Mercedes-Benz projeta novidades para 2016

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Precisamos estar preparados para quando o mercado brasileiro voltar a crescer”, anuncia o presidente da Mercedes-Benz do Brasil e CEO América Latina, Philipp Schiemer, ao apresentar as novidades da marca para a linha 2016. O mercado de caminhões em geral caiu 43,9 % e a Mercedes-Benz, 42,9%. Quem estiver mais preparado poderá ter um 2016 um pouco melhor que 2015, já que as análises especializadas dizem que o mercado de caminhões no Brasil somente voltará aos patamar de 2014 em 2020, tal foi o estrago feito na economia brasileira neste ano.

 

O maior destaque da Mercedes-Benz é o facelift na linha Actros, que conta com nova versão e novo motor. Para ter maior conteúdo nacional e menor dependência de importação de componentes a empresa preferiu a plástica do que trazer o New Actros comercializado na Europa e já flagrado em teste no Brasil. Outra novidade da marca é o inédito (no Brasil)  comercial leve Vito em três versões, uma de carga e duas de passageiros. “Do Vito ao Actros, nosso portfólio oferece veículos de 1 a 500 toneladas de capacidade”, ressalta Schimer. O de 500 toneladas de CMT (Capacidade Máxima de Tração) é o importado Actros 4160 SLT para o transporte de cargas indivisíveis.
 
Entre os lançamentos para a linha 2016, ainda há quatro novos modelos: Atego 3030 8×2, Atego 3026 8×2, Atego 2730 6×4 e o primeiro Accelo médio 1316 6×2. Confira nas próximas seis páginas os detalhes dessas novidades da Mercedes-Benz para conquistar mais clientes e tirar a liderança de mercado da MAN Latin America.

Actros
Seguindo uma estratégia diferente de Scania e Volvo, a Mercedes-Benz faz uma plástica no extrapesado Actros e deixa o New Actros para lançar mais à frente. Volvo e Scania, como marcas que trabalham com produtos mais premium, mantêm os seus modelos atualizados no mesmo patamar que os vendidos na Europa. A diferença fica por conta das diferenças de legislação, como, por exemplo, Euro 6 lá e Euro 5 aqui. 

O New Actros já foi flagrado em teste no Brasil, porém será para um lançamento futuro, pois há muito trabalho há ser feito para adaptá-lo às péssimas estradas brasileiras. Assim, a empresa preferiu trabalhar na nacionalização de conteúdo do atual Actros. O Actros 2016 pode não ser o New Actros, mas nem por isso deixa de apresentar muitas novidades e pode até ser chamado de “O Actros Brasileiro”. A renovação do modelo foi toda feita no Centro de Desenvolvimento Tecnológico da Mercedes-Benz, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP). 

A cabine teve bastantes modificações. O conjunto dos faróis é novo e feito de modo modular para permitir substituição de partes em vez dele por inteiro e assim diminuir custos de reparação. Outra novidade na parte de iluminação é o DRL (Day Running Light ou Farol de Rodagem Diurna). Completando a parte de luzes, o modelo conta com luzes de posição em LED no teto e no para-sol. Mas o que mais vai chamar a atenção à noite nas estradas é o novo logo de três estrelas maior e com iluminação (quando os faróis estão aceso), componente copiado do New Actros. Além disso, a cabine ganhou novos defletores de ar nas laterais da grade frontal, spoiler integrado ao novo para-choque. Internamente, o Actros ganhou novo painel de instrumentos com display de 4 polegadas, tela colorida e novo design dos mostradores.

No trem de força, a novidade fica por conta do motor OM 460 LA de 13 litros, 510 cv de potência e torque de 244,7 mkgf, que passa a ser o mais potente produzido pela Mercedes-Benz no Brasil. Vale lembrar que o OM 502 LA de 551 cv é importado. O OM 460 LA tem muitas peças comuns com o motor OM 457 das outras versões do Actros e do Axor, o que reduz custos tanto para a Mercedes-Benz tanto para sua rede de concessionárias, que não precisa estocar peças para dois motores diferentes.
 
Outra novidade na gama Actros é a opção de tanques de combustível de alumínio para até 1080 litros, a maior capacidade do mercado brasileiro que, teoricamente, se o caminhão for econômico, a maior autonomia. Também começa a contar com opção de suspensão metálica nas versões rodoviárias para atender transportadores que utilizam o caminhão na maior parte do tempo em estradas de terras ou precárias (cerca de 80% das rodovias brasileiras, conforme pesquisa da Confederação Nacional do Transporte).

Atego

Os Atego 3030 8×2 e 3026 8×2 são as maiores novidades dessa família de caminhões semipesados da Mercedes-Benz. O segmento 8×2 vem crescendo no país e a Scania e a Volvo vinham desfrutando sozinhas desses mercado. Depois, a MAN Latin America lançou o VW Constellation 24.280 8×2. A Ford Caminhões também já está com o seu 8×2 pronto para ser lançado. Pela Lei da Balança, os modelos 8×2 tem PBT (Peso Bruto Total)de 29 t e são muito utilizados para o transporte intermunicial e rodoviário de curta distância.

