O mercado brasileiro de ônibus atravessa um dos períodos mais favoráveis dos últimos dez anos. Essa é a avaliação de Ricardo Alouche, vice-presidente de vendas, marketing e pós-vendas da Volkswagen Caminhões e Ônibus (VWCO), que projeta um fechamento de 2026 próximo de 23,8 mil unidades emplacadas, consolidando um novo ciclo de crescimento do transporte de passageiros no País.
Durante apresentação à imprensa, o executivo destacou que o setor já iniciou uma trajetória de recuperação após os ajustes registrados no início do ano. Segundo ele, os números atuais ainda não refletem completamente o ritmo dos negócios fechados pelas fabricantes, uma vez que existe um intervalo de até 90 dias entre faturamento, encarroçamento e emplacamento dos veículos.
VEJA TAMBÉM:
Identifique potência, peso e aplicação dos caminhões pelos nomes
Para a LOTS Group eficiência banca caminhão mais sustentável; assista
XCMG terá caminhão elétrico E7-95T de 750 cv para operações no off-road
“A aceleração já começou. Mas ainda não apareceu totalmente nos licenciamentos. A partir dos próximos meses veremos esse movimento refletido no Renavam”, afirmou.
Os números apresentados pela montadora reforçam essa percepção. Após registrar 20.435 ônibus emplacados em 2024 e 22.397 unidades em 2025, o mercado deve alcançar 23.807 veículos em 2026.
Segundo Alouche, o setor vive uma combinação rara de fatores positivos. Em outras palavras, a necessidade de renovação das frotas aumentou, os programas públicos voltaram a ganhar força e a mobilidade urbana sustentável passou a receber mais investimentos.
Renovação de frota sustenta a demanda
Um dos principais motores do mercado continua sendo a renovação da frota brasileira. Segundo Alouche, durante a pandemia, muitas empresas adiaram investimentos e prolongaram o ciclo de utilização dos veículos.
Como resultado, a idade média da frota saltou de 4,8 anos para 6,3 anos. Dessa forma, ultrapassou os limites previstos em diversos contratos de transporte urbano.

“Hoje existe demanda para ampliar a frota e também para renová-la. O desafio não é a falta de interesse do empresário. Mas sim o acesso ao crédito”, explicou Alouche.
Além disso, muitas concessionárias de transporte coletivo precisam reduzir a idade média dos veículos para atender exigências contratuais impostas pelas prefeituras. Dessa forma, a renovação deixou de ser apenas uma estratégia de redução de custos e passou a ser uma necessidade operacional.
Fretamento lidera crescimento

Entre os segmentos, o fretamento segue como um dos grandes destaques para a Volkswagen. A fabricante afirma deter cerca de 45% de participação nesse mercado, que engloba o transporte de funcionários para indústrias, empresas e grandes operações logísticas.
Segundo Ricardo Alouche, o segmento mantém forte resiliência mesmo em um cenário de juros elevados. Sobretudo porque muitas empresas continuam investindo em transporte corporativo como ferramenta de retenção de mão de obra e melhoria da mobilidade. Ao mesmo tempo, cresce o interesse por soluções de menor impacto ambiental.
Programas governamentais reforçam o mercado
Além do mercado privado, os programas públicos devem garantir um volume expressivo de negócios até 2027. A nova fase do programa Caminho da Escola prevê a aquisição de mais de 7.200 ônibus escolares. Enquanto o programa Caminho da Saúde contempla cerca de 3 mil micro-ônibus destinados ao transporte de pacientes.
Alouche diz seguramente que a Volkswagen poderá conquistar a maior parcela desses contratos. Embora os volumes definitivos ainda dependam da conclusão dos processos licitatórios.
Seja como for, hoje, a montadora já soma mais de 30 mil Volksbus escolares em operação no Brasil. E encerrou 2025 com aproximadamente 40% de participação nesse segmento.
Elétricos avançam onde a conta fecha
Embora a eletrificação ganhe espaço, Alouche acredita que o avanço dos ônibus elétricos seguirá concentrado em mercados onde existe viabilidade econômica. São Paulo continua liderando esse movimento graças aos programas municipais de incentivo e aos mecanismos de financiamento específicos.

Nesse sentido, a Volkswagen já comercializou 260 unidades do e-Volksbus, cujas entregas começaram no fim de 2025. E anunciou a chegada de mais duas versões urbana e de fretamento com piso alto, que serão lançadas na Latbusm que ocorre de 11 a 13 de agosto.
“Não existe uma única solução para todo o País. A eletrificação avança onde faz sentido econômico. Por isso trabalhamos com um portfólio preparado para múltiplas realidades”, destacou.
Volkswagen ganha participação
O desempenho da própria fabricante reforça o otimismo em relação ao setor. A Volkswagen afirma ter ampliado sua participação em cerca de 4 pontos percentuais em 2026, aproximando-se de 28% do mercado total de ônibus. Nos segmentos urbano, rodoviário e fretamento, a marca detém aproximadamente 24% das vendas. Enquanto lidera tanto o transporte escolar quanto o fretamento.
Além disso, abril registrou o melhor resultado de vendas de ônibus da empresa desde 2014, indicador que sustenta a expectativa de um segundo semestre mais aquecido.

















