscimo gira, em média, em torno de 10% no diesel. Ou seja, mesmo antes de qualquer reajuste, a empresa já paga mais caro pelo combustível. Assim, quando ocorre uma alta de preços, o efeito se intensifica.

“Se o diesel sobe 13%, ele sobe para todos. A diferença está no preço absoluto que cada empresa paga. Quem utiliza um modelo com ágio parte de um valor mais alto”, explica Somogyi.
Gestão reduz perdas e melhora eficiência
Por outro lado, o executivo destaca que o custo do diesel não depende apenas do preço, mas também do nível de controle operacional das empresas. Isso porque falhas na gestão podem gerar desperdícios relevantes ao longo da operação.
Entre os principais pontos de perda estão abastecimentos acima da capacidade do tanque, desvios e possíveis fraudes. Do mesmo modo, diferenças de desempenho entre motoristas e falta de controle sobre consumo por rota.
Com ferramentas de gestão adequadas, as empresas conseguem identificar e corrigir esses problemas antes que eles impactem o caixa. Dessa forma, além de pagar menos pelo combustível, também evitam perdas operacionais.
Economia pode chegar a 30% no diesel
Na prática, a combinação entre eliminação do ágio e melhoria na gestão pode gerar reduções expressivas no custo do diesel. Segundo Somogyi, empresas com baixa maturidade de gestão apresentam maior potencial de ganho.
Nesses casos, a economia pode chegar a cerca de 30%, considerando aproximadamente 10% com o fim do ágio e até 20% com ganhos de eficiência operacional. Por outro lado, empresas mais estruturadas também encontram oportunidades. Mesmo com processos consolidados, elas ainda podem reduzir cerca de 10% ao eliminar o ágio, além de ganhos adicionais mais modestos, próximos de 5%, com ajustes finos na operação.
Capilaridade reduz custo indireto do diesel
Além do preço e da gestão, outro fator influencia diretamente o custo do diesel que é a disponibilidade de postos para abastecimento. Quando o motorista precisa sair da rota para encontrar um local que aceite determinado meio de pagamento, a empresa incorre no chamado “quilômetro morto”.
Esse deslocamento extra aumenta o consumo de diesel e reduz a produtividade da operação. Portanto, quanto maior a rede de aceitação, menor tende a ser esse tipo de desperdício.
“Às vezes o caminhão precisa rodar vários quilômetros fora da rota só para abastecer. Isso também encarece o diesel, mesmo que não apareça diretamente na conta”, afirma o executivo.
Alta do diesel acelera busca por eficiência
Diante do cenário de aumento de preços, as empresas intensificam a busca por alternativas para reduzir custos. Segundo Somogyi, esse movimento se tornou mais evidente nas últimas semanas.
Transportadoras que ainda não utilizavam sistemas de gestão passaram a considerar a adoção dessas ferramentas. Ao mesmo tempo, empresas que já operavam com controle mais avançado começaram a revisar seus modelos para eliminar custos adicionais, como o ágio.
Assim, a alta do diesel não apenas pressiona as margens, mas também acelera a transformação na forma como as empresas compram, controlam e gerenciam o combustível. Este último, um dos principais insumos do transporte rodoviário.

















