Corredor Verde: TransJordano prevê quarto ponto de abastecimento

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A TransJordano já olha para além dos três pontos que formam a primeira etapa do Corredor Verde. A empresa prevê a implantação de um quarto ponto de abastecimento de biometano, ampliando a infraestrutura criada para atender à própria operação e, também, a outras transportadoras interessadas em utilizar o combustível renovável.

O anúncio ocorre no momento em que a empresa coloca em operação o chamado Marco Zero do Corredor Verde, inaugurado em Sumaré (SP), nesta quarta-feira (7). O projeto foi estruturado para criar um eixo de abastecimento de aproximadamente 450 quilômetros, conectando Ribeirão Preto, Sumaré e Cubatão e aproximando o interior paulista da região do Porto de Santos.

 

A primeira unidade começa a operar em Sumaré, seguida pelo ponto de Ribeirão Preto, previsto para novembro, e por Cubatão, em dezembro. A implantação acompanha a chegada de 100 caminhões Scania G 460 6×4 movidos a biometano, prevista até o fim de 2026.

A expansão para um quarto ponto reforça a estratégia da TransJordano de transformar a infraestrutura em uma plataforma aberta ao mercado, contribuindo para superar um dos principais obstáculos à expansão dos veículos a gás no transporte rodoviário: a disponibilidade de abastecimento ao longo das rotas.

Corredor verde nasceu dentro da operação

A origem do Corredor Verde remonta a junho de 2025. Segundo Jordano Bessa, diretor de Novos Negócios da TransJordano, a iniciativa nasceu de uma inquietação ao observar o crescimento dos caminhões movidos a gás no mercado.

A partir dessa percepção, a empresa criou um grupo de trabalho para estudar alternativas como GNV, GNL e biometano e entender qual solução faria sentido para sua operação.

O estudo levou em consideração a própria presença da TransJordano em pontos estratégicos do Estado de São Paulo. Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto já faziam parte da estrutura operacional da companhia, o que permitiu desenhar uma rota com pontos de abastecimento próprios.

“Às vezes, uma ideia, uma solução, vem de uma ideia, de um sonho. Às vezes vem de uma indignação”, contou Jordano durante a inauguração.

A percepção, porém, foi além da necessidade de abastecer a própria frota. A empresa identificou que a infraestrutura poderia ser compartilhada com outros transportadores, criando uma espécie de rede para estimular a adoção do biometano.

“Quando começamos a estudar o biometano, percebemos que um dos maiores obstáculos era não ter onde abastecer nas rotas. Como já tínhamos a experiência da GarageLog e operações importantes em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, desenhamos os três pontos e estruturamos o Corredor Verde”, explicou o executivo.

Infraestrutura aberta ao mercado

Os pontos de abastecimento serão operados pela GarageLog, empresa do Grupo TransJordano que já atua com garagem compartilhada, abastecimento e estruturas de apoio aos motoristas.

Em Cubatão, por exemplo, a estrutura recebe mais de 300 veículos diariamente e movimenta mais de 360 mil litros de combustível por mês.

A proposta é aproveitar essa estrutura para criar uma rede capaz de atender diferentes operações. Além da TransJordano, outras transportadoras poderão utilizar os pontos, ampliando o acesso ao biometano.

A estratégia também ajuda a expandir o alcance do corredor para regiões como Campinas, Grande São Paulo, Baixada Santista, norte paulista, Sul de Minas e região de Uberlândia.

Para João Bessa, fundador e presidente da TransJordano, a iniciativa responde a uma transformação que já ocorre entre os embarcadores, que passaram a estabelecer metas de redução de emissões e, consequentemente, pressionam toda a cadeia logística a buscar alternativas.

“Os clientes mudaram e hoje têm metas de redução de emissões, e o transporte entra diretamente nessa conta. Decidimos olhar para o futuro e criar uma solução que pudesse funcionar de verdade na operação”, afirmou.

100 caminhões e até 700 quilômetros de autonomia

O projeto prevê a incorporação de 100 caminhões movidos a biometano à frota da TransJordano até dezembro de 2026. Os veículos terão cilindros adicionais para ampliar a autonomia, que poderá chegar a aproximadamente 700 quilômetros.

