O Move Brasil 2 esgotou os R$ 17,2 bilhões destinados ao financiamento de caminhões e implementos para empresas. A informação foi confirmada pelo diretor comercial da DAF Caminhões, Carlos Fraga, que revelou que os recursos acabaram nesta semana, cerca de um mês após o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social abrir a linha de crédito.
No entanto, o programa continua disponível para caminhoneiros autônomos. Ainda restam R$ 2 bilhões reservados exclusivamente para esse público, enquanto outros R$ 2 bilhões seguem destinados ao segmento de ônibus.
Além disso, neste fim de semana, o Porto de Santos recebe um Feirão Move Brasil voltado justamente aos transportadores autônomos, numa tentativa de ampliar o uso dessa parcela dos recursos.
Move Brasil 2 esgota recursos antes do previsto
Segundo Fraga, a velocidade das contratações surpreendeu até a própria indústria. No início da semana, por exemplo, o programa ainda contava com cerca de R$ 2,6 bilhões disponíveis para empresas. No entanto, em poucos dias, esse saldo acabou.
“O Move Brasil 2 acabou para as empresas. Os R$ 17,2 bilhões foram totalmente utilizados. Foi muito rápido”, afirmou.
De acordo com o executivo, o volume contratado aumentou semana após semana. Inicialmente, as liberações giravam em torno de R$ 2,5 bilhões. Depois, porém, chegaram a superar R$ 4 bilhões em apenas uma semana, o que acelerou o encerramento da linha de crédito.
Autônomos ainda podem acessar o Move Brasil 2
Apesar do fim da modalidade para empresas, os caminhoneiros autônomos ainda podem solicitar financiamento pelo Move Brasil.
Segundo Fraga, essa linha avança em ritmo mais lento porque muitos profissionais enfrentam dificuldades para comprovar renda e, consequentemente, obter aprovação de crédito nas instituições financeiras.
Por isso, parte desses recursos pode acabar sobrando.
“O autônomo enfrenta mais dificuldade para conseguir crédito. Por isso, normalmente essa linha demora mais para ser consumida.”
Recursos podem voltar ao mercado
Caso os autônomos não utilizem integralmente os R$ 2 bilhões disponíveis, o governo poderá redistribuir esse valor mais adiante.
Além disso, Fraga lembra que isso já aconteceu no Move Brasil 1. Na ocasião, cerca de R$ 500 milhões voltaram ao fundo por falta de utilização e, posteriormente, o governo republicou os recursos.
Da mesma forma, o mesmo pode ocorrer com valores reservados por empresas que receberam aprovação, mas desistirem da compra dentro do prazo.
Segundo o executivo, após o BNDES aprovar o crédito, o comprador terá até 28 de agosto de 2026 para formalizar a contratação da operação. Caso contrário, os recursos retornam ao programa.
Mercado ainda sentirá os efeitos do Move Brasil 2
Mesmo com o fim da linha para empresas, Fraga afirma que o mercado continuará sentindo os efeitos do Move Brasil nos próximos meses.
Isso acontece porque muitas operações já receberam aprovação e agora aguardam apenas o faturamento e a entrega dos veículos.
“Mais de 50% das nossas operações ainda serão faturadas nos próximos meses. Portanto, vamos sentir o reflexo do Move em julho, agosto e possivelmente até setembro.”
Junho registra o melhor desempenho do ano
Na avaliação do diretor comercial da DAF, o programa impulsionou diretamente o mercado de caminhões pesados.
Segundo ele, junho registrou a maior média diária de emplacamentos de veículos acima de 16 toneladas em 2026, com 357 unidades por dia. Ou seja, um resultado diretamente influenciado pelo programa.
Por isso, a expectativa da fabricante é manter em julho um desempenho semelhante ou até superior, já que muitos financiamentos contratados ainda estão em andamento.
DAF prepara novas ações após o fim do Move Brasil 2
Com o encerramento dos recursos para empresas, a DAF já estuda novas estratégias comerciais para manter o ritmo das vendas.
Assim, entre as alternativas, a fabricante avalia campanhas financeiras mais competitivas em parceria com bancos, incluindo o PACCAR Financial, além de possíveis subsídios nas taxas de financiamento.
“Estamos estudando todas as alternativas. Portanto, não descartamos nenhuma ação para manter nossa competitividade.”
Além disso, Fraga confirmou que a marca prepara novidades para a Fenatran, principalmente para ampliar a linha de caminhões vocacionais e off-road.
Mesmo sem novas rodadas do Move Brasil para empresas, o executivo reforçou a confiança da fabricante no mercado brasileiro.
“Continuamos acreditando no Brasil, investindo na marca e desenvolvendo campanhas para ajudar nossos clientes. Assim, com Move ou sem Move, seguimos confiantes no crescimento da DAF.”











