A Cummins prepara para a Fenatran 2026, de 9 a 13 de novembro, no São Paulo Expo, uma exposição que abrange diferentes etapas da vida de um veículo comercial, da motorização à manutenção.
A empresa apresentará novidades em motores diesel de quatro cilindros, sistemas de pós-tratamento de gases de escape e eixos para caminhões pesados. Também amplia a oferta de motores remanufaturados e leva à feira os resultados de testes realizados com peças falsificadas encontradas no mercado de reposição.
Entre os principais lançamentos estão a nova geração do motor F4.5, que passa a oferecer até 240 hp, e o F3.0, uma plataforma de três litros com potência de até 200 hp. A empresa também mostra uma nova geração do sistema de pós-tratamento Single Module, agora 30% mais leve, e amplia a aplicação de sua tecnologia de dosagem de ureia.
Na divisão de eixos, o destaque é o MT-17XHE, desenvolvido para caminhões 6×4 e combinações de até 91 toneladas de Peso Bruto Total Combinado (PBTC). O modelo MS-18X HD, para veículos 6×2, completa a exposição com capacidade para até 58,5 toneladas de PBTC.
A programação inclui ainda a ampliação da linha Backbone ReCon, de motores parciais remanufaturados, e a apresentação de recursos para ajudar os clientes a verificar a procedência das peças.
Segundo Adriano Rishi, presidente da Cummins Brasil, o desenvolvimento de produtos precisa considerar as condições em que os veículos trabalham, a infraestrutura disponível e o custo de cada operação. Essa avaliação orienta tanto a evolução dos motores diesel quanto a oferta de soluções para diferentes aplicações e fontes de energia.
F4.5 ganha potência e promete menor consumo
A nova geração do F4.5 eleva a potência máxima de 210 hp para 240 hp, aumento superior a 14%. O motor também alcança torque de até 850 Nm e recebe alterações nos sistemas de admissão, escape, injeção e combustão para melhorar o desempenho e o aproveitamento do combustível.
Um dos principais avanços está no turbocompressor HE200, da Cummins Turbo Technologies. Segundo a fabricante, a nova geração do componente proporciona ganho de eficiência de 7% em relação à anterior. A empresa também aprimorou o sistema de injeção, ampliando sua capacidade e permitindo novas calibrações.

De acordo com André Garcia, gerente executivo de Estratégia e Gestão de Produto da Unidade de Motores da Cummins, os ensaios realizados nos laboratórios da empresa apontaram redução de até 9% no consumo de combustível. O resultado, porém, esclarece, depende da aplicação e das condições de operação.
A engenharia brasileira participou do desenvolvimento das configurações destinadas ao mercado nacional. A experiência acumulada em mais de 15 anos de produção e aplicação da família F no País contribuiu para adequar o motor às condições locais, incluindo o uso de biodiesel em misturas de até B20, conforme as especificações previstas para o produto.
A apresentação na Fenatran marca uma nova etapa da evolução do F4.5 no Brasil. A engenharia local já trabalha nas configurações para o mercado nacional, enquanto a evolução da produção acompanhará a conclusão dos projetos e os cronogramas de integração com as montadoras.
A Cummins também relaciona o aumento da eficiência dos motores diesel à redução das emissões de carbono no transporte. A empresa considera que diferentes tecnologias e fontes de energia terão participação nessa transição, de acordo com as características de cada aplicação e mercado.
Motor Cummins F3.0 amplia a oferta para comerciais leves
A estreia do F3.0 acrescenta uma nova faixa de potência à família de motores de quatro cilindros da Cummins. Com três litros, o propulsor entrega até 200 hp a 2.900 rpm e torque máximo de 620 Nm a 1.700 rpm. A empresa destina esse propulsor para veículos comerciais leves a partir de 3,5 toneladas.
O desenvolvimento partiu de uma nova arquitetura, com bloco, cabeçote e sistemas de arrefecimento e lubrificação redesenhados. A engenharia também trabalhou nos fluxos de admissão e escape e na injeção de combustível para conciliar desempenho, consumo e controle de emissões.

