Serviços financeiros ajudam a viabilizar compra de ônibus

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Comprar um ônibus exige planejamento financeiro. Além do valor do veículo, o operador precisa considerar o fluxo de caixa, a renovação da frota, os contratos em andamento e, no caso dos modelos urbanos, as condições oferecidas por programas de financiamento. Por isso, os serviços financeiros das montadoras passaram a ter um papel importante na decisão de compra.

No caso da Mercedes-Benz, o portfólio reúne financiamento, consórcio e outras soluções voltadas aos clientes de ônibus e caminhões. Segundo Leonardo Piccinini, presidente e CEO do Banco Mercedes-Benz do Brasil, a carteira do banco soma atualmente R$ 20,4 bilhões, sendo R$ 7,5 bilhões relacionados ao segmento de ônibus.

A participação do banco também chama atenção. “Cada dez ônibus financiados, sete são financiados pelo nosso banco”, afirmou Piccinini.

Serviços financeiros ampliam as opções de financiamento de ônibus

Entre as principais alternativas de financiamento para ônibus estão o Refrota e as linhas do BNDES. De acordo com Piccinini, o Banco Mercedes-Benz está entre os principais agentes do BNDES e participa das linhas disponíveis para o setor.

No caso do Refrota, o executivo destaca a importância do programa para a renovação da frota urbana. Criado para apoiar a aquisição de ônibus destinados ao transporte público, o programa trabalha com recursos da Caixa Econômica Federal e oferece condições diferenciadas em relação às taxas praticadas no mercado.

“O Refrota, para mim, é excelente. É uma linha que está lá, tem o orçamento”, disse Piccinini. O executivo ressalta, entretanto, que a contratação exige planejamento. O processo pode levar cerca de 120 dias, já que envolve diferentes etapas de análise e liberação dos recursos.

Serviços financeiros ajudam na renovação da frota

A importância de linhas com condições diferenciadas aumenta em períodos de juros elevados. Para Piccinini, a taxa de financiamento precisa oferecer uma diferença relevante em relação à Selic para estimular o investimento. “Se a Selic está 14, qualquer taxa de 10, não precisa da taxa de 2, 3. Com taxa de 10, o operador vai atrás. É diferente pagar 14 do que pagar 10”, explicou.

Nesse contexto, o financiamento pode ajudar o empresário a renovar veículos antigos sem concentrar todo o investimento de uma só vez. Além disso, a substituição da frota traz reflexos para a operação e para o transporte de passageiros.

“Renovação de frota é bom para o operador, é bom para o passageiro, ter um produto melhor, e ajuda toda a sociedade. Tira um veículo antigo, põe um veículo novo, polui menos”, afirmou.

Serviços financeiros enfrentam um mercado de ônibus em queda

A atuação do banco ocorre em um cenário de retração nas vendas de ônibus. Segundo os dados apresentados por Piccinini, o mercado registrou queda de 12% no primeiro semestre. Mesmo assim, o Banco Mercedes-Benz ampliou sua participação no segmento.

Entre janeiro e junho, o banco desembolsou cerca de R$ 1,4 bilhão para ônibus. Desse total, R$ 865 milhões vieram do Refrota, enquanto o restante teve origem principalmente nas linhas do programa MOV.

Desde 2024, quando começou a operar com o Refrota, o Banco Mercedes-Benz já desembolsou R$ 2,3 bilhões por meio da modalidade. Somente em 2026, foram R$ 865 milhões, o equivalente, segundo Piccinini, a cerca de 65% dos desembolsos do programa no período.

Serviços financeiros também incluem o consórcio

Além do financiamento, o consórcio aparece como outra alternativa para quem não precisa adquirir o ônibus imediatamente, mas consegue planejar a renovação da frota.

Segundo Cláudio Jesus, diretor comercial do Consórcio Mercedes-Benz, a modalidade faz parte do ecossistema de serviços financeiros da marca e funciona de maneira complementar ao banco.

“O consórcio Mercedes-Benz faz parte do ecossistema de atendimento ao cliente da Mercedes, que é vendas, pós-vendas, ônibus, caminhões e, obviamente, com o banco, corretora, locações e o consórcio”, explicou.

O Consórcio Mercedes-Benz completa dez anos em 2026. Nesse período, passou a representar cerca de 5% das entregas de ônibus e caminhões da marca. A empresa trabalha com a meta de superar 10% de participação nos próximos três anos.

A carteira futura do consórcio está próxima de R$ 3 bilhões, segundo Jesus. Além disso, as vendas registram crescimento de dois dígitos nos últimos anos.

Serviços financeiros permitem planejar a compra do ônibus

A principal diferença entre financiamento e consórcio está justamente no momento da aquisição. Enquanto o financiamento atende quem precisa comprar o veículo e contratar o crédito para realizar a operação, o consórcio permite programar a compra para o futuro.

“Você quer comprar um ônibus agora, banco Mercedes. Você quer planejar para o médio prazo, plano pontual. Para o longo prazo, o plano tradicional”, explicou Jesus.

No segmento de ônibus, o planejamento pode ser especialmente relevante porque a compra do chassi precisa acompanhar o cronograma de encarroçamento. De acordo com o executivo, o operador pode utilizar o Plano Pontual para organizar a aquisição do conjunto e ganhar tempo para vender o veículo usado.

O produto possui grupo de 60 meses e, segundo Jesus, o cliente pode ter previsibilidade de entrega a partir da sexta assembleia. “Ônibus é planejamento. Ele sabe quando vai renovar a frota, quando vai vencer um contrato, quando vai renovar um contrato, quando precisa trocar aquela frota”, destacou.

Serviços financeiros ajudam a preservar o caixa

Para os grandes frotistas, o consórcio também pode fazer parte de uma estratégia de longo prazo. Segundo Jesus, existem clientes que estruturam planos para investimentos de R$ 20 milhões, R$ 30 milhões e até R$ 40 milhões.

A lógica é antecipar a decisão de compra e evitar um grande desembolso no momento da renovação. “No momento da aquisição do bem, daqui dois, três anos, ele não precisa se descapitalizar. Então, evita um desencaixe alto de caixa”, afirmou.

O consórcio tradicional trabalha com grupos de até 96 meses e contempla os participantes por sorteio ou lance. Já o Plano Pontual tem prazo mais curto e foi ampliado para atender também o mercado de ônibus.

Serviços financeiros acompanham diferentes momentos da frota

Para o operador, a escolha entre financiamento e consórcio depende principalmente do momento da necessidade. Quem precisa renovar a frota imediatamente pode buscar uma modalidade de financiamento. Já quem consegue antecipar a decisão pode utilizar o consórcio para organizar a aquisição ao longo do tempo.

Por isso, os serviços financeiros passam a funcionar não apenas como uma forma de viabilizar a compra de ônibus, mas também como instrumentos de planejamento da frota.

Em um mercado pressionado pelos juros e pela necessidade de renovação dos veículos, ter alternativas de crédito com condições adequadas pode fazer diferença na decisão do empresário. Afinal, como resume Leonardo Piccinini, a disponibilidade de uma linha com custo acessível permite que o operador se prepare para investir quando realmente precisar.