Alcoa busca logística sustentável

225

Transul é parceira da Alcoa

Transul é parceira da Alcoa

O compromisso com as práticas sustentáveis ganha cada vez mais adeptos entre empresas. A iniciativa ainda não abrange todos os segmentos da economia, embora os resultados demonstrem que, além dos ganhos ambientais, há os operacionais também. Mas a decisão só é viável quando se pode contar com todos os elos da cadeia logística, desde a produção até o destino final.

Um bom exemplo de empresa sustentável é a Alcoa, líder mundial na produção de alumínio primário, desde a mineração de bauxita até a transformação. Embora a política de sustentabilidade da Alcoa englobe todos os modais, o transporte rodoviário de cargas é o que tem maior impacto na cadeia logística. Segundo Hércules Schwether, gerente corporativo América Latina da Alcoa, por integrar uma grande operação de escoamento de matéria prima e produto acabado. Para atingir um nível de relacionamento afinado com os parceiros e tê-los como copartícipe de boas práticas, é preciso manter todo um processo de aferição que inclui questionários, métricas, visitas técnicas e auditorias.

“O processo de contratação de transportadoras é mais rigoroso que no transporte marítimo e ferroviário devido às características operacionais desse modal”, explica Schwether. O gestor técnico da área seleciona os principais players do mercado, entre pequenas, médias e grandes empresas, e os submete a um crivo cerrado para avaliar os quesitos técnicos e socioambientais.

A etapa de qualificação adentra mais fundo em conceitos e regras pré-definidas, para apurar informações que podem determinar a contratação ou não de uma transportadora. Depois disso, definem-se os indicadores de desempenho que serão avaliados mês a mês, com destaque para os pontos favoráveis e desfavoráveis, bem como os acidentes e o roubo de cargas, por exemplo. “Para evitar a contratação de empresas com risco de violação aos direitos humanos, a companhia realiza consultas prévias à lista do Ministério do Trabalho, aplicando questionários específicos sobre o tema e verificando documentos que evidenciem o respeito a estas leis”, detalha o executivo.

No processo de contratação, a Alcoa analisa as capacidades técnica, administrativa e comercial das empresas de transporte e, na pré-seleção, após o diagnóstico feito pela gerenciadora de risco e seguradora, é que são feitas as visitas técnicas. Nessa ocasião, é oportuno conhecer com mais detalhes o sistema de qualidade, os controles e processos de trabalho das empresas, inclusive os programas ambientais e as regras de contratação de autônomos.

Dentre os itens exigidos das transportadoras estão: check list dos pneus, validade da carta de motorista, uniforme, apresentação, EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual), extintores, itens do veículo (retrovisores, triângulo de segurança, macaco, chave de rodas), tacógrafo, alarme de ré dos veículos, entre outros.

Como também é signatária do programa “Mão Certa”, a Alcoa avalia se seus fornecedores e agregados têm iniciativas para a orientação de motoristas e autônomos parceiros sobre a exploração sexual, um ponto de honra para a mineradora. Outro aspecto relevante é que a frota de parceiros atenda às premissas de menor custo, incluindo a composição, no caso os implementos. “Quem infringe as cláusulas previstas em contrato pode passar por readequação ou até ser descredenciada. Em 2012, não houve registro de descumprimento de direitos humanos”, diz Schwether.

NÚMEROS

No ano passado foram aferidas 76 empresas e 28 auditadas in loco, incluindo os terceirizados e, em especial, os do interior das regiões Norte e Nordeste, onde não há tanta mão de obra. Atualmente, a Alcoa mantém em seu elenco 57 transportadoras, sendo 9 grandes, 25 médias e 23 pequenas. A frota total disponível é de 647 conjuntos entre caminhões e carretas. Com relação à frota, a Alcoa orienta os parceiros a atuarem com caminhões mais novos para que tenham custos reduzidos e melhores resultados ambientais e operacionais.