O F3.0, por sua vez, utiliza turbocompressor de estágio único com tecnologia wastegate, que controla a pressão do turbo por meio do fluxo dos gases de escape. O motor também incorpora o sistema EGR, tecnologia direciona parte dos gases novamente para a admissão e contribui para o controle dos óxidos de nitrogênio (NOx).
Outro que será destacado pela empresa é o sistema de pós-tratamento, que reúne catalisador de oxidação diesel (DOC), filtro de partículas (DPF) e redução catalítica seletiva (SCR) em um conjunto compacto. O projeto recebeu melhorias no misturador de Arla 32 e no fluxo dos gases de escape.
Segundo a Cummins, o sistema melhora o tratamento dos gases de escape para reduzir as emissões e aproveitar melhor o combustível. Como funciona de forma mais eficiente na temperatura adequada, também reduz a necessidade do motor consumir combustível extra para aquecer os gases e facilitar o controle dos poluentes.
O F3.0 chega inicialmente importado. A possibilidade de montagem regional dependerá do avanço dos projetos com fabricantes de veículos, da demanda e do volume que o mercado alcançar. Para a Cummins, a nova plataforma amplia as opções de motorização para aplicações leves, em um segmento que inclui operações de distribuição urbana e entregas ligadas ao comércio eletrônico.
Single Module fica 30% mais leve
A empresa apresenta também uma nova geração do Single Module, sistema que reúne os principais componentes responsáveis pelo tratamento dos gases de escape. Destinado aos motores F3.8 e F4.5 e ao atendimento das exigências do Proconve P8, o conjunto ficou cerca de 15 kg mais leve, 5% menor e 2% mais eficiente em relação à versão anterior.
A redução de peso pode aumentar a capacidade disponível para carga, enquanto as dimensões menores facilitam a instalação em diferentes arquiteturas de veículos. Outra vantagem destaca pela Cummins da configuração modular, é permitir a desmontagem e a manutenção individual de componentes como DOC, DPF e SCR, sem exigir a substituição de todo o conjunto.

Um dos responsáveis pelo ganho de eficiência é o novo misturador, conhecido como mixer. Sua função é favorecer a distribuição do Arla 32 nos gases de escape antes de a mistura chegar ao catalisador SCR. O novo desenho interno melhora a uniformidade da mistura e o aproveitamento do fluido utilizado no controle dos NOx.
A evolução incorpora ainda sensores e componentes eletrônicos mais modernos e passa a utilizar a tecnologia própria de dosagem de ureia UL2.2, da Cummins Emission Solutions. A empresa informa que a solução passou por mais de 7 mil horas de testes em dinamômetro e mais de 600 mil quilômetros de validação de engenharia em veículos no Brasil.
Os ensaios avaliaram o desempenho do motor e do pós-tratamento, inclusive diante das características dos combustíveis utilizados no País. A configuração nacional considera misturas de biodiesel de até B20, com adequações nos catalisadores.
Dosagem de ureia com menos componentes
A tecnologia UL2.2 controla a pressurização e a injeção do Arla 32 no sistema de pós-tratamento. Além de dosar o fluido com precisão, a solução simplifica a instalação no veículo.
Na arquitetura utilizada anteriormente em aplicações de quatro cilindros, o injetor exigia uma linha específica de refrigeração conectada ao veículo. A tecnologia da Cummins dispensa essa linha adicional, pois a própria circulação da ureia contribui para o controle térmico do injetor.
A solução também elimina outros componentes periféricos e reduz a necessidade de cabos, chicotes e conexões. Para as montadoras, isso pode simplificar a integração do sistema e diminuir os custos associados à instalação. A UL2.2 já equipa outras famílias de motores Cummins e aplicações comerciais. A empresa trabalha agora para ampliar sua presença em projetos com fabricantes de veículos no mercado brasileiro.
Eixos atendem a operações pesadas
Na divisão de eixos, a Cummins apresenta duas soluções para configurações diferentes de caminhões. O MT-17XHE inaugura a plataforma High Efficiency, voltada à redução das perdas de energia no trem de força. O MS-18X HD, por sua vez, atende às necessidades de maior capacidade de carga em veículos 6×2.
Destinado a configurações 6×4 e combinações de até 91 toneladas de PBTC, o MT-17XHE utiliza um sistema de lubrificação interna otimizado, rolamentos de menor atrito e um novo conceito de offset, característica geométrica do conjunto que influencia a transmissão de força. O objetivo é reduzir as perdas mecânicas e aproveitar melhor a energia gerada pelo motor.

