A estratégia da Volvo Caminhões para descarbonizar o transporte pesado brasileiro passa por diferentes tecnologias. Inclusive a fabricante anunciou a chegada do gás, para se somar à tecnologia elétrica que a Volvo já oferece. Entretanto, neste momento, a fabricante enxerga no biodiesel o caminho mais viável para reduzir emissões em larga escala.
Nesse sentido, a marca acaba de vender 31 unidades do FH com tecnologia B100 para o Grupo Potencial. Como resultado, a Volvo chega a mais de 300 caminhões vendidos com a tecnologia.
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Segundo o diretor-executivo de caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti, o Brasil reúne praticamente todos os fatores necessários para acelerar essa transição. Ou seja, produção agrícola, indústria consolidada de biocombustíveis, fabricantes preparados e transportadores interessados.
“Nós acreditamos que o biodiesel será um dos grandes vetores da descarbonização no Brasil”, disse Cavalcanti.
Demanda por caminhões B100 cresce no agronegócio
A procura por caminhões preparados para operar com B100 aumentou nos últimos meses. Sobretudo, entre empresas do agronegócio e produtores de biodiesel.
Segundo Cavalcanti, grupos como Potencial que acaba de adquirir mais 31 caminhões da marca com a tecnologia, bem como Binatural, Amaggi e JBS têm impulsionado essa demanda ao buscar alternativas para reduzir emissões em suas operações logísticas.

A Volvo já entregou cerca de 300 caminhões flex desde 2024 para operações desse tipo, sobretudo no transporte agrícola.
Entretanto, as vendas ainda ocorrem sob demanda específica porque a utilização do B100 depende de autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da estrutura de distribuição de combustível disponível para cada cliente.
Flexibilização da legislação pode acelerar mercado
Na avaliação da Volvo, o principal limitador para expansão da tecnologia não está nos caminhões.
Segundo Cavalcanti, os veículos já estão preparados para operar com biodiesel puro. O desafio permanece na regulamentação da oferta do combustível.
Hoje, a ANP controla a utilização do B100, restringindo sua comercialização para aplicações específicas.
A expectativa da fabricante é que o Marco Legal dos Combustíveis avance gradualmente na ampliação da mistura obrigatória até 20% em 2030 e também permita maior utilização do biodiesel puro em aplicações dedicadas.
Elétricos continuam em avaliação
Ao mesmo tempo em que amplia a aposta no biodiesel, a Volvo mantém seus caminhões elétricos em operação com clientes brasileiros para avaliar desempenho e custos.
Segundo Cavalcanti, os testes apresentam bons resultados operacionais, mas a conta financeira ainda não fecha para grande parte dos transportadores.
“O grande desafio continua sendo o TCO. A diferença de custo para o diesel ainda é muito grande.”
Por isso, a empresa prefere acompanhar a evolução do mercado antes de acelerar os investimentos em eletrificação pesada no País.
Tecnologia a gás também avança
Outra frente estratégica envolve os caminhões movidos a gás. A Volvo trabalha com uma solução diferente da maior parte do mercado ao utilizar motores ciclo Diesel alimentados por GNL (LNG), tecnologia que, segundo a empresa, entrega maior eficiência energética, torque e potência do que motores ciclo Otto utilizados por outros fabricantes.
A fabricante já iniciou a introdução dessa tecnologia em mercados como Chile, Peru e México. E confirmou que pretende trazer novidades para o Brasil em breve, embora ainda sem divulgar cronograma.
Estratégia aposta em múltiplas tecnologias
Para a Volvo, não existe uma solução única para a descarbonização do transporte pesado.
A fabricante pretende desenvolver simultaneamente caminhões elétricos, movidos a gás e preparados para biodiesel, permitindo que cada transportador escolha a tecnologia mais adequada conforme disponibilidade de combustível, infraestrutura e custo operacional.
Nesse cenário, Cavalcanti acredita que o biodiesel tende a ganhar protagonismo no Brasil justamente por aproveitar uma cadeia produtiva já consolidada, sem exigir mudanças estruturais na operação das frotas e oferecendo redução significativa das emissões de carbono.
















