Entre 2022 e 2023 entrará em vigor uma legislação ambiental no Brasil mais rigorosa, a fase P8 do Proconve, equivalente a Euro 6, para motores diesel. Essa mudança legislativa cria regras para que os futuros caminhões e ônibus sejam construídos com tecnologias que reduzam as emissões de poluentes e ruídos até que o país seja rico suficiente para comprar veículos movidos por motores elétricos ou alternativas de energias mais limpas. Ou, que essas tecnologias custem o suficientemente mais baratas e caibam no bolso do brasileiro.

No entanto, enquanto o brasileiro não fica rico e as tecnologias mais baratas, a saída é aperfeiçoar os motores a diesel para serem mais eficiente energeticamente e menos poluentes. Uma das propostas para isso vem da Eaton dos Estados Unidos, uma das empresas globais que mais entendem de energia no mundo.

James McCarthy, engenheiro chefe de tecnologia e inovação da Eaton nos EUA

Assim, se melhorarmos a eficiência dos motores atuais, reduziremos o consumo e as emissões. Uma das formas de melhorar a eficiência dos motores é o que propõe o engenheiro chefe de tecnologia e inovação do centro técnico da Eaton, James McCarthy Jr., que esteve no Brasil para uma conferência e, na ocasião, apresentou o seu projeto à TRANSPORTE MUNDIAL.

A ideia já é aplicada em automóveis e poderá ser uma solução que poderá ajudar atender a resolução 490 do Conama (Conselho Nacional de Meio Ambiente) responsável pela norma Proconve P8 (Euro 6) que vai entrar em vigor no Brasil em 2023 para caminhões e ônibus e novos lançamentos a partir de 2022.

Motor diesel e a gás

Trata-se do CDA, sistema que desativa parte dos cilindros de um motor, mantendo as válvulas fechadas, para que os outros cilindros em funcionamento atinjam (ou mantenham) a melhor temperatura de funcionamento para a melhor queima do diesel (ou gás) e, assim, reduza as emissões de NOx e CO2.

Consequemente, os cilindros que estão fechados não estão consumindo combustível. O sistema conta com inteligência artificial para entender quando e quantos cilindros devem ficar fechados considerando diversas variáveis, como a carga de força solicitada ao motor em função do peso e condições de topografia.

A tecnologia funcional em diversas configurações de motores, mas é mais eficiente em motor de 4, 6 e 8 cilindros a diesel. Ela pode funcionar também em motores movido a gás, porém, não com a mesma eficiência já que este tipo de combustível alcança a temperatura ideal de funcionamento de forma mais rápida. “O ganho em eficiência pode variar dependendo do número de cilindros do motor e carga aplicada, do que vai depender das condições de trânsito, topografia e peso transportado, explica James McCarthy Jr. Testes feitos em laboratórios nos Estados Unidos comprovaram redução de 3,4% no consumo em ciclos que simulavam a atividade de um caminhão pesado. Em um ciclo de ônibus urbano, a redução foi de 5,6% enquanto o motor está em aquecimento e de 8,7% após aquecido. Já em um motor diesel de quatro cilindros e, quando trabalhando apenas com dois, a economia pode chegar até 40%.

Na prática

Um exemplo prático de funcionamento: durante a partida e alta carga, o motor funciona com a totalidade dos cilindros. Com carga parcial e velocidade estabilidade, o sistema mantém somente em funcionamento os cilindros suficientes para garantir a velocidade desejada e os demais ficam desativados sem consumir diesel e emitir emissões. Essa desativação é feita por meio de sistemas elétrico-hidráulicos comandos por uma inteligência artificial que mantêm as válvulas de admissão e escape fechadas, cancelando a injeção de combustível.

James McCarthy é o engenheiro chefe do Centro de Tecnologia de Marshal da Eaton nos Estados Unidos e acredita que a tecnologia poderá ser adotada pelos fabricantes brasileiros de motores em tempo desses motores serem homologados para atender a norma Proconve P8 até 2020.

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).