O projeto também considera as exigências de torque, capacidade de carga e resistência das operações pesadas. A engenharia brasileira contribuiu diretamente para o desenvolvimento da carcaça e para a adequação do eixo às condições de uso no País, que incluem longas distâncias, variações de pavimento e topografia e elevados níveis de carga.
O MT-17XHE está em fase final de homologação e tem lançamento previsto para julho de 2027. A campanha de validação inclui ensaios estruturais e de fadiga no Laboratório de Ensaios Mecânicos da Cummins, em Osasco (SP), avaliações da engenharia global na Itália e testes em conjunto com a montadora parceira.
O MS-18X HD já é produzido na fábrica da Cummins em Osasco. Desenvolvido no Brasil para veículos 6×2, o eixo suporta até 58,5 toneladas de PBTC, capacidade 11% superior à do MS-18X. O projeto responde às exigências relacionadas aos limites de carga e às configurações de eixos estabelecidas pela Resolução 882 do Conselho Nacional de Trânsito (Contran).
A empresa preservou a compatibilidade com o modelo-base e a interface com
a suspensão, evitando adaptações adicionais nessa conexão. Para suportar as cargas maiores, promoveu alterações em componentes como coroa e pinhão, rolamento do pinhão e engrenagens satélites e planetárias. O desenvolvimento também exigiu adequações na linha de produção de Osasco, incluindo novos processos de solda a laser e sistemas de rastreabilidade e validação para garantir a precisão da montagem.
Motores remanufaturados reduzem o custo de reposição
No mercado de reposição, a Cummins amplia a linha Backbone ReCon, com motores parciais remanufaturados para aplicações que vão do F3.8 ao L9. A proposta é oferecer uma alternativa de menor custo para a substituição do motor, aproveitando componentes externos do conjunto anterior quando as condições de uso permitem.
O conceito utiliza uma base remanufaturada comum a diferentes configurações. O produto é fornecido sem determinados componentes externos, como cárter, tampa de válvulas e tampa de admissão, além da tampa do resfriador e do coletor de escape, conforme a aplicação. A rede autorizada completa a montagem com os itens adequados a cada motor.

A padronização permite atender mais aplicações com menos códigos de peças, simplificando o controle de estoques e favorecendo a disponibilidade dos produtos nos distribuidores. A Cummins informa que a solução pode reduzir o custo de aquisição em mais de 20% em relação ao motor básico ReCon, dependendo da aplicação.
A linha ReCon tem mais de 35 anos de presença no Brasil e 75 anos globalmente. O processo de remanufatura inclui desmontagem, limpeza, inspeção, substituição dos componentes de desgaste e incorporação das atualizações de engenharia aplicáveis. Os conjuntos passam por testes de validação e recebem garantia de fábrica de 12 meses.
Além do custo menor, a remanufatura prolonga a vida útil de materiais e componentes. Segundo a Cummins, os produtos ReCon utilizam até 85% menos energia elétrica em comparação com a fabricação de componentes novos. Globalmente, as operações da linha evitam a emissão de mais de 90 mil toneladas de gases de efeito estufa por ano e permitem reaproveitar mais de 27 mil toneladas de materiais.
Testes expõem riscos das peças falsificadas
A procedência dos componentes também estará em pauta na Fenatran. A Cummins apresentará os resultados de testes de durabilidade realizados com um cabeçote e um kit de reforma falsificados, adquiridos no mercado de reposição por canais não oficiais.
A avaliação ocorreu com os dois componentes instalados no motor, sob condições controladas de operação. O ensaio previa 500 horas de funcionamento, mas precisou ser interrompido antes do prazo por critérios de segurança, após a pressão interna do motor ultrapassar os parâmetros esperados.

O resultado reforça o alerta da empresa sobre peças que reproduzem a aparência das originais, mas podem apresentar diferenças nos materiais, nas tolerâncias e nas especificações de fabricação. Essas diferenças nem sempre são perceptíveis durante uma inspeção visual e podem comprometer o desempenho, o consumo de combustível, as emissões e a durabilidade do motor.
O risco não se limita a falhas imediatas. Um componente fora das especificações pode provocar desgaste prematuro, aumentar a necessidade de manutenção e obrigar o transportador a retirar o veículo de operação antes do previsto.
A Cummins também chama a atenção para peças importadas de terceiros que são oferecidas indevidamente como produtos da marca. Esses componentes não têm vínculo com a fabricante e não contam com a cobertura de sua garantia.
Para reforçar a identificação das peças genuínas, a empresa começou a introduzir uma etiqueta com tecnologia de QR Code ScanTrust, que acrescenta uma forma de autenticação das embalagens e substituirá gradualmente o selo holográfico. As novas etiquetas começaram a sair dos armazéns no fim de agosto de 2026. Durante a transição, os dois modelos continuarão no mercado, conforme a renovação dos estoques.
A orientação da Cummins é adquirir componentes por meio de seus distribuidores autorizados e respectivas redes de atendimento. A estrutura brasileira reúne seis distribuidores, mais de 30 pontos próprios e concessionários e revendas parceiras em diferentes regiões do País. Além de garantir a procedência, a rede oferece suporte técnico, diagnóstico e orientação para a correta aplicação e manutenção dos motores.
Com a exposição na Fenatran, a Cummins reúne novidades que vão da evolução dos motores e dos sistemas de emissões ao aumento da capacidade dos eixos e à redução dos custos de manutenção. A empresa também procura mostrar que a escolha de componentes adequados e a procedência das peças influenciam diretamente a disponibilidade dos veículos e o custo de operação das frotas.















