O mercado brasileiro de caminhões reagiu em julho, mas ainda não conseguiu transformar a melhora mensal em recuperação consistente. Os emplacamentos cresceram 19,4% sobre junho, passando de 9,8 mil para 11,7 mil unidades.
Além disso, o resultado superou em 10% os 10,6 mil caminhões registrados em julho de 2025.
Entretanto, o desempenho acumulado continua negativo. Entre janeiro e julho, o mercado registrou 60,6 mil emplacamentos, contra 65,3 mil no mesmo período de 2025.
Com isso, a retração chega a 7,2%. Ou seja, equivalente a aproximadamente 4,7 mil caminhões a menos.
Para Igor Calvet, presidente da Anfavea, a evolução dos últimos meses merece atenção porque mostra uma redução significativa da intensidade da queda.
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Mercado sai de queda de 31% para 7,2%
Segundo Calvet, o principal sinal positivo está na trajetória do acumulado. Em janeiro, o mercado de caminhões registrava retração próxima de 31%. Agora, após o resultado de julho, a queda está em 7,2%.
“É positivo porque aqui não vemos uma queda de 31%. Estamos com uma queda de 7%.”
Além disso, os números mensais mostram uma sequência de crescimento. Em maio, foram 8,4 mil caminhões. Em junho, o volume subiu para 9,8 mil. Já em julho, chegou a 11,7 mil unidades.
Portanto, o mercado avançou 17% entre maio e junho e mais 19,4% entre junho e julho. Ainda assim, Calvet pondera que a melhora não significa que o mercado tenha recuperado o terreno perdido.
A expectativa da Anfavea é de que o setor termine 2026 ainda no campo negativo. Ou seja, com queda próxima de 6%.
Move Brasil injeta até 10 mil caminhões no mercado
Nesse cenário, o programa de financiamento para veículos pesados teve papel importante na reação observada no primeiro semestre. A Anfavea estima que o Move Brasil tenha acrescentado entre 8 mil e 10 mil caminhões ao mercado nos primeiros seis meses do ano.
“A gente estima que no primeiro semestre foi algo em torno de 8 mil a 10 mil caminhões.”
De acordo com Calvet, a entidade ainda avalia o impacto do programa no segundo semestre. Porém, o executivo evitou antecipar um número fechado antes da consolidação dos dados pela equipe técnica da Anfavea.

Além disso, o efeito do programa aparece primeiro na produção e demora mais para chegar aos emplacamentos. Isso ocorre porque existe um intervalo entre a contratação do financiamento, o faturamento e o registro do veículo.
Dessa maneira, parte do impacto das operações financiadas ainda deve aparecer nos próximos resultados de mercado.
Juros ainda travam uma recuperação mais forte
Apesar da redução recente da taxa básica de juros, (Selic a 14%) o custo do crédito continua sendo um dos principais obstáculos para a renovação das frotas.
Nesse sentido, Calvet avalia que o nível dos juros ainda não permite que o mercado de caminhões acelere na velocidade esperada pela indústria. Além disso, os transportadores enfrentam aumento dos custos operacionais. Combustíveis, logística e outros insumos pressionam as margens das empresas.
Ao mesmo tempo, uma parcela relevante da demanda por caminhões vem do agronegócio. A redução dos preços de algumas commodities e a compressão das margens dos produtores aumentam a cautela na compra de veículos.
Por isso, mesmo com o estímulo do programa de financiamento, o setor continua sensível às condições econômicas.
Produção cresce 11,2% no mês
Enquanto os emplacamentos avançaram, a produção também apresentou reação em julho. As montadoras produziram 12,1 mil caminhões, contra 10,9 mil em junho. O crescimento mensal chegou a 11,2%.
Na comparação com julho de 2025, entretanto, o volume ficou praticamente estável. Naquele mês, a indústria também produziu 12,1 mil unidades. O que representa variação de apenas 0,4%.
No acumulado de janeiro a julho, porém, a situação permanece negativa. A indústria produziu 68,9 mil caminhões, contra 78,4 mil no mesmo período de 2025. A queda chega a 12,1%, ou aproximadamente 9,5 mil unidades.
Portanto, a produção ainda apresenta uma retração maior que a observada nos emplacamentos.
Exportações recuam 16,5% no ano
O mercado externo também não contribuiu para uma recuperação mais rápida da indústria. Em julho, o Brasil exportou 2,3 mil caminhões, contra 2,1 mil em junho, alta de 8,7%.
Na comparação anual houve queda de 17,9%. Em julho de 2025, as exportações chegaram a 2,8 mil unidades.
No acumulado de janeiro a julho, as fabricantes exportaram 13,5 mil caminhões, contra 16,2 mil no mesmo período do ano passado. Assim, o resultado representa retração de 16,5% nas vendas externas.

















