Leblon Transportes renova frota com 37 ônibus Scania articulados

41

A Scania realizou a venda de 37 ônibus articulados K 320 6×2/2, com carroceria Marcopolo, para a Leblon Transportes, do Paraná. A aquisição representa a maior renovação de frota já realizada pela empresa, que opera linhas metropolitanas entre Fazenda Rio Grande e Curitiba.

Segundo o proprietário da empresa, Haroldo Isaak, a compra acompanha mudanças no perfil da operação e o crescimento da demanda de passageiros na região. Do lote total, 25 veículos já estão em processo de entrega e os outros 12 devem entrar em operação entre o fim deste ano e o início de 2027.

A aquisição marca um momento importante para a empresa, que há anos não realizava uma renovação desse porte de uma só vez. “É a maior renovação que a Leblon está realizando em quantidade e valor”, afirmou o empresário.

Venda para a Leblon representa um marco para a Scania

O gerente de vendas de ônibus da Scania, Rogério Moro, ressaltou que a venda também representa um marco para a fabricante, que vem retomando sua atuação no segmento urbano. Curitiba e sua região metropolitana têm um significado especial para a marca por sua tradição no sistema BRT.

“Para a Scania, é um marco histórico. Temos vivido nos últimos meses uma retomada da nossa atuação e do foco no segmento urbano”, afirmou. Segundo ele, a operação reforça a presença da marca em um tipo de transporte no qual a Scania dispõe de um portfólio completo.

Moro também destacou o investimento da Leblon em segurança. Segundo ele, a frota é a primeira operação urbana da Scania no Brasil a receber o pacote ADAS, que reúne recursos para ampliar a proteção de pedestres e outros usuários vulneráveis.

Entre os equipamentos está um sensor lateral que identifica a presença de pessoas na área de embarque e alerta o motorista por meio de sinalização luminosa no painel.

O sistema também impede a partida do veículo enquanto houver indicação de risco na lateral. “É um marco não só pela quantidade de veículos e pela representatividade da venda em Curitiba, mas também por essa inovação que a Leblon está trazendo para o mercado”, disse.

A empresa opera principalmente em Fazenda Rio Grande, município que cresceu rapidamente nos últimos anos e aumentou a necessidade de transporte para Curitiba. Os novos articulados vão atender duas operações.

Uma delas liga Fazenda Rio Grande ao Terminal do Pinheirinho, em Curitiba. Os ônibus fazem o trajeto sem paradas intermediárias e recebem passageiros de linhas alimentadoras que chegam ao terminal de Fazenda Rio Grande. Nos horários de maior movimento, a saída dos veículos ocorre em intervalos de dois a três minutos.

Os outros articulados vão operar a linha Ligeirão Fazenda Rio Grande – Curitiba. O trajeto passa pela BR-116, segue pela Linha Verde e depois continua até a região central da capital paranaense.

Ônibus maiores e mais passageiros

 A expansão do uso de articulados acompanha o crescimento da cidade e da demanda. A Leblon transporta, considerando toda a sua operação, entre 30 mil e 33 mil embarques por sentido, segundo Isaak.

A empresa também vê na expansão da Linha Verde uma oportunidade para melhorar o tempo de viagem. Atualmente, o congestionamento afeta diretamente o deslocamento entre Fazenda Rio Grande e Curitiba. “Algo que eu poderia fazer, por exemplo, até o Terminal Pinheirinho em 18 minutos, preciso de uma hora ou mais por causa do congestionamento”, explicou.

A extensão da Linha Verde está em processo de desenvolvimento pelo governo do Paraná. A expectativa da empresa é que a obra permita aos ônibus ganhar velocidade e reduzir o tempo de viagem no trecho.

Maior segurança passa a fazer parte da operação

 Os novos ônibus também representam uma mudança na forma como a Leblon trabalha a segurança. A empresa é certificada pela ISO 39001, norma voltada à gestão da segurança viária, e decidiu incorporar aos novos veículos o pacote ADAS de sistemas de assistência ao motorista da Scania.

