Corredores verdes levam a TransJordano a novos negócios no transporte de cargas

TransJordano acelera plano que combina caminhões a biometano, infraestrutura compartilhada, expansão da GarageLog e novos embarcadores

19

O primeiro financiamento do Fundo Clima do BNDES para uma transportadora brasileira começou a produzir resultados concretos para a TransJordano. Mais do que viabilizar a compra de 100 caminhões Scania movidos a biometano, o investimento permitiu à empresa estruturar um projeto que une descarbonização, infraestrutura logística e novos negócios.

Assim, na prática, a companhia transformou a agenda ESG em estratégia de crescimento. A proposta combina a renovação da frota com a criação de corredores verdes para abastecimento, compartilhamento de infraestrutura com outras transportadoras e ampliação da oferta de serviços logísticos. Como resultado, a empresa passou a participar de negociações com embarcadores que priorizam parceiros capazes de reduzir as emissões de carbono em suas cadeias de suprimentos.

VEJA TAMBÉM:
CDC Verde da Scania atrai clientes para a tecnologia a gás e elétrica
Brasil perde, em dois anos, um mercado de caminhões equivalente ao da Argentina
Lula aposta no biodiesel para reduzir dependência do diesel fóssil no País

Segundo Joyce Bessa, diretora de ESG e relações institucionais da TransJordano, a empresa decidiu construir uma solução completa para acelerar a transição energética no transporte rodoviário.

“O caminhão faz parte da solução, mas sozinho não resolve o problema. Por isso, precisávamos criar uma estrutura capaz de sustentar essa transformação e permitir que ela crescesse junto com o mercado.”

Corredores verdes ampliam o uso do biometano

O principal diferencial do projeto está na criação de corredores verdes de abastecimento. Em vez de construir postos exclusivos para atender apenas sua frota, a TransJordano decidiu compartilhar a infraestrutura com outras empresas do setor.

O modelo está sendo desenvolvido por meio da GarageLog, empresa do grupo especializada em infraestrutura logística. Depois da unidade de Cubatão, a companhia prepara novas operações em Sumaré e Ribeirão Preto. Em seguida, pretende expandir o conceito para Minas Gerais e Mato Grosso, regiões estratégicas para o agronegócio e a indústria.

Cada unidade oferecerá abastecimento com biometano e diesel. Alé disso, as estruturas contam com estacionamento, lavanderia, salas de descanso, áreas de convivência e outros serviços voltados aos motoristas.

Hoje, a GarageLog de Cubatão recebe aproximadamente 400 veículos por dia. A unidade de Sumaré terá capacidade para cerca de 450 caminhões diariamente. Enquanto Ribeirão Preto poderá atender aproximadamente 350 veículos por dia.

Inicialmente, a estrutura atenderá os 100 caminhões da própria TransJordano e entre 20 e 30 veículos movidos a biometano pertencentes a outras transportadoras. Contudo, a capacidade permitirá ampliar esse volume conforme o mercado evoluir.

Segundo Joyce, o compartilhamento da infraestrutura representa um passo importante para acelerar a adoção do combustível renovável. “Se cada empresa criar uma estrutura fechada, a expansão do biometano acontecerá de forma muito mais lenta. Nós acreditamos em um modelo compartilhado.”

ESG abre portas para novos contratos

Seja como for, a estratégia já começa a gerar reflexos na área comercial. De acordo com a executiva, a TransJordano passou a participar de concorrências das quais antes não fazia parte. O motivo está na crescente demanda das indústrias por operadores logísticos capazes de contribuir para a redução das emissões de Escopo 3. Ou seja, aquelas relacionadas aos fornecedores e transportadores.

Joyce Bessa afirma que a estratégia da empresa integra frota, infraestrutura e novos negócios para acelerar a adoção do biometano

Cada vez mais embarcadores querem medir quanto dióxido de carbono conseguem evitar por meio da logística. “Hoje os clientes querem entender quanto CO₂ conseguirão deixar de emitir e como a logística pode ajudá-los a cumprir suas metas ambientais”, afirma Joyce.

Segundo ela, o posicionamento da empresa mudou após o anúncio do projeto. “A TransJordano passou a sentar em mesas onde antes não participava. ESG deixou de ser apenas uma pauta institucional e passou a gerar oportunidades concretas de negócios.”

Biometano lidera a estratégia de descarbonização

Embora acompanhe tecnologias como hidrogênio, eletrificação e gás natural liquefeito, a empresa definiu o biometano como prioridade para as operações rodoviárias de longa distância.

Produzido a partir de resíduos da agroindústria, aterros sanitários e atividades pecuárias, o combustível pode reduzir em até 95% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel, além de estimular a economia circular e aproveitar uma matéria-prima abundante no Brasil.

Os primeiros caminhões Scania começam a chegar em agosto. A empresa equipou os veículos com cilindros adicionais para ampliar a autonomia para cerca de 600 quilômetros.

Investimento também fortalece a agenda social

A expansão da frota exigirá a contratação de aproximadamente 130 motoristas. Paralelamente, a TransJordano pretende ampliar a presença feminina nas operações com composições de nove eixos.

Segundo Joyce, o desafio está na formação de profissionais qualificadas para esse tipo de operação.

“Muitas mulheres querem ingressar na profissão, porém poucas chegam com a experiência exigida pelos embarcadores. Por isso, investimos continuamente em treinamento.”

Atualmente, a maioria das motoristas inicia a carreira em implementos menos complexos antes de assumir combinações de nove eixos. Para acelerar esse processo, a empresa mantém programas próprios de capacitação em parceria com a Fabet e o SEST Senat.