Mercedes-Benz e Be8 vão à COP 30 com novo biocombustível

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A Mercedes-Benz do Brasil e a Be8 – uma das maiores produtoras de biodiesel do País, com 13% de participação no mercado – uniram forças em um projeto conjunto de grande relevância ambiental. O objetivo é demonstrar principalmente o potencial do Bevant, o novo biocombustível 100% renovável que a Be8 desenvolveu para o transporte rodoviário.

Como parte dessa parceria, as empresas estão realizando uma rota de aproximadamente 4.000 quilômetros.  A viagem conta especificamente com quatro veículos da marca Mercedes-Benz, e dois deles seguem abastecidos com o novo combustível.

Esta jornada tem como destino a COP 30, a 30ª Conferência do Clima da ONU, que a entidade realizará em Belém/PA entre os dias 10 e 21 de novembro. Portanto, a ação das duas empresas tem como objetivo destacar o compromisso com a descarbonização e a sustentabilidade.

Em relação ao produto, o Bevant é um biocombustível puro, pronto para uso, capaz de substituir integralmente o diesel B15 que o mercado comercializa atualmente e que hoje contém 15% de biodiesel. Segundo o diretor-presidente da Be8, Erasmo Battistella, o combutível proporciona redução de até 50% nas emissões de CO2, além de 85% menos Material Particulado e 90% de redução na fumaça que os veículos expelem.

Montadora colocou dois caminhões e dois ônibus na rota da COP 30

A caravana saiu de Passo Fundo/RS com destino a Belém/PA, onde ocorrerá a COP 30. A ação envolve quatro veículos Mercedes-Benz. São dois caminhões Actros 2553 S 6×2 com motor OM 471 e dois ônibus rodoviário O 500 RSDD com motor OM 460. Um caminhão e um ônibus utilizam o Bevant, enquanto os outros dois rodam com o diesel B15 convencional, para efeitos comparativos. Ambos os motores são Euro 6.

Inicialmente, na primeira etapa da jornada, os veículos percorreram o trecho entre Passo Fundo e a fábrica da Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo/SP. Na sequência, seguirão até Brasília, depois Palmas/TO e chegam a Belém no dia 4 de novembro. Em resumo, a jornada tem caráter demonstrativo e busca evidenciar a possível mudança na matriz energética do transporte rodoviário brasileiro.

Adicionalmente, uma estrutura de suporte acompanha a viagem, incluindo equipe técnica da Mercedes-Benz, da Be8 e do Instituto Mauá. Esta última é responsável pela instalação de equipamentos para monitorar emissões e desempenho em tempo real.

Caminhões Mercedes-Benz são os mesmos oferecidos comercialmente

É importante destacar que, embora seja um novo combustível, o Bevant dispensa adaptações mecânicas nos veículos. Isso porque os modelos utilizados na viagem são os mesmos oferecidos comercialmente pela Mercedes-Benz.

Além disso, segundo Battistella, o combustível foi desenvolvido para garantir performance semelhante ao diesel e ao HVO, porém com menor custo de produção. Ele lembra ainda que o Bevant é mais puro que o biodiesel e conta com aditivação patenteada, o que permite melhor performance, menor consumo e durabilidade equivalente ao diesel e ao HVO”, destacou o executivo.

Bevant para uso em veículos Euro 5 outros mais antigos

No entanto, para veículos mais antigos, especialmente anteriores à tecnologia Euro 6, a recomendação técnica é realizar limpeza dos tanques e troca de filtros antes do uso do Bevant. Atualmente, a fabricante também está avaliando sua aplicação em caminhões de frotas antigas, ônibus urbanos, máquinas agrícolas e de construção

De acordo com Luiz Carlos Moraes, diretor de Relações Institucionais e Comunicação da Mercedes-Benz do Brasil, clientes da marca que demonstrarem interesse em usar o Bevant e que possuem a frota com motorização Euro 6 receberão suporte técnico. Isso inclui ferramentas de monitoramento e orientação de manutenção.

Hoje, os veículos da marca já estão autorizados ao uso de diesel B20. A montadora continuará acompanhando testes em parceria com a Be8 e apoiando seus clientes nas condições de uso ambiental autorizadas pela ANP. 

Luiz Carlos enfatiza ainda que o Rota Sustentável COP 30 é uma ação de grande propósito que apresenta uma alternativa para a descarbonização. “Contudo, é essencial pensar a sustentabilidade de forma mais ampla. Por se tratar de um teste, os caminhões estão trafegando com lastro”, explica.

O executivo esclarece ainda que um dos caminhões, o Actros abastecido com Bevant, carrega 20 toneladas de alimentos. Trata-se de uma carga de 1.680 cestas básicas a empresa doará às comunidades de Belém.

Preço do Bevant é abaixo do HVO

O Bevant chega ao mercado com preços cerca de 10% superiores ao diesel comum. No entanto, pela metade do preço do HVO – produto de referência no debate sobre descarbonização, mas que o Brasil ainda não produz. Por essa razão, Battistella reforça que a comparação mais adequada é com o HVO, e não com o diesel fóssil.

“Ele concorre com o HVO, visto que entrega uma descarbonização muito próxima, porém com custo inferior e produção nacional”, observa. Ainda de acordo com ele, de fato o HVO é mais caro por ser um produto importado e de alto custo de produção.

“Por outro lado, o Bevant é produzido com tecnologia brasileira e usa infraestrutura já existente de biodiesel, o que, consequentemente, torna mais viável sua expansão”, complementa.

Matérias-primas e escala produtiva

Um dos diferenciais do Bevant é a flexibilidade de matérias-primas. A Be8 pode fabricá-lo a partir de óleos vegetais (soja, canola, girassol, algodão), gorduras animais (frango, suína, bovina) e óleos de cozinha reciclados – o que amplia a sustentabilidade da cadeia e reduz riscos de sazonalidade.

A Be8 possui cinco unidades produtivas no Brasil e capacidade de produzir 4,5 milhões de litros de biodiesel por dia. Desse total, a produção atual de Bevant é de cerca de 120 mil litros diários, volume que a empresa poderá expandir conforme a demanda.

Durante a jornada em direção à COP 30, o diesel B15 será obtido em postos ao longo do trajeto, enquanto a Be8 obterá o diesel B15 em postos ao longo do trajeto. A própria fabricante transporta o Bevant que abastece os veículos durante a viagem.

Para frotistas interessados em adotar o produto, a Be8 informa que poderá instalar pontos de abastecimento dedicados, dependendo do volume contratado. Por fim, a expectativa é que o Bevant seja introduzido de forma gradual, acompanhando a expansão das metas de descarbonização de frotas públicas e privadas.