O setor de transporte rodoviário de cargas e passageiros avançou na pauta da diversidade com a realização do 1º Encontro Nacional de Mulheres Motoristas. O evento, promovido pela Fabet, reuniu profissionais do setor, empresas e lideranças para discutir os desafios e as oportunidades para ampliar a presença feminina na atividade.
Ao mesmo tempo, os debates deixaram claro que o interesse das mulheres pela profissão já existe. Mas o setor ainda enfrenta entraves estruturais e culturais que limitam o acesso e a permanência dessas profissionais.
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Acesso ao primeiro emprego segue como principal barreira
De acordo com Salete Marisa Argenton, gerente geral da Fabet, o maior obstáculo está na entrada no mercado. “Um dos principais obstáculos enfrentados pelas mulheres é justamente a dificuldade de acesso à primeira oportunidade profissional”, afirma.
Além disso, ela ressalta que os desafios também estão dentro das empresas. “As dificuldades de inclusão muitas vezes aparecem em processos de recrutamento, seleção, contratação e desenvolvimento”, explica. Nesse sentido, a executiva destaca que a inclusão exige mudança de mentalidade, já que o setor ainda mantém uma cultura majoritariamente masculina.
Infraestrutura e cultura ainda limitam avanço

Durante o encontro, participantes também apontaram questões práticas da rotina nas estradas. A falta de pontos de parada seguros, banheiros adequados e ambientes mais acolhedores impacta diretamente a decisão de muitas mulheres.
Todavia, a cultura do setor ainda afasta novas profissionais. Diante disso, iniciativas de visibilidade ganham importância. Presente no evento, a cantora e influenciadora Sula Miranda defendeu a ampliação da presença feminina em diferentes áreas. “É fundamental incentivar a participação não só como motorista, mas também na logística e na gestão”, destacou.
Empresas ampliam ações, mas cobram continuidade
Enquanto isso, transportadoras começam a rever estratégias. Joyce Bessa, diretora de estratégia e gestão da Transjordano, afirma que a inclusão precisa ser tratada como investimento. “Existe uma falta de motoristas no mercado, e as mulheres são parte da solução. Mas é preciso investir em treinamento e desenvolvimento”, diz.
Na mesma linha, Danieli Tenório, supervisora de logística da Bracell, destaca a aposta em formação e acompanhamento. “Hoje está mais difícil encontrar motoristas do que reter. Por isso, investimos em qualificação e gestão humanizada”, afirma.
Já na Budel Transportes, programas de capacitação e metas de diversidade começam a gerar resultados. Segundo Daiane Chagas, a empresa prioriza a formação e a valorização profissional. “Buscamos mulheres nesses projetos porque elas apresentam alto desempenho e cuidado com a operação”, explica.
Motoristas reforçam importância da oportunidade
Do lado das profissionais, os relatos mostram que o interesse existe, mas depende de abertura do mercado. A motorista de caminhão Liz Macedo afirma que “a mulher já tem coragem. O que falta hoje é oportunidade”.
Com mais de 15 anos de experiência, a motorista Maria José do Nascimento Moura reforça os benefícios da profissão. “Minha vida mudou completamente. É uma atividade que traz crescimento e independência financeira”, relata.
Escassez de mão de obra acelera debate
Por fim, o encontro destacou um ponto estratégico que é a falta de motoristas no Brasil. Nesse cenário, ampliar a participação feminina deixa de ser apenas uma pauta de diversidade e passa a ser uma necessidade para o setor.
Assim, a conclusão do evento aponta um caminho claro. Ou seja, as empresas precisam investir em formação, revisar processos e criar oportunidades reais. Ao mesmo tempo, será necessário avançar na cultura e na infraestrutura para garantir que mais mulheres entrem, permaneçam e cresçam no transporte rodoviário.
















