O Grupo Sada encontrou na combinação entre GNV e infraestrutura própria uma forma de reduzir o tempo de operação no transporte de veículos. No ABC Paulista, caminhões movidos a gás atendem uma operação dedicada à General Motors e fazem o transporte dos carros recém-produzidos entre a fábrica e o pátio da empresa.
A chamada operação de “apanha” começa na fábrica da GM, em São Caetano do Sul. Os caminhões retiram os veículos e seguem até o pátio da Sada, de onde os automóveis continuam viagem para diferentes regiões do País em outras cegonhas.
Atualmente, cerca de dez caminhões a GNV fazem esse trabalho, dentro de uma estrutura que pode chegar a 12 veículos. Como a autonomia média dos modelos fica em torno de 350 quilômetros, o combustível atende às características desse tipo de operação, com trajetos relativamente curtos e recorrentes.
Posto reduz tempo de operação
Além disso, a Sada instalou em São Bernardo do Campo um posto próprio de GNV com sistema de alta vazão. A estrutura mudou a rotina de abastecimento dos caminhões.
Antes, os veículos precisavam deixar a operação e seguir até um posto convencional. Como o abastecimento demorava mais e a estrutura não atendia o conjunto completo, em determinadas situações apenas o cavalo mecânico fazia o deslocamento. Depois, o motorista precisava retornar para engatar a carreta e continuar o trabalho.
Agora, o caminhão pode chegar carregado ao posto, abastecer em poucos minutos e seguir viagem. Segundo a empresa, a mudança representa ganho de até uma hora no tempo da operação.
Por outro lado, a Sada já avalia uma estrutura semelhante para Betim, em Minas Gerais, onde também mantém caminhões que passaram pelo processo de conversão para GNV.

Caminhões passam por retrofit
O projeto também envolve a modernização dos veículos. A Sada utiliza o retrofit para transformar caminhões mais antigos em unidades movidas a GNV e, ao mesmo tempo, atualizar componentes do veículo.
Além da mudança no sistema de combustível, a empresa realiza intervenções de manutenção e recuperação. Dessa forma, os caminhões retornam à operação com melhores condições de uso.
Para os motoristas, a mudança também aparece no dia a dia. O caminhão apresenta menor nível de ruído e oferece uma condução mais confortável em comparação com os modelos que passaram anteriormente pela operação a diesel.
Segurança começa no carregamento
Depois que os veículos chegam ao pátio, começa outra etapa importante da operação. Profissionais treinados posicionam os automóveis nas cegonhas e fazem a amarração com cintas específicas.
Cada carreta pode transportar até 11 veículos, e o carregamento leva aproximadamente uma hora e meia. O motorista participa diretamente da organização da carga e define a posição de cada automóvel de acordo com a sequência de entregas.
Assim, ele precisa considerar a rota e a ordem em que os veículos serão descarregados. A lógica funciona como uma montagem, na qual cada carro ocupa uma posição determinada para facilitar a operação nas etapas seguintes.
Além disso, antes da saída, o motorista confere os veículos individualmente. Ele verifica possíveis riscos, amassados, condições das rodas e pneus, presença do estepe e outros itens que possam indicar alguma alteração no automóvel.
A conferência cria um registro das condições dos carros antes do início da viagem e ajuda a preservar a integridade da carga durante o transporte.
Dois mil veículos por dia
A estrutura do ABC Paulista movimenta uma quantidade significativa de veículos. A Sada trabalha com cerca de mil unidades que chegam diariamente aos pátios e outras mil que seguem para distribuição, totalizando aproximadamente duas mil movimentações por dia.
Em períodos de maior demanda, a operação chega perto do limite de capacidade.
Por isso, a redução do tempo de abastecimento ganha importância. Em uma atividade que depende de fluxo contínuo, eliminar etapas e diminuir o tempo de parada ajuda a empresa a manter os caminhões em operação.
Dessa forma, o projeto de GNV da Sada combina a conversão dos caminhões, a modernização da frota e a criação de infraestrutura própria. Mais do que substituir o diesel, a empresa busca adaptar o combustível à rotina logística e transformar o abastecimento em parte da estratégia de produtividade.
















