O que antes ia para o descarte agora movimenta caminhões nas estradas brasileiras. Essa é a proposta do Rota Verde, projeto criado pela transportadora IBOR, de Juiz de Fora (MG), que transforma óleo de cozinha usado em biodiesel 100% vegetal para abastecer a própria operação logística.
A empresa começou a desenhar a iniciativa em 2024, avançou para a fase de testes e agora colocou o projeto em operação. Com isso, a IBOR se posiciona como a primeira transportadora do Brasil a produzir e utilizar biodiesel próprio a partir de óleo de cozinha reciclado.
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Segundo o diretor da IBOR, Guilherme Bordin, a proposta reúne sustentabilidade, reaproveitamento de resíduos e redução concreta das emissões no transporte.
“O conceito é simples: o óleo sai da cozinha e volta para a estrada em forma de combustível”, resume.
Da coleta ao tanque
A operação começa com a coleta de óleo usado em restaurantes, bares e residências. Em seguida, a equipe leva o material para a usina da própria empresa, onde faz o tratamento e transforma o resíduo em biodiesel B100.
Para viabilizar o projeto, a IBOR construiu uma usina de 600 metros quadrados dentro do próprio pátio, com capacidade para produzir até 100 mil litros de biodiesel por mês.
Depois do processamento, a empresa abastece a chamada Frota Verde, que hoje opera com 20 caminhões.
Agora, a transportadora quer acelerar esse crescimento. Segundo Bordin, a meta é ampliar a operação para 30 veículos até o fim de 2026 e chegar a 100 caminhões movidos a biodiesel até 2030.
Atualmente, a IBOR conta com uma frota total de 550 caminhões.
Menos emissões e mais preservação
Além de criar uma nova destinação para um resíduo altamente poluente, o projeto já apresenta números expressivos no campo ambiental.
Hoje, a empresa recicla cerca de 460 mil litros de óleo de cozinha por ano. Dessa forma, evita o descarte irregular e protege aproximadamente 11,4 bilhões de litros de água.
Ao mesmo tempo, a operação reduz em 94,6% as emissões de CO₂ em comparação ao diesel convencional. Na prática, isso representa cerca de 1.231 toneladas de dióxido de carbono que deixam de ser lançadas na atmosfera anualmente.
Além disso, o uso do biodiesel também diminui a emissão de poluentes nocivos à saúde, como material particulado e gases associados a doenças respiratórias.
Volvo FH B100 Flex reforça a operação
Parte dessa estratégia sustentável roda com caminhões Volvo FH B100 Flex, desenvolvidos para operar com biodiesel puro (B100).
Hoje, dez unidades atuam em diferentes rotas no Sudeste e reforçam o avanço da empresa na descarbonização do transporte.
Com isso, a IBOR reduz a dependência de combustíveis fósseis e fortalece um modelo de economia circular ainda raro no transporte rodoviário brasileiro.
Mais do que uma alternativa energética, o Rota Verde mostra como inovação, logística e sustentabilidade podem caminhar juntas e aponta um caminho possível para o futuro do transporte de cargas no País.














