A Regional Center Latina da Mercedes-Benz realizou um encontro entre empresárias do transporte e gestoras de frotas de caminhões de países da América Latina para apresentar as ações do programa A Voz Delas e ampliar o debate sobre a presença feminina no setor rodoviário. Embora a marca não tenha planos imediatos de levar oficialmente o projeto aos países vizinhos, o objetivo do encontro foi mostrar a iniciativa aos representantes da rede da estrela na região e incentivar a troca de experiências.
Durante o evento, empresárias e gestoras de vários segmentos tiveram a oportunidade e trocar experiências. Inclusive, executivas ligadas ao setor de mineração relataram os desafios de liderar grandes operações de transporte em um ambiente ainda marcado pelo machismo e pela escassez de motoristas profissionais. Ao mesmo tempo, destacaram avanços impulsionados pela tecnologia dos caminhões, programas de capacitação e políticas de inclusão dentro das mineradoras.
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Mineração chilena impulsiona crescimento de empresas lideradas por mulheres
Assim, entre as participantes esteve Orietta Jessica Araya Pangue, gerente-geral da Rentamaq, companhia chilena especializada em mineração. A executiva lidera uma operação com cerca de 1.200 trabalhadores, 160 caminhões e máquinas pesadas espalhadas por quatro regiões do Chile.
Segundo Orietta, a empresa nasceu pequena, com apenas sete pessoas, e cresceu acompanhando a expansão da mineração chilena. Hoje, a operação atua com caminhões, carregadeiras, retroescavadeiras, motoniveladoras, tratores e guindastes em diferentes minas do país. Além disso, são 1.200 funcionários.
A empresária assumiu a liderança do negócio após a morte do marido, há cerca de 24 anos. Desde então, passou a comandar uma operação predominantemente masculina em um dos segmentos mais exigentes do transporte.
“Foi preciso aprender caminhando. Eu não tinha experiência, mas precisei organizar, coordenar e liderar”, relata.

Ela afirma que o respeito dentro da operação depende principalmente de disciplina, organização e segurança. Além disso, destacou que a empresa já conta com mulheres motoristas e operadoras de equipamentos. Embora elas ainda representem cerca de 25% da força operacional.
Machismo ainda limita contratação de motoristas no Chile
Orietta reconhece que o Chile ainda enfrenta forte resistência cultural à presença feminina no transporte pesado. De acordo com a executiva, o machismo segue como uma das principais barreiras para ampliar a contratação de mulheres.
Ainda assim, ela acredita que a nova geração de caminhões e máquinas facilita a entrada feminina no setor. A evolução tecnológica reduziu o esforço físico necessário para dirigir e operar equipamentos pesados. Dessa forma, o atual cenário abre espaço para mais mulheres no transporte e na mineração.
Crescimento da mineração acelera compra de caminhões
Com a expansão das minas chilenas, a Rentamaq projeta crescimento entre 30% e 40% neste ano. Segundo Orietta, o aumento da demanda das mineradoras exige rápida ampliação de frota e contratação de trabalhadores.
Ademais, a empresária revelou que a companhia negocia a compra de cerca de seis novos caminhões Mercedes-Benz para atender contratos em expansão. E ressalta ainda que a escolha da marca envolve fatores ligados à segurança operacional, suporte técnico e treinamento oferecido aos motoristas e operadores.
Além disso, Orietta confirma que a empresa já avalia a adoção de caminhões elétricos para determinadas aplicações na mineração. Nesse sentido, segundo a Mercedes-Benz, empresários chilenos já compraram 10 caminhões eActros ProCabin.
MPM Transportes opera 500 caminhões e amplia presença feminina
Outra participante do encontro foi Mariel Bascur, dona da MPM Transportes, empresa chilena que também atua no transporte de mineração.
A companhia opera há 18 anos e mantém cerca de 500 caminhões e aproximadamente mil equipamentos em sua frota total. O que inclui máquinas pesadas utilizadas em projetos de mineração.
Atualmente, a MPM trabalha em regiões mineradoras como Calama, Antofagasta e Santiago. Segundo Mariel, a empresa participa de operações dentro de minas importantes do Chile.

Por isso, nos últimos anos, a companhia acelerou a renovação da frota e incorporou cerca de 100 novos caminhões Mercedes-Benz.
Empresa criou programa para formar mulheres motoristas
Mariel explica que a falta de motoristas profissionais também afeta fortemente o mercado chileno. Para enfrentar o problema, a MPM criou um programa próprio de capacitação voltado exclusivamente à formação de mulheres motoristas de caminhões basculantes.
A iniciativa recebeu cerca de 500 inscrições. Depois do processo seletivo, a empresa formou uma primeira turma com 16 mulheres. Atualmente, 15 delas já trabalham na operação da companhia dentro de mineradoras.
Segundo a executiva, o projeto envolve não apenas treinamento técnico. Mas também suporte social e psicológico para garantir adaptação à rotina da mineração, marcada por escalas como 14×14 e longos períodos longe de casa.
Mariel afirmou que as mulheres demonstram elevado nível de cuidado com os caminhões, atenção aos alertas eletrônicos dos veículos e forte comprometimento operacional. “As mulheres mantêm os caminhões impecáveis e estudam muito a operação dos equipamentos”, completa.
Inclusão feminina melhora ambiente operacional
A empresária chilena acredita que a inclusão feminina gera impactos positivos dentro e fora das empresas. Nesse sentido, segundo ela, mulheres economicamente independentes fortalecem suas famílias e comunidades.
Além disso, Mariel destaca que a presença feminina melhora o ambiente de trabalho nas operações de mineração. Do mesmo modo, estimula maior profissionalização das equipes.
Ela também defendeu que o Chile vive uma transformação gradual na participação das mulheres em cargos de liderança e operações pesadas.















