Move Brasil deve acabar em 10 dias após consumir 75% dos recursos, diz Volvo

Diretor-executivo de caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti afirma que 75% dos recursos do programa já estão comprometidos

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O programa Move Brasil 2 transformou-se no principal motor das vendas de caminhões em 2026. Na avaliação da Volvo Caminhões, o volume de recursos disponibilizado pelo governo para financiar a renovação de frota praticamente se esgotou entre as transportadoras, cenário que deve acelerar ainda mais os emplacamentos nos próximos meses.

Segundo o diretor-executivo de caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti, aproximadamente 75% dos recursos destinados às empresas já foram comprometidos, ritmo que surpreendeu até mesmo o setor.

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“Mais dez dias e esse recurso deve acabar para as empresas de transporte, talvez até antes, pela velocidade da procura”, afirmou.

Embora os contratos sejam assinados agora, as entregas dos caminhões ocorrerão de forma gradual, já que parte dos veículos ainda está em produção. Por isso, os efeitos do programa devem aparecer principalmente entre agosto e outubro, período em que os emplacamentos tendem a acelerar.

Mercado aguarda definição sobre um possível Move Brasil 3

Todavia, apesar do desempenho acima das expectativas, Cavalcanti disse que o mercado já começa a olhar para o que acontecerá depois do fim dos recursos atuais.

Segundo ele, a continuidade da recuperação vai depender de uma eventual renovação do programa pelo governo.

“O mercado respondeu de maneira muito positiva. A dúvida agora é o que acontece depois. Vai existir um Move Brasil 3? Essa resposta será importante para o comportamento do mercado no quarto trimestre.”

Volvo Caminhões
Na reta final do Move Brasil corrida pelo crédito deve acelerar as entregas de caminhões e os emplacamentos até o terceiro trimestre, diz Volvo

Na avaliação da Volvo, o terceiro trimestre deve registrar forte recuperação justamente pelo efeito das entregas financiadas. Entretanto, a empresa mantém cautela para os últimos meses do ano.

Queda dos juros ainda não muda cenário

Embora o mercado tenha recebido positivamente a recente redução da taxa Selic, Cavalcanti considera que o impacto sobre o financiamento de caminhões ainda permanece limitado.

Segundo o executivo, a pequena redução da taxa básica praticamente não altera o custo final das operações de crédito. “Uma redução de 0,25 ponto é praticamente inócua. Quando se considera o spread bancário, as operações continuam chegando perto de 20% ao ano.”

Autônomos ainda encontram barreiras

Enquanto as transportadoras praticamente esgotaram os recursos disponíveis, o mesmo não ocorreu entre os caminhoneiros autônomos. Nesse sentido, de acordo com Cavalcanti, boa parte do orçamento reservado para essa categoria continua disponível porque muitos profissionais enfrentam dificuldades para obter aprovação de crédito.

Entre os principais obstáculos aparecem documentação, histórico financeiro, cadastro positivo e nível de endividamento.

Todavia, para ampliar o acesso ao programa, Volvo, governo federal e Anfavea organizarão um evento em Santos voltado exclusivamente aos transportadores autônomos, reunindo fabricantes e instituições financeiras para apresentar as linhas de financiamento.

Mercado pode recuperar parte das perdas em 2026

Seja como for, mesmo com a aceleração das vendas provocada pelo Move Brasil, a Volvo prefere manter uma visão conservadora para o fechamento do ano.

No início de 2026, a fabricante projetava retração entre 10% e 15% no mercado brasileiro de caminhões. Apesar da melhora recente, Cavalcanti afirma que ainda trabalha com essa estimativa, já que o desempenho do último trimestre dependerá diretamente da continuidade dos programas de financiamento.

O executivo também observa que o mercado de seminovos perdeu parte do ritmo após a atualização da tabela Fipe, que aproximou os preços de referência dos valores praticados no mercado. Além disso, o maior acesso ao crédito para caminhões novos fez parte da demanda migrar novamente para veículos zero-quilômetro.