Os Atego 3030 e 3026 têm opções de entre-eixos de 4.800 mm e 5.400 mm e o PBT técnico é de 30 toneladas. Segundo a Mercedes-Benz, há um ganho de 5 000 kg de carga útil em relação ao modelo 6×2. Assim como nos concorrentes, o Atego 8×2 tem um dos eixos dianteiros e um dos eixos traseiros eleváveis, reduzindo o desgaste de pneus quando não plenamente carregados e também com pedágio, quando permitido. O segundo eixo dianteiro também é direcional sincronizado com o primeiro eixo, como em todos os modelos 8×2 de fábrica.

Outra novidade é o Atego 2730 6×4 nas configurações basculante, betoneira e plataforma. A cabine dele traz características diferentes do rodoviário. O ângulo de entrada é de 25º e parachoque e escada são mais resistentes. A tomada de força da versão basculante é no câmbio e o modelo betoneira tem a tomada de força no motor e escapamento vertical. Já o Atego 1729 coletor de lixo passa a ter câmbio automático Allison, mantendo a caixa de marchas manual como opcional.

E para todos os modelos Atego 2016, o painel de instrumentos é novo, com display colorido de 4 polegadas e também a opção de volante com controles multifunção. Essa linha também passa a contar, também a partir de 2016, com rádio original de fábrica, com Bluetooth e entrada USB. O chassi também é novo para todos os caminhões da família Atego.

Malagrine

Accelo médio

A versão Accelo 6×2 já existia, porém, a adaptação do terceiro eixo era feita por terceiros homologados pela Mercedes-Benz. A partir da linha 2016, o Accelo 1316 passa a ser um 6×2 com suspensor pneumático original de fábrica e o primeiro caminhão médio da família Accelo.

A Mercedes-Benz é a terceira montadora do país a perceber uma tendência no mercado de caminhões com PBT entre 10 e 13 toneladas, mas menores do que os médios tradicionais para ter mais agilidade em centros urbanos.

A Ford Caminhões foi a primeira com o lançamento do Cargo 1119 com a vantagem de ter uma versão VUC. A MAN lançou recentemente o VW Delivery 13160 e agora chega o Accelo 1316, porém, sem versão VUC, pois seus entre-eixos são de 3 700 mm e 4 400 mm. Este permite carroceria de até 8 metros.

Vito

Até 2015 o menor veículo de carga da Mercedes-Benz era o furgão Sprinter 311 CDI com PTB de 3 500 kg. Agora a marca abre um novo segmento no mercado de comerciais leves com o Vito 111 CDI turbo diesel com PBT de 3 050 kg e 1 225 kg de carga útil ou 6 m3 de volume de carga. Com esse PBT, o Vito pode ser conduzido por motorista que tenham apenas a CNH na categoria B.

Fabricado na Argentina, o modelo ocupa espaço entre os furgões derivados de automóveis, como Fiat Doblò e os furgões tipo o próprio Sprinter. A empresa acredita que atenderá transportadores que precisam de mais capacidade de carga que um automóvel-furgão e mais agilidade do que um furgão Sprinter.

Com 2,25 m de largura (incluindo os retrovidores), 5,14 m de comprimento e 1,91 m de altura, o Vito 111 CDI será útil para quem precisa fazer entregas ou coletas em lugares com restrições de tamanho, como shopping centers, hotéis, prédios ou hospitais. A distância entre-eixos é de 3,2 m. Seu preço parte de R$ 104 190 (sem ar-condicionado, que é opcional). A Sprinter 311 Street, com PBT de 3 500 kg (1.433 kg de carga) parte de R$ 127 150. Como alternativas, com as mesmas características da Sprinter, a Peugeot oferece o furgão Boxer por R$ 107 190, a Fiat conta com o Ducato a partir de R$ 90 300 e a Renault oferece a Master por R$ 96 530.

O que o Vito tem e o diferencia de seus concorrentes é o seu amplo pacote de equipamentos de segurança. Apenas para citar alguns, o veículo conta com itens como sistema de monitoramento de cansaço, assistente de partida em rampa e ESP adaptativo, o programa eletrônico de estabilidade, que, inclusive, garante assistência quando o veículo está sob influência de ventos laterais. O motor do Vito 111 CDI é o MB OM 622 LA de 4 cilindros e 1,6 litro, 114 cv de potência a         3 800 rpm, com torque máximo de 27,5 mkgf entre 1 500 e 2 500 rpm. Ele terá apenas a opção da caixa de marchas manual de 6 velocidades.

A família Vito conta com van para passageiros, a van Vito Tourer 119 turbo flex, em duas versões: Comfort (R$ 129 990),  para oito passageiros mais motoristas, voltado para o segmento de fretamento, e a Luxo (R$ 139 990), para sete lugares mais motorista, mais indicada para o transporte de executivos ou uso familiar.

A versão de passageiros é equipada com motor bicombustível flex (gasolina e etanol) 2 litros, com 184 cv a 5 500 rpm e torque de 30,6 mkgf. Da mesma forma que o modelo de carga, o de passageiros também conta apenas com câmbio manual de 6 marchas. 

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Marcos Villela
Jornalista técnico e repórter especial no site e na revista Transporte Mundial. Além de caminhões, é apaixonado por motocicletas e economia! Foi coordenador de comunicação na TV Globo, assessor de imprensa na então Fiat Automóveis, hoje FCA, e editor-adjunto do Caderno de Veículos do Jornal Hoje Em Dia e O Debate, ambos de Belo Horizonte (MG).