A Dunlop anunciou que vai produzir pneus de carga voltados a caminhões elétricos, considerando as exigências específicas desse tipo de veículo. Entre os fatores avaliados estão o maior peso, o índice de velocidade e a redução de ruído. Segundo Fábio Torres Klabacher, gerente nacional de vendas e marketing da fabricante, a previsão é disponibilizar soluções a partir de 2027.
A empresa acompanha as demandas das transportadoras e busca antecipar as necessidades do mercado. Além dos elétricos, as soluções poderão atender outras aplicações, desde que respeitem as especificações de carga, dimensão e velocidade de cada pneu.
Tecnologia na fabricação
Na fábrica de Fazenda Rio Grande (PR), a Dunlop utiliza o sistema TAIYO, que aplica a borracha de forma contínua durante uma etapa da fabricação, sem a emenda convencional nesse processo. A tecnologia contribui para a uniformidade estrutural do pneu e seu balanceamento.
A composição também exige diferentes formulações de borracha. Enquanto um pneu de passeio pode utilizar mais de 25 compostos, conforme os requisitos técnicos da aplicação.
Outro ponto importante é a construção da carcaça, especialmente no transporte rodoviário de cargas. A resistência estrutural favorece o reaproveitamento por meio da recapagem, desde que as condições de uso, manutenção e inspeção permitam. A Dunlop também analisa carcaças de frotas para avaliar o desempenho dos pneus e identificar oportunidades de redução do custo por quilômetro.
Ensaios avaliam desempenho
Além da tecnologia aplicada à fabricação, a empresa conta com um laboratório de ensaios na unidade paranaense, acreditado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Dessa forma, a estrutura permite realizar avaliações conforme métodos técnicos padronizados e dentro do escopo da acreditação.
Os ensaios ajudam a verificar características como resistência ao rolamento, durabilidade e frenagem. Um exemplo apresentado pela fabricante é o pneu de passeio ENASAVE EC350+, na medida 205/60R16 92H. Em teste de resistência ao rolamento realizado conforme a norma ISO 28580, o modelo registrou resultado 18% inferior ao concorrente de mesma medida.
Seja como for, segundo os dados divulgados pela Dunlop, essa diferença pode representar potencial de redução de 4,7% no consumo de gasolina e de 150 a 180 quilos nas emissões anuais de CO₂, em uma estimativa conceitual. Todavia, o benefício real depende do veículo e das condições de utilização.
Em outro ensaio, conduzido pela TMT Engenharia Automotiva em maio de 2024, o ENASAVE EC350+ apresentou desempenho de quilometragem 17,4% superior ao pneu de referência. Em outras palavras isso é o equivalente a 12.888 quilômetros adicionais na estimativa de vida útil utilizada no teste.
Mercado sob pressão
Seja como for, apesar dos investimentos em desenvolvimento e controle de qualidade, a Dunlop enfrenta um cenário desafiador no Brasil. Torres afirma que as vendas em 2026 estão abaixo das registradas em 2025 e que a companhia acumula o maior estoque de sua história. Entre os fatores que pressionam o mercado, ele aponta a entrada de pneus importados.

Nesse contexto, a empresa busca manter a fábrica em operação contínua, com três turnos, para preservar o ritmo produtivo. Assim, quer evitar o aumento dos custos unitários. A unidade de Fazenda Rio Grande tem capacidade instalada para produzir cerca de 2,2 mil pneus de carga por dia.
A expansão mais recente recebeu investimento de R$ 1,1 bilhão concluídos em 2024. Os recursos permmitiram ampliar a capacidade de produção de pneus de passeio e de carga. Por enquanto, segundo Torres, a prioridade é estabilizar as vendas e os estoques antes de definir um novo ciclo de investimentos.
Presença na Fenatran
Na Fenatran, a Dunlop na Fenatran ainda não trará novidades para a eletrificação. Mas quer reforçar a aproximação da fabricante com transportadoras, frotistas e demais profissionais do transporte rodoviário de cargas.
Segundo Torres, o evento também representa uma oportunidade para apresentar tecnologias, discutir demandas do mercado de pneus comerciais e acompanhar as tendências que devem influenciar as decisões de compra e a operação das frotas.
