A configuração foi pensada para permitir que os caminhões realizem operações entre o interior paulista e o litoral com maior previsibilidade de abastecimento.

A expectativa é que a frota completa evite aproximadamente 6.486 toneladas de CO₂ equivalente por ano, segundo verificação independente do Bureau Veritas.

Além da redução direta das emissões da operação, o projeto também pode contribuir para as metas de Escopo 3 de grandes embarcadores, já que as emissões relacionadas ao transporte contratado integram a cadeia de valor dessas empresas.

Mercado de gás ganha espaço

O Corredor Verde também chega em um momento de crescimento do mercado de veículos movidos a gás no Brasil.

Para André Gentil, gerente de Vendas de Soluções para Frotistas da Scania no Brasil, a evolução observada nos últimos anos mostra que a tecnologia ganhou escala. A Scania iniciou sua atuação com caminhões a gás no mercado brasileiro em 2018 e já ultrapassou a marca de 3 mil unidades comercializadas, segundo o executivo, sendo aproximadamente 750 no último ano citado por ele.

Gentil lembra que, quando os primeiros projetos começaram, uma das principais dúvidas era justamente a disponibilidade de postos capazes de abastecer caminhões. A expansão de corredores como o da TransJordano ajuda a atacar esse gargalo.

“A gente falava: consegue? Ainda não tem postos. Ele não consegue abastecer caminhão. Quanto tempo será que isso vai levar? Olha hoje”, afirmou.

Para a Scania, a combinação entre crescimento da frota, expansão da produção de biometano e criação de infraestrutura pode acelerar a adoção da tecnologia.

Abastecimento em até 10 minutos

Outro elo do projeto é o fornecimento do combustível. A Ultragaz, responsável pelo biometano utilizado na iniciativa, desenvolveu junto à TransJordano uma solução específica para o abastecimento dos veículos.

Segundo Erik Trencht, diretor de Gases Renováveis da Ultragaz, a empresa avaliou que uma estrutura convencional de compressão poderia exigir elevada potência instalada e aumentar o tempo necessário para abastecer os caminhões.

A solução adotada permite realizar o abastecimento em aproximadamente 8 a 10 minutos, segundo o executivo.

Para Trencht, a iniciativa demonstra que a transição energética depende da combinação entre combustível, tecnologia e infraestrutura.

“O biometano é o caminho do futuro para as frotas”, afirmou.

Manutenção preparada para a nova tecnologia

A implantação do corredor também envolve uma estrutura de suporte aos caminhões. A WLM Quinta Roda anunciou a instalação de um ponto de manutenção dentro da GarageLog e o atendimento aos veículos ao longo das rotas por meio da rede de concessionárias Scania preparada para essa tecnologia.

A medida busca dar maior segurança operacional aos transportadores que adotarem os veículos a gás, especialmente em uma fase em que a infraestrutura ainda está em expansão.

Do projeto à prática

Para Joyce Bessa, diretora de ESG e Relações Institucionais da TransJordano, o Marco Zero representa a transformação de uma estratégia ambiental em uma estrutura concreta, com possibilidade de acompanhamento dos resultados.

“Chegar à inauguração do Corredor Verde significa transformar uma estratégia de descarbonização em uma estrutura concreta, que pode ser acompanhada e mensurada. Existe um trabalho muito grande por trás disso, envolvendo financiamento, tecnologia, operação, indicadores e muitas pessoas”, destacou.

O projeto recebeu financiamento do BNDES, por meio do Fundo Clima, e reuniu diferentes elos da cadeia, incluindo fabricante de caminhões, fornecedor de combustível, infraestrutura, implementadores, instituições financeiras e transportadores.

Com os três primeiros pontos entrando em operação gradualmente e a perspectiva de um quarto ponto, a TransJordano busca ampliar o alcance do biometano e transformar o Corredor Verde em uma infraestrutura que possa ser utilizada por diferentes empresas.

A proposta resume o desafio da transição energética no transporte: não basta trocar o combustível ou o caminhão. É preciso criar uma estrutura que permita que essa mudança funcione na prática.