Entre os implementos a maioria é formada por semirreboques bitrem sider com eixos distanciados. “Nosso perfil é 100% de carga lotação, então preferimos caminhões de maior capacidade para otimizar o transporte, com carretas tipo vanderleia. Mas dependendo do trajeto, podemos usar, truque, toco e outros”, detalha. Nas contas do executivo são realizados 5 000 embarques por mês pela frota rodoviária. Ao todo, a Alcoa tem cerca de 3 000 rotas rodoviárias entre as seis unidades produtivas e três escritórios, distribuídos no Maranhão (São Luís), Minas Gerais (Poços de Caldas), Pará (Juriti), Pernambuco (Itapiçuma e Suape), Santa Catarina, São Paulo (Capital e Guarulhos) e Distrito Federal.

Outros modais partilham de toda a operação logística, como os seis navios cargueiros Panamax, mais os terceirizados, carregados de bauxita que seguem pelo Rio Trombetas (PA) rumo a Juriti (PA) e de lá por cabotagem para Suape (PE), além da ferrovia de São Luís para o Sudeste.

A Alcoa opera na cabotagem a partir do Porto de Suape para o Sudeste. Esses dois modais estão sendo desenvolvidos para incrementar o escoamento de produtos “conteinerizados” direto para os clientes. A rota do Rio Trombetas (PA) a Juriti (PA) flui bauxita através de companhias marítimas terceirizadas.

O executivo comenta que a logística da Alcoa está mudando. Desde janeiro a Alcoa agrega outros quesitos de avaliação com direito a bônus para motoristas atentos. Entre eles contam os indicadores de transporte, acidentes, riscos, roubos, furtos etc. Esses dados servirão de parâmetro para mais uma premiação interna: o “Fornecedor Logístico”. Isso é o que a transportadora Transul, parceira há mais de duas décadas, já faz.

Desde 2013, as empresas participantes tiveram o seu desempenho analisado em relação a pares do mesmo setor da economia e foram destacadas por seu desempenho nos temas: governança da sustentabilidade, direitos humanos, relação com a comunidade, relação com fornecedores, gestão da água, gestão da biodiversidade e gestão de resíduos.

Junto com a Alcoa por 23 anos, desde a instalação da fábrica na capital maranhense, a Transul, cuja matriz fica em São Luís (MA), coleciona méritos por ter acompanhado os passos de sua cliente com relação à eficiência e transporte sustentável. “E a parceria só tem crescido com a missão da Alcoa com relação à sustentabilidade. Aprendemos muito”, diz Benedito Ferreira, diretor-presidente.

A transportadora atende a Alcoa em consórcio com a Alumar com um time de 50 funcionários de logística dos 400 que possui, além de mais 150 motoristas. Caso faltem profissionais numa emergência, a Transul mantém em seu quadro mais 300 motoristas autônomos. Somente da sua matriz para São Paulo, a Transul carrega para a Alcoa 150 000 toneladas de produtos por ano em média. A operação envolve em torno de 5 000 caminhões por ano. “Temos a meta de tolerância zero em termos de segurança. Então nosso treinamento é contínuo e seguimos as ordens da cliente à risca, por isso nossa parceria já dura mais de duas décadas”, diz Ferreira.

A plataforma tem procedimentos fechados e exigências que se estendem a todos os profissionais parceiros. O motorista, ao ser admitido, precisa ter registro CLT, ter plano de saúde (com exames físicos atualizados), boa apresentação, habilitação para o transporte de resíduos, porque envolve riscos, além de passar pelo crivo da gerenciadora de riscos. As transportadoras têm ISO 14000 e agora, o Sassmaq também.

A frota envolvida é de 250 caminhões próprios (90% da marca Scania 420 e o restante das fabricantes Volvo e Iveco). Eles rodam 144 000 km por ano acoplados a carretas carga seca, porta-contêiner, bitrem e extensiva (para bobinas). Ferreira se orgulha da trajetória da empresa.