Por dentro da produção da quinta-roda JOST

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A JOST fabrica um componente que raramente chama a atenção, mas tem uma das funções mais importantes do conjunto formado pelo cavalo mecânico e o semirreboque: a quinta-roda. É ela que recebe e distribui os esforços da composição e precisa suportar milhares de quilômetros de operação sem comprometer a segurança.

Fábrica da JOST localizada em Caxias do Sul/RS, onde praticamente toda a produção é destinada ao mercado brasileiro

Para entender os cuidados envolvidos em sua fabricação, basta acompanhar o processo dentro da fábrica da JOST, em Caxias do Sul/RS, onde praticamente toda a produção destinada ao mercado brasileiro é realizada.

“A gente tem hoje capacidade plena para atender a todo o mercado brasileiro”, afirma Carsten H. Franke, Technischer Direktor e COO Brazil da JOST. A unidade reúne diferentes linhas de produção, com operações de montagem, soldagem, dobra, estampagem e usinagem. Os equipamentos variam de acordo com a aplicação. Há produtos para o transporte rodoviário e modelos reforçados destinados a operações mais severas, como cana-de-açúcar e transporte florestal.

O pino-rei é tratado individualmente

Um dos componentes mais críticos é o pino-rei. Fabricado em aço especial e forjado, ele recebe usinagem na própria JOST. O controle começa pela geometria e pelas dimensões. Depois, cada peça passa por inspeções para identificar possíveis falhas internas no material. Um dos testes utiliza ultrassom.

 Se aparecer alguma característica fora da especificação, o componente é descartado. A empresa também repete controles realizados pelo fornecedor para assegurar que a peça permaneça dentro dos padrões exigidos. O processo não termina aí. Cada pino-rei recebe uma gravação a laser que permite identificar individualmente a peça.

Com isso, a empresa consegue relacionar o componente aos dados de fabricação. O sistema MES registra informações sobre quando e onde ele foi produzido, além das ferramentas e processos utilizados. Já o sistema de gestão da qualidade, QMS, reúne os resultados das inspeções realizadas durante a produção. Na prática, isso cria um histórico do componente desde sua fabricação.

Menos graxa e manutenção diferente

 A JOST também fabrica quintas-rodas equipadas com placas de desgaste poliméricas. Em vez de desgastar diretamente o bloco, o componente substituível recebe o desgaste e pode ser trocado quando necessário.

Além de preservar o bloco, a solução reduz a necessidade de lubrificação em determinadas aplicações. Sem a placa, a quinta-roda precisa ser desacoplada e engraxada periodicamente. Com o componente polimérico, essa rotina muda. A solução também interessa a operações nas quais a presença de graxa precisa ser evitada, como algumas aplicações no transporte de alimentos.

Placa polimérica evita o desgaste da quinta-roda, não exige lubrificação e pode ser substituida quando for necessário

Mas Carsten Franke alerta que instalar uma placa adaptada sobre uma quinta-roda convencional não equivale a utilizar o produto desenvolvido originalmente para essa finalidade. “Esse tipo de alteração pode fragilizar o bloco e aumentar os riscos para a operação. Por isso, a empresa oferece versões que já saem de fábrica preparadas para trabalhar com o elemento de desgaste”, explica.

O mesmo cuidado vale para outros componentes instalados posteriormente. Furos, usinagens ou retirada de material em pontos não previstos pelo fabricante podem comprometer a garantia do produto.

Quinta-roda JOST com eletrônica

 A evolução mais recente da quinta-roda também envolve eletrônica. Trata-se do E.LOCK, dispositivo antifurto desenvolvido no País em parceria com a Omnilink. A solução combina a estrutura mecânica da quinta-roda com um sistema eletrônico que bloqueia o acionamento da alavanca de destrave. Dessa forma, a tecnologia impede o desacoplamento não autorizado do semirreboque e reduz riscos de furtos, sabotagens e erros operacionais.

Dispositivo antifurto eletrônico E.LOCK bloqueia o acionamento da alavanca de destrave e reduz riscos de furtos

O sistema incorpora rastreador e utiliza comunicação por radiofrequência LoRa, permitindo acompanhar a posição do conjunto mesmo em situações de bloqueio de sinal por jammer, segundo a empresa. O dispositivo também conta com comunicação criptografada, acionamento por motor elétrico, bateria interna e certificações IP66 e IP67.

O desenvolvimento levou dois anos e amplia a atuação da quinta-roda para além de sua função mecânica. A proposta é permitir que o componente também participe da estratégia de segurança da operação, especialmente em situações como pernoites, docas, pátios de terceiros e rotas consideradas críticas.

Integração ainda é um desafio

Segundo Carsten H. Frank, a empresa já vinha trabalhando na integração da quinta-roda com sistemas de rastreamento. O módulo passa por testes de funcionamento e proteção antes de ser integrado ao produto.

Um dos desafios está justamente na comunicação entre a quinta-roda e os diferentes sistemas utilizados pelas transportadoras. Hoje, o cliente pode escolher o rastreador depois da compra do caminhão. Nessa condição, a instalação posterior pode exigir a desmontagem da quinta-roda e a realização de intervenções para fazer a integração.

Por isso, a JOST já discute com montadoras a possibilidade de oferecer a solução integrada de fábrica. A ideia é evitar intervenções posteriores e tornar a quinta-roda parte do sistema eletrônico do veículo desde a produção.

Com a integração de materiais de desgaste, rastreabilidade e recursos eletrônicos voltados à segurança, a quinta-roda deixou de ser apenas um componente mecânico fundamental para a ligação entre o cavalo mecânico e o semirreboque. São nesses detalhes longe dos olhos que começa a segurança de um conjunto que pode passar milhares de quilômetros transportando cargas.