Entre os recursos estão a frenagem automática de emergência e o sensor lateral para detecção de pedestres. Quando identifica uma pessoa em uma área de risco próxima ao veículo, o sistema pode alertar o motorista e impedir a partida.

A solução chama atenção porque esse tipo de tecnologia ainda é mais comum em ônibus rodoviários do que em urbanos. Para a Scania, a venda para a Leblon representa o primeiro fornecimento desse pacote para uma frota urbana da marca no Brasil.

Tratando-se da operação da Leblon, alguns recursos ganham importância justamente pelas características das linhas. Embora os ônibus circulem em ambiente urbano, parte do percurso ocorre em vias de maior velocidade.

A empresa estabeleceu limite de 70 km/h para os articulados, o que aumenta a importância dos sistemas de prevenção de colisões. A Leblon também pretende instalar câmeras e um sistema de monitoramento do comportamento dos motoristas nos novos veículos.

A empresa, porém, ainda não tem experiência prática com a reação dos condutores aos novos sistemas. Os ônibus ainda estavam começando a entrar em operação no momento da entrevista. A expectativa é que a tecnologia seja incorporada gradualmente à rotina dos motoristas, dentro do trabalho de treinamento que a empresa já desenvolve.

Ar-condicionado muda a experiência do passageiro

 Outra novidade para os passageiros será o ar-condicionado. A Leblon reconhece que a tecnologia representa uma mudança em relação ao padrão tradicional dos ônibus que circulam na região.

A empresa já colocou dois ônibus menores com ar-condicionado em operação e, até o momento, não registrou reclamações. Agora, a expectativa é observar como os passageiros vão reagir aos novos articulados.

A temperatura nos veículos será controlada e o motorista não poderá ligar ou desligar o sistema. As janelas também permanecem fechadas durante a operação.

 A renovação dos 37 ônibus representa investimento superior a R$ 70 milhões. A primeira etapa foi viabilizada por meio de consórcio, enquanto a segunda parte da compra está sendo planejada com financiamento.

De acordo com Isaak, a compra dos ônibus contou com um acordo com o governo do Estado que deu maior segurança à empresa para renovar a frota mesmo diante da indefinição sobre a licitação. A frota antiga já estava chegando ao fim de sua vida operacional.

A possibilidade de os veículos serem aproveitados em outra configuração caso houvesse mudança no sistema também ajudou a reduzir o risco do investimento.

 Diesel ainda é a opção para as linhas longas

Apesar do avanço de ônibus elétricos em diferentes cidades brasileiras, a Leblon não considera essa tecnologia adequada, neste momento, para suas linhas metropolitanas mais longas. O empresário calcula que seus ônibus podem rodar cerca de 700 km por dia, enquanto os veículos elétricos disponíveis atualmente teriam autonomia insuficiente para cumprir toda a operação sem recargas ou sem a utilização de outro veículo.

Por isso, o empresário considera que o custo da eletrificação ainda não fecha a conta para esse tipo de serviço. Para linhas mais curtas e urbanas, porém, ele vê uma possibilidade maior de utilização.

Uma alternativa que começa a ganhar espaço na avaliação da empresa é o biometano. Fazenda Rio Grande recebe resíduos de Curitiba e de outros municípios da região metropolitana, e a proximidade entre a planta de produção de biometano e a garagem da Leblon pode facilitar uma futura operação com esse combustível. A empresa pretende avaliar a possibilidade em conjunto com a Scania quando a produção de biometano estiver efetivamente disponível.

Mais Ônibus articulados

A renovação atual não significa necessariamente o fim das compras. O empresário afirma que uma futura mudança no sistema metropolitano poderá exigir mais veículos articulados.A própria expansão da demanda em Fazenda Rio Grande pode levar a empresa a ampliar a frota.

Se a futura licitação alterar a configuração das linhas e aumentar a participação dos articulados, a Leblon poderá fazer novas aquisições. Por enquanto, porém, a prioridade é colocar os 37 novos ônibus em operação e acompanhar os resultados.

Para a Scania, a venda também representa uma retomada de presença no transporte urbano de Curitiba e região metropolitana. Para a Leblon, significa renovar uma parcela importante da frota e preparar a operação para uma região que continua crescendo.