Volvo aposta no B100 e já vendeu mais de 300 unidades no Brasil

Enquanto acompanha a evolução dos caminhões elétricos e prepara a chegada do gás, Volvo amplia a oferta de veículos compatíveis com B100

15

A estratégia da Volvo Caminhões para descarbonizar o transporte pesado brasileiro passa por diferentes tecnologias. Inclusive a fabricante anunciou a chegada do gás, para se somar à tecnologia elétrica que a Volvo já oferece. Entretanto, neste momento, a fabricante enxerga no biodiesel o caminho mais viável para reduzir emissões em larga escala.

Nesse sentido, a marca acaba de vender 31 unidades do FH com tecnologia B100 para o Grupo Potencial. Como resultado, a Volvo chega a mais de 300 caminhões vendidos com a tecnologia.

VEJA TAMBÉM:
Lat.Bus 2026 terá ônibus elétricos, gás, conectividade e mercado de seminovos
Move Brasil deve acabar em 10 dias após consumir 75% dos recursos, diz Volvo
Ever Express retém motoristas talentosos com Actros 2653 na frota; entenda

Segundo o diretor-executivo de caminhões da Volvo, Alcides Cavalcanti, o Brasil reúne praticamente todos os fatores necessários para acelerar essa transição. Ou seja, produção agrícola, indústria consolidada de biocombustíveis, fabricantes preparados e transportadores interessados.

“Nós acreditamos que o biodiesel será um dos grandes vetores da descarbonização no Brasil”, disse Cavalcanti.

Demanda por caminhões B100 cresce no agronegócio

A procura por caminhões preparados para operar com B100 aumentou nos últimos meses. Sobretudo, entre empresas do agronegócio e produtores de biodiesel.

Segundo Cavalcanti, grupos como Potencial que acaba de adquirir mais 31 caminhões da marca com a tecnologia, bem como Binatural, Amaggi e JBS têm impulsionado essa demanda ao buscar alternativas para reduzir emissões em suas operações logísticas.

Volvo aposta no B100 e já vendeu mais de 300 unidades no Brasil
Biodiesel ganha força na estratégia da Volvo para descarbonizar o transporte pesado. A fabricante vê o B100 como a alternativa mais viável e já entregou cerca de 300 caminhões

A Volvo já entregou cerca de 300 caminhões flex desde 2024 para operações desse tipo, sobretudo no transporte agrícola.

Entretanto, as vendas ainda ocorrem sob demanda específica porque a utilização do B100 depende de autorização da Agência Nacional do Petróleo (ANP) e da estrutura de distribuição de combustível disponível para cada cliente.

Flexibilização da legislação pode acelerar mercado

Na avaliação da Volvo, o principal limitador para expansão da tecnologia não está nos caminhões.

Segundo Cavalcanti, os veículos já estão preparados para operar com biodiesel puro. O desafio permanece na regulamentação da oferta do combustível.

Hoje, a ANP controla a utilização do B100, restringindo sua comercialização para aplicações específicas.

A expectativa da fabricante é que o Marco Legal dos Combustíveis avance gradualmente na ampliação da mistura obrigatória até 20% em 2030 e também permita maior utilização do biodiesel puro em aplicações dedicadas.

Elétricos continuam em avaliação

Ao mesmo tempo em que amplia a aposta no biodiesel, a Volvo mantém seus caminhões elétricos em operação com clientes brasileiros para avaliar desempenho e custos.

Segundo Cavalcanti, os testes apresentam bons resultados operacionais, mas a conta financeira ainda não fecha para grande parte dos transportadores.

“O grande desafio continua sendo o TCO. A diferença de custo para o diesel ainda é muito grande.”

Por isso, a empresa prefere acompanhar a evolução do mercado antes de acelerar os investimentos em eletrificação pesada no País.

Tecnologia a gás também avança

Outra frente estratégica envolve os caminhões movidos a gás. A Volvo trabalha com uma solução diferente da maior parte do mercado ao utilizar motores ciclo Diesel alimentados por GNL (LNG), tecnologia que, segundo a empresa, entrega maior eficiência energética, torque e potência do que motores ciclo Otto utilizados por outros fabricantes.

A fabricante já iniciou a introdução dessa tecnologia em mercados como Chile, Peru e México. E confirmou que pretende trazer novidades para o Brasil em breve, embora ainda sem divulgar cronograma.

Estratégia aposta em múltiplas tecnologias

Para a Volvo, não existe uma solução única para a descarbonização do transporte pesado.

A fabricante pretende desenvolver simultaneamente caminhões elétricos, movidos a gás e preparados para biodiesel, permitindo que cada transportador escolha a tecnologia mais adequada conforme disponibilidade de combustível, infraestrutura e custo operacional.

Nesse cenário, Cavalcanti acredita que o biodiesel tende a ganhar protagonismo no Brasil justamente por aproveitar uma cadeia produtiva já consolidada, sem exigir mudanças estruturais na operação das frotas e oferecendo redução significativa das emissões de carbono.