Biometano avança no Brasil com investimentos em produção e infraestrutura

Produção crescente, operações em larga escala e novos corredores de abastecimento mostram que o biometano entrou na agenda do transporte

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O biometano deixou de ser uma promessa para se tornar realidade em diversas operações de transporte pesado. Durante o CIBiogás Conecta Transporte Pesado, empresas de diferentes elos da cadeia apresentaram projetos que já substituem milhões de litros de diesel e apontaram que o próximo desafio será ampliar a infraestrutura de abastecimento e criar condições para acelerar a renovação da frota.

A Copersucar lidera esse movimento. Segundo Rodrigo Lima, diretor de logística e operações da companhia, duas usinas da Cocal já produzem biometano e outras unidades avançam no processo de implantação. O potencial do grupo chega a cerca de 4 milhões de metros cúbicos por dia. Em outras palavras, volume suficiente para atender não apenas as operações da empresa, mas também parte do mercado.

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Operações mostram viabilidade em larga escala

Além da produção, a Copersucar opera a maior BioRota do País. Atualmente, mais de 70 caminhões movidos a biometano transportam açúcar entre usinas, terminais ferroviários e o Porto de Santos. A operação já superou 14 mil viagens, movimentou mais de 600 mil toneladas de açúcar, substituiu mais de cinco milhões de litros de diesel e evitou a emissão de milhares de toneladas de CO₂.

Entretanto, Lima ressaltou que a competitividade do biometano não depende apenas do custo do combustível. Para ele, incentivos como descontos em pedágios e condições mais equilibradas no mercado de fretes são fundamentais para ampliar a adoção da tecnologia.

Na Cocal, o combustível renovável já abastece praticamente toda a cadeia produtiva. De acordo com Murilo Sulinski, diretor comercial da empresa, o biometano movimenta caminhões, tratores , motobombas. Assim como equipamentos agrícolas e veículos responsáveis pelo transporte de açúcar e etanol. Hoje, a companhia opera mais de 170 veículos movidos ao combustível e já substituiu cerca de 20% do diesel consumido em suas operações paulistas.

Corredor verde amplia a infraestrutura

Caminhões biometano
Produção crescente, operações em larga escala e novos corredores de abastecimento mostram que o biometano deixou de ser uma aposta e entrou na agenda estratégica do transporte pesado

Enquanto a produção cresce, a infraestrutura também começa a acompanhar esse avanço. A Transjordano apresentou um case que visa fomentar a criação de um corredor verde para ampliar a oferta de abastecimento. Segundo o CEO Jordano Bessa, a empresa investiu R$ 140 milhões na aquisição de 100 caminhões a biometano e na implantação de pontos de abastecimento em Cubatão, Sumaré e Ribeirão Preto, com perspectiva de expansão para outras regiões.

O projeto recebeu apoio do Fundo Clima, do BNDES, e utilizará a estrutura da Garagem Log para oferecer abastecimento também a outras transportadoras. Assim, ampliando a disponibilidade do combustível ao longo das principais rotas de transporte de cargas.

Infraestrutura e incentivos definem os próximos passos

Além dos investimentos privados, o setor considera indispensável a participação do poder público para acelerar a transição energética. Nesse contexto, a Ultragaz reforçou que a expansão da infraestrutura de distribuição será decisiva para consolidar o mercado.

Segundo Diego Gagnotto, gerente executivo de combustíveis renováveis da Ultragaz, o transporte rodoviário concentra grande parte do consumo energético brasileiro e representa uma das maiores oportunidades de descarbonização do País. Ao mesmo tempo, o executivo destacou que o biometano oferece maior previsibilidade de custos, menor volatilidade em relação ao diesel e menor exposição às oscilações do mercado internacional de petróleo.

Por fim, Gagnotto lembrou que o avanço observado na Europa e nos Estados Unidos ocorreu graças à combinação entre investimentos privados e infraestrutura de abastecimento. Além de políticas públicas de incentivo.