Telemetria ajuda reduzir custos e aumentar segurança

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O transporte rodoviário de cargas no Brasil sempre foi marcado pela experiência dos motoristas e pela percepção dos gestores. No entanto, com margens cada vez mais pressionadas e custos operacionais elevados, o setor começa a adotar uma gestão mais orientada por dados. Tecnologias como telemetria avançada, monitoramento de frota e sistemas inteligentes de segurança já fazem parte da realidade de muitas transportadoras.

Para Antônio Azevedo, fundador da LogiGo, essa transformação representa uma mudança cultural dentro das empresas de transporte. Segundo ele, a experiência do motorista continua sendo fundamental, mas a intuição sozinha não sustenta decisões em operações cada vez mais complexas. “A telemetria não substitui o fator humano, ela traduz essa experiência em números. Quando a empresa deixa o ‘eu acho’ de lado e passa a medir exatamente onde estão os gastos ou as perdas, as decisões passam a ser tomadas com base em fatos”, afirma.

Telemetria: monitoramento vai além do rastreamento

Durante muito tempo, o monitoramento de caminhões se resumiu ao rastreamento do veículo, com foco apenas em saber onde ele estava. Hoje, a lógica mudou. A integração dos sistemas com a eletrônica embarcada dos caminhões e o uso de câmeras inteligentes dentro da cabine permitem acompanhar em tempo real tanto o desempenho do veículo quanto o comportamento do motorista.

telemetriaSegundo Azevedo, essa evolução permite que as transportadoras deixem de olhar apenas para a localização do caminhão e passem a entender como ele está sendo conduzido e como está o desempenho da operação. Com essas informações, é possível antecipar problemas mecânicos, reduzir atrasos nas entregas e melhorar o controle da frota.

Ineficiências operacionais impactam a rentabilidade

Quando se fala em custos no transporte rodoviário, diesel e manutenção costumam aparecer como os principais vilões da operação. No entanto, parte significativa das perdas financeiras está escondida em pequenas ineficiências do dia a dia.

De acordo com Azevedo, entre 15% e 20% da rentabilidade de uma operação pode se perder em comportamentos que passam despercebidos sem o apoio da tecnologia, como tempo excessivo de motor ligado com o caminhão parado, condução fora da faixa ideal de rotação do motor e frenagens bruscas que aceleram o desgaste de pneus e componentes.

Com sistemas de telemetria e análise de dados, essas situações passam a ser identificadas com precisão, permitindo que a empresa corrija rapidamente o problema e reduza custos operacionais.

Tecnologia contribui para reduzir acidentes

Além da eficiência, a tecnologia também tem papel importante na segurança das operações. Sistemas de monitoramento do motorista, conhecidos como DMS (Driver Monitoring System), conseguem identificar sinais de fadiga, distração ou uso do celular ao volante.

Quando o sistema detecta algum comportamento de risco, um alerta sonoro é emitido imediatamente na cabine, permitindo que o motorista retome a atenção antes que a situação evolua para um acidente.

Para Azevedo, segurança e eficiência caminham juntas. Evitar um acidente significa preservar vidas, proteger um caminhão que pode custar mais de R$ 1 milhão e garantir que a carga seja entregue no prazo. Segundo ele, frotas que adotam esse tipo de tecnologia conseguem reduzir entre 50% e 60% os sinistros graves já no primeiro ano de uso.

Monitoramento também protege o motorista

Apesar dos benefícios, o monitoramento ainda gera resistência entre alguns motoristas, que enxergam a tecnologia como uma forma de fiscalização. Na avaliação de Azevedo, cabe às empresas mudar essa percepção e mostrar que os sistemas também funcionam como proteção para o próprio profissional.

Ele explica que as câmeras instaladas na cabine podem servir como prova em situações de acidente, ajudando a demonstrar quando o motorista não teve culpa na ocorrência.

Além disso, muitas transportadoras já utilizam os dados de condução para criar programas de reconhecimento profissional, com rankings de direção segura e econômica que permitem premiar os motoristas com melhor desempenho.

Tecnologia chega também ao pequeno transportador

O avanço das plataformas digitais também tem ampliado o acesso à tecnologia entre pequenas e médias transportadoras e até caminhoneiros autônomos.

Segundo Azevedo, soluções completas de monitoramento podem custar a partir de cerca de R$ 280 por veículo por mês, valor que tende a se pagar rapidamente com a economia de combustível — que pode variar entre 5% e 12% — além da redução de custos com manutenção e acidentes.

Dados em tempo real aumentam a competitividade

Em um setor marcado por variáveis como trânsito, clima, falhas mecânicas e risco de roubo de carga, a capacidade de reagir rapidamente faz diferença no resultado da operação.

Com acesso a dados em tempo real, o gestor consegue agir antes que o problema se transforme em prejuízo. Um exemplo é o alerta de aquecimento anormal do motor, que permite direcionar o caminhão para manutenção preventiva antes de uma quebra mais grave.

Para o fundador da LogiGo, o futuro da gestão de frotas está na integração total das informações do veículo. Plataformas de gestão devem cruzar automaticamente dados de segurança, consumo, manutenção e desempenho, oferecendo diagnósticos cada vez mais precisos para os gestores.

Na avaliação de Azevedo, diante do diesel caro, pedágios elevados e margens cada vez mais apertadas no transporte rodoviário, a tecnologia deixou de ser apenas um diferencial competitivo e passou a ser uma ferramenta essencial para a sobrevivência das empresas do setor. “Hoje o caminhão não é mais apenas uma máquina mecânica. Ele também se tornou um ativo digital, e quem souber usar bem os dados terá mais eficiência e competitividade no mercado”, conclui.