Renovar a frota continua sendo um dos maiores desafios do transporte brasileiro. Juros elevados, crédito restrito e o alto preço dos caminhões novos dificultam a vida de transportadores de todos os portes. Nesse cenário, a FPT Industrial aposta no Repower, solução que substitui a motorização original por um conjunto novo, mais eficiente e preparado para combustíveis alternativos.
Segundo o presidente da FPT para a América Latina, Bernardo Brandão, o programa permite prolongar a vida útil do veículo. Do mesmo modo, reduzi o investimento necessário para modernização da frota e, em muitos casos, acelera a descarbonização das operações.
“O cliente não precisa, necessariamente, trocar o caminhão inteiro. Em muitos casos, ele consegue instalar um motor novo, ganhar eficiência e estender a vida útil do veículo por vários anos”, afirma.
Nova motorização pode prolongar a operação por até oito anos
O Repower vai além da simples troca do motor. A solução contempla também componentes como sistema de alimentação, pós-tratamento de emissões, escapamento e outros itens necessários para adequar o veículo à nova configuração.
De acordo com Brandão, quando a estrutura do caminhão está em boas condições, a substituição da motorização pode acrescentar cerca de oito anos de operação ao veículo. Além disso, o executivo destaca que a economia chega a aproximadamente 30% a 35% em comparação com a compra de um caminhão novo. Embora o percentual varie conforme cada projeto.
Cada conversão passa por uma análise técnica individual. O tipo de aplicação, o estado do veículo e a tecnologia embarcada determinam a viabilidade da adaptação.
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Conversão para gás impulsiona estratégia de descarbonização
Hoje, o principal foco do Repower está na conversão de motores diesel para gás natural ou biometano.
Assim, a iniciativa atende principalmente frotistas que têm acesso ao combustível em condições competitivas. Como, por exemplo, empresas que produzem o próprio biometano ou operam em regiões com infraestrutura de abastecimento consolidada.
Nesses casos, além da redução das emissões de CO₂, o transportador consegue diminuir o custo operacional e melhorar o custo total de propriedade (TCO).

“O programa faz mais sentido para quem tem acesso ao gás de forma competitiva. São empresas que conseguem aproveitar melhor o potencial econômico da tecnologia”, explica Brandão.
Euro 5 concentra maior potencial para adaptação
Embora a FPT consiga desenvolver projetos para diferentes veículos, os caminhões Euro 5 representam hoje o público com maior facilidade de adaptação.
Segundo o executivo, modelos Euro 3 ainda podem receber a nova motorização. Mas exigem intervenções maiores na arquitetura eletrônica. Já veículos anteriores ao Euro 3 apresentam limitações técnicas que tornam a conversão economicamente pouco atrativa.
A compatibilidade eletrônica, os sistemas de gerenciamento do motor e a integração com transmissão e demais módulos eletrônicos determinam o grau de complexidade da instalação.
Repower também atende veículos de outras marcas
Um dos diferenciais da FPT está na atuação como fornecedora aberta de powertrain. Isso significa que o Repower não se limita aos veículos equipados originalmente com motores da empresa.
Por essa razão, a fabricante já realiza adaptações em caminhões, ônibus, máquinas agrícolas e equipamentos industriais de diversas marcas. Segundo Brandão, existem casos em que clientes substituíram motores concorrentes por propulsores FPT após buscarem maior desempenho e eficiência operacional.
Em máquinas agrícolas, por exemplo, há projetos que trocaram motores menores por propulsores de maior cilindrada. Assim, elevando significativamente a produtividade do equipamento.
Rede especializada garante engenharia e homologação
A operação ocorre por meio de aproximadamente 150 pontos de atendimento na América Latina. Parte dessa rede funciona como Installation Center, unidades especializadas em engenharia de aplicação.
Além da instalação, esses centros desenvolvem toda a calibração eletrônica, integração dos sistemas, documentação técnica e homologação da nova configuração do veículo. O serviço também conta com garantia de fábrica quando realizado dentro da rede autorizada.
Programa deve crescer com envelhecimento da frota
Embora ainda exista resistência cultural por parte de alguns transportadores, Bernardo Brandão acredita que o Repower tende a ganhar espaço nos próximos anos.
A combinação entre frota envelhecida, dificuldade para renovar veículos e necessidade crescente de reduzir emissões cria um ambiente favorável para soluções intermediárias entre manter um caminhão antigo ou investir em um veículo zero-quilômetro.
Seja como for, para a FPT, o Repower representa justamente uma alternativa de modernizar a frota existente, bem como reduzir emissões e aumentar a competitividade das empresas. E sem exigir um investimento equivalente ao de uma renovação completa.

















