A BorgWarner prepara uma mudança importante em sua estrutura de liderança. Melissa Mattedi, atual diretora-geral de Turbo e Thermal Technologies no Brasil, assumirá em setembro o comando da fábrica da empresa em Viana, Portugal.
A executiva está concluindo os trâmites para a mudança e pretende iniciar a nova função no dia 1º de setembro. Além disso, a mudança representa um novo capítulo na carreira da executiva, que construiu sua trajetória na BorgWarner a partir da área financeira e chegou à liderança de uma operação industrial e tecnológica no Brasil.
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Da operação brasileira para uma fábrica maior
Agora, Melissa terá pela frente uma unidade com perfil diferente da fábrica brasileira. Enquanto a operação que comanda atualmente tem forte atuação em turbos e tecnologias térmicas para linhas leve e pesada, a planta portuguesa trabalha com sistemas de recirculação de gases de escapamento EGR, além de soluções para veículos eletrificados.
Na área de eletrificação, a unidade portuguesa produz sistemas de gerenciamento térmico, como soluções para aquecimento e resfriamento de baterias e cabine.
Além disso, a fábrica atende aplicações para veículos leves e pesados. Segundo Melissa, a unidade portuguesa tem praticamente o dobro do tamanho da operação que ela administra atualmente no Brasil. “É uma planta maior do que aqui, quase o dobro”, afirma sem revelar números da operação.
Missão é aumentar eficiência e rentabilidade
Seja como for, nesse novo desafio, a executiva terá como uma das principais missões melhorar a eficiência operacional e a rentabilidade da unidade. “Eu acho que o maior desafio é retomar lucratividade, eficiência operacional, melhorar a produtividade de linha e realmente a rentabilidade do negócio”, afirma.
Para alcançar esse objetivo, Melissa pretende aplicar uma metodologia que já adotou no Brasil. A executiva defende uma gestão integrada, com maior aproximação entre departamentos e menos barreiras entre as áreas. Por isso, a estratégia passa por aproximar engenharia, finanças, compras, recursos humanos, produção e demais áreas em torno dos mesmos objetivos.
Segundo Melissa, esse modelo ajudou a transformar a operação brasileira. Do mesmo modo, também pesou na decisão da BorgWarner de convidá-la para assumir a unidade europeia.
Planta portuguesa cresceu rapidamente
Além disso, Melissa chega a uma fábrica que passou por uma forte expansão nos últimos anos. A unidade de Viana praticamente dobrou de tamanho depois que a BorgWarner transferiu linhas de produção de outras fábricas europeias.

A expansão ocorreu principalmente após aquisições realizadas pela companhia. Com a consolidação de operações, a empresa transferiu equipamentos e produtos para Portugal. “Viana já tinha as linhas dela e aí duplicou de tamanho para receber as linhas que vieram dessas fábricas que a BorgWarner comprou”, explica.
Como resultado, a fábrica precisou absorver novos produtos, processos e equipes em um período relativamente curto. Agora, Melissa terá o desafio de consolidar essa estrutura e buscar novos ganhos de produtividade.
Sucessão mantém liderança brasileira
Enquanto a executiva segue para Portugal, a BorgWarner prepara o retorno de um antigo executivo à operação brasileira.
Vitor Maiellaro, que já ocupou o cargo de gerente-geral da unidade no Brasil e posteriormente trabalhou em operações da companhia na Europa, assumirá a posição deixada por Melissa.
“Ele foi meu chefe quando eu era gerente. Ele foi gerente-geral aqui por uns sete anos. Depois foi para a Polônia e agora volta para cá”, conta.
A mudança também representa um movimento relevante para a carreira feminina dentro da companhia. Melissa se tornou a primeira mulher brasileira a assumir uma posição de liderança de uma planta da BorgWarner na Europa.
Exemplo para outras mulheres
Por outro lado, a executiva vê a mudança como uma consequência do trabalho realizado nos últimos anos para ampliar a participação feminina na operação brasileira. Segundo Melissa, a participação de mulheres na companhia sob sua gestão passou de aproximadamente 20% para mais de 30%, considerando diferentes áreas e níveis hierárquicos. “Eu acho que isso tem que continuar”, afirma.
Além disso, a executiva destaca a importância de criar ambientes nos quais as mulheres possam construir carreira sem abrir mão de suas escolhas pessoais. Para ela, dois fatores fazem diferença nesse processo. Ou seja, uma rede de apoio e uma empresa que mantenha as portas abertas para o crescimento profissional.
Novo desafio começa pela adaptação cultural
Agora, o primeiro desafio de Melissa será conhecer a equipe, os processos e a cultura da operação portuguesa. A executiva reconhece que deixará para trás um ambiente no qual acumulou nove anos de experiência e no qual conhece profundamente os produtos, clientes, fornecedores e processos.
“Eu tenho nove anos de atuação na planta de Itatiba. Todo mundo me conhece, todo mundo sabe meu jeito de comunicar”, diz.
Além disso, a cultura de gestão portuguesa deverá exigir uma adaptação. Melissa afirma que gosta de circular pela fábrica, conversar diretamente com operadores e manter contato próximo com diferentes áreas. “Eu rodo em todos os lugares. Converso com todo mundo. Para mim, isso é uma ferramenta enorme”, explica.
Por isso, a executiva considera a comunicação e a proximidade com as equipes um dos principais pontos de atenção no início da nova missão.
Brasil como ponto de partida
Apesar da mudança para a Europa, Melissa leva para Portugal uma experiência construída em uma operação brasileira que passou por crescimento, transformação cultural e aumento da participação feminina. Agora, o objetivo será aplicar essa experiência em uma fábrica maior, com um portfólio que combina tecnologias de combustão e eletrificação.
“Eu adoro um desafio. Então, de desafio, acho que eu vou estar bem por vários anos”, brinca.















