Anfavea prevê queda de 6,5% nos emplacamentos de pesados

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A Anfavea revisou para baixo a projeção para o mercado de veículos pesados em 2026. A entidade agora estima queda de 6,5% nos emplacamentos de caminhões e ônibus, ante retração de 6% prevista anteriormente. A nova estimativa foi apresentada nesta quarta-feira, 7, durante a divulgação dos resultados de setembro da indústria automobilística.

Apesar da revisão negativa, o mercado de caminhões mostra sinais de perda de intensidade na queda. No acumulado até setembro, os emplacamentos recuaram 3,8% na comparação com o mesmo período de 2025. Em agosto, a retração acumulada era de 4,9%. Também houve crescimento na comparação mensal. Os emplacamentos de caminhões passaram de cerca de 10 mil unidades em agosto para 10,2 mil em setembro, alta de 2,2%.

Segundo os números apresentados pela entidade, setembro marcou o quarto mês consecutivo de redução na intensidade da queda do mercado de pesados. A entidade, porém, avalia que esse movimento pode perder força nos próximos meses, devido à base de comparação com o ano anterior.

O mercado de ônibus também reagiu em setembro. Os emplacamentos somaram 2.369 unidades, alta de 17,1% em relação às 2.023 unidades registradas em agosto. Na comparação com setembro de 2025, quando foram licenciados 1.954 ônibus, o crescimento foi de 21,2%. Apesar da recuperação no mês, o segmento ainda acumula queda de 4,4% no ano, com 16.913 unidades emplacadas de janeiro a setembro.

Mesmo diante da melhora pontual nos emplacamentos, a produção de caminhões continua abaixo do nível registrado no ano passado. Em setembro, a fabricação cresceu 15% na comparação com o mesmo mês de 2025. Na comparação com agosto, porém, houve queda de 1,3%.

No acumulado de janeiro a setembro, a produção de caminhões caiu 6,4%. Foram cerca de 92,3 mil unidades fabricadas, ante 98,6 mil no mesmo período de 2025.

No segmento de ônibus, o cenário também é negativo. A produção caiu 48,9% em setembro na comparação anual e 23,3% em relação a agosto. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, a retração é de 11,2%.

Anfavea diz que Importados ajudam a explicar comportamento do mercado 

Segundo o presidente da Anfavea, Igor Calvet, as importações também ajudam a explicar o comportamento do mercado. Embora a entrada de veículos importados tenha crescido de forma expressiva quando considerados todos os segmentos, as importações de caminhões ficaram praticamente estáveis.

De janeiro a setembro, foram licenciados 4.382 caminhões importados, contra 4.469 unidades no mesmo período de 2025, uma redução de 1,9%. Os semileves respondem pela maior parte desse volume, com 3.488 unidades. Na sequência aparecem os caminhões leves, com 415 unidades; médios, com 175; semipesados, com 172; e pesados, com 132.

Calvet diz que o movimento merece atenção porque a Anfavea também identifica a entrada de novos fabricantes no mercado brasileiro. Para a entidade, o comportamento das importações de caminhões e ônibus será um dos pontos a  serem acompanhados nos próximos meses.

Juros e crédito

Apesar da melhora observada nos últimos meses, a Anfavea mantém preocupação com o desempenho dos veículos pesados. Entre os fatores que pesam sobre o mercado estão os juros elevados, a inadimplência e a maior restrição ao crédito.

A entidade projeta uma trajetória de redução dos juros, movimento que pode ajudar a destravar o mercado de veículos pesados em 2027.

Outro ponto de atenção é o crédito para empresas. Segundo a apresentação, houve recuo de 15% na concessão de crédito para pessoas jurídicas no segundo semestre.