Cummins completa 70 anos e lança novos eixos para caminhões e ônibus

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A Cummins completa 70 anos de produção de eixos em Osasco (SP) em um momento de transformação do mercado de veículos comerciais. A unidade, que já produziu mais de 9 milhões de eixos ao longo de sua história, amplia a fabricação nacional e prepara novos produtos para caminhões rodoviários, mineração e veículos elétricos.

A operação passou por um ciclo de modernização nos últimos anos, com expansão da área produtiva, automação, digitalização e investimentos em engenharia. Todavia, agora, a companhia utiliza essa estrutura para ampliar o portfólio de produtos desenvolvidos no Brasil.

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“Os 70 anos representam um marco importante da nossa história. Tecnologias mudaram, processos evoluíram e produtos se transformaram, mas o compromisso com as pessoas permaneceu no centro de tudo o que fazemos”, afirma Kleber Assanti, diretor-geral da Divisão de Eixos da Cummins.

Mercado ainda depende do caminhão convencional

Mas apesar do avanço da eletrificação, a Cummins considera que o caminhão com motor a combustão continuará predominante no Brasil por muitos anos. Por isso, a divisão trabalha simultaneamente em produtos para diesel, eletrificação e redução do consumo de combustível.

A estratégia acompanha um mercado de caminhões que ainda enfrenta oscilações. Ao mesmo tempo, segmentos como agronegócio, transporte rodoviário de longa distância e mineração sustentam a demanda por veículos mais robustos.

“Cada vez mais vão existir diferentes demandas. Por isso, precisamos estar preparados para diferentes tecnologias e aplicações”, explica Rafael Souza, diretor de Produto e PMO da Divisão de Eixos da Cummins.

A empresa também vê espaço para crescimento no mercado de reposição. Segundo dados apresentados pela companhia, a divisão de eixos registrava crescimento de cerca de 20% no aftermarket em 2026, embora a empresa considere que o resultado do ano deve se acomodar após um primeiro semestre mais forte na comparação anual.

O mercado de reposição ganhou relevância para a divisão nos últimos anos. Em 2024, as vendas de peças da área cresceram 16%, segundo dados divulgados anteriormente pela Cummins.

Produção nacional ganha novos produtos

Entre as novidades está o MD-160, primeiro diferencial anterior para aplicações 6×4 rodoviárias produzido no Brasil pela operação de Osasco. O produto começou a ser fabricado em junho.

A nacionalização atende principalmente caminhões utilizados no transporte de longa distância e no agronegócio. Além de reduzir a dependência de importações, o componente amplia a capacidade da fábrica para futuras plataformas tandem.

“A nacionalização significa mais flexibilidade para os clientes e menor exposição a câmbio, fretes internacionais e problemas na cadeia global”, afirma Rafael.

Outra novidade é o MT-610, desenvolvido para caminhões 8×4 de mineração. O eixo suporta até 38 toneladas de carga vertical, capacidade que o coloca como o mais robusto já produzido pela operação. O projeto também oferece três relações de redução para diferentes condições de mina.

Elétricos exigem novos eixos

A Cummins também prepara dois produtos específicos para veículos elétricos. O MS-14X será utilizado em caminhões de até 17 toneladas, principalmente em aplicações urbanas. O projeto recebeu reforços nos rolamentos, no conjunto de coroa e pinhão e outros componentes internos para lidar com o torque instantâneo e a frenagem regenerativa. A produção começa em janeiro de 2027.

Para ônibus elétricos de até 22 toneladas, a empresa desenvolveu o MC-17X. O eixo utiliza componentes reforçados e solda a laser, que permite eliminar fixadores e reduzir aproximadamente 20 kg do conjunto. A produção está prevista para julho de 2027.

“O veículo elétrico muda completamente a dinâmica de esforços. O torque é instantâneo e a frenagem regenerativa também exige o eixo em uma condição diferente. Por isso, precisamos reforçar os componentes mais solicitados”, explica Rafael.

Eixo busca economia de diesel

Enquanto desenvolve componentes para elétricos, a Cummins também aposta em ganhos de eficiência nos caminhões convencionais.

O MT-17XHE, para aplicações 6×4, inaugura a nova família High Efficiency. O eixo trabalha em três frentes: lubrificação, rolamentos e engrenagens, com o objetivo de reduzir as perdas mecânicas entre o motor e as rodas.

Os testes apontaram ganho de aproximadamente 2% de eficiência em relação à geração anterior.

Em uma operação de 100 mil quilômetros anuais, a Cummins estima economia de cerca de 1.090 litros de diesel por caminhão. Em uma frota de 500 veículos, o potencial ultrapassa 545 mil litros por ano.

“Quando olhamos para um eixo que existe há décadas e repensamos como o óleo, os rolamentos e as engrenagens trabalham, conseguimos entregar mais energia às rodas. Isso significa economia de combustível e redução do custo total da operação”, afirma Rafael.

A produção do MT-17XHE está prevista para julho de 2027.

Osasco vira polo de desenvolvimento

A modernização da fábrica acompanha uma mudança no papel da operação brasileira dentro da Cummins. A unidade passou a participar de projetos globais e a desenvolver soluções específicas para as condições brasileiras.

Entre 2020 e 2023, a fábrica ganhou 12 mil m² de área produtiva, novas linhas de montagem e um armazém vertical automatizado. A empresa também ampliou o uso de sensores, inteligência artificial e sistemas de monitoramento dos processos.

“Hoje temos uma integração global muito maior. O Brasil participa do desenvolvimento e consegue colocar dentro dos projetos as necessidades das nossas aplicações”, diz Rafael.

Assim, ao completar sete décadas, Osasco deixa de representar apenas a história da produção de eixos no Brasil e passa a ocupar um papel estratégico na próxima geração de componentes para veículos comerciais.

A Cummins pretende ampliar a família de alta eficiência nos próximos anos, incluindo o 18XHE, para aplicações 6×2. A estratégia é manter um portfólio que acompanhe tanto a evolução dos caminhões convencionais quanto a eletrificação do transporte.