High Sleeper recebe motor DTI-13 de 480 cv

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Parte de um projeto renovador, chamado  R/Evolution, a nova gama Renault T foi encarregada de substituir os míticos Magnum e Premium Rota. A tarefa não foi fácil, já que não se trata de um simples facelift, mas sim da criação de uma nova família de caminhões pesados de longas distâncias rodoviárias.

A primeira gama consistia em evidenciar a marca nessa categoria, oferecendo dois produtos. A segunda, não menos importante, chega para definir estética, imagem e personalidade próprias que diferenciam o Renault T dos demais produtos de mesma categoria que existem no mercado. Nos caminhões T, os designers da marca francesa apostaram em uma nova cabine que rompe drasticamente com o passado da fabricante e que serve para marcar um presente sem complexos, carregado de originalidade e com identidade, ao contrário do que foi pensado inicialmente.

Não se pode negar que a presença de um Renault T na estrada não passa despercebida, levando-se em conta o seu desenho agressivo que imprime respeito e desperta curiosidade ao transmitir a imagem de um conjunto compacto. As características desse cavalo mecânico se encaixam dentro da necessidade do transporte pesado de longa distância, por trazer uma cabine topo de linha, a High Sleeper com motor DTI 13.

ALMA SUECA
A Renault Trucks emprega em sua gama T um trem de força fornecido pela Volvo. Neste caso, trata-se de um bloco de 12,8 litros, com potência de 480 cv – cavalagem razoável e das mais compradas pelos transportadores, levando-se em conta que se trata de um veículo que deve responder às exigências do transporte de longas distâncias rodoviárias.


Essa evoluída planta motriz consegue os valores Euro 6 graças ao sistema SCR (AdBlue), com catalisador, filtro de partículas e um sétimo injetor localizado na saída do turbo e que faz as vezes de um sistema de pós-combustão. Essa solução técnica já conta com alguns adeptos, contudo aumenta o consumo de ureia, mas, por outro lado, se obtém uma melhor regeneração do motor.

O bloco do motor conta com sistema de alimentação de 4 válvulas por cilindro, e nela se alojam os injetores-bomba que conseguem pressão de 2 400 bares – suficientes para otimizar ao máximo o processo de combustão. O mapa de controle eletrônico desse propulsor permite entregar uma potência máxima de 480 cv de forma contínua entre 1 400 e 1 800 rpm. O torque é de 245 mkgf de 950 a 1 400 rpm. Está equipado com freio-motor de descompressão Optibrake+, que entrega 520 cv de capacidade de frenagem.

Para o câmbio, a Renault elegeu uma variação personalizada da Volvo I-Shift, batizada pela grife francesa de Optidriver. Essa caixa é automatizada e está adequada às necessidades da gama T. Possui 12 velocidades e a função ponto morto em inércia (uma espécie de banguela controlada eletronicamente) denominada Optiroll. A caixa vem de série com um retarder hidráulico integrado, componente com potência de frenagem de 600 cv que permite ao veículo enfrentar qualquer declive sem a necessidade de utilizar o freio de serviço. O grupo de simples redução apresenta uma relação mais ampla, de 2,64:1, que se complementa com o 1:1 da caixa de câmbios e o perfil 70 dos pneus. A relação final permite rodar a 90 km/h a um regime de 1 275 rpm.

Esse cavalo da Renault dispõe de uma suspensão pneumática integral, com dois bolsões no eixo dianteiro e quatro no eixo traseiro, oferecendo mais conforto ao motorista a bordo da cabine.

PERSONALIDADE
É preciso reconhecer que o Renault T não se parece em nada com o que se vê pelas estradas europeias. Não se pode negar que ele possui forte personalidade. O acesso ao posto de condução da cabine High Sleeper conta com quatro degraus, com uma pequena alça entre o terceiro e quarto degrau, uma vez que as barras começam na altura do piso, a quase 1,60 metro do solo.


Outra agradável surpresa é o fato de esta cabine manter o piso plano integral, detalhe de que poucos habitáculos dispõem. A estação de trabalho mantém alguns detalhes da gama anterior, como a estética do volante, mas ganhou mais funcionalidades, com comandos situados de ambos os lados da coluna de direção. O restante do painel é um brinde ao futuro, graças ao design. O painel de comandos é simples, mas se destaca em relação ao nível de informações, podendo coletar todos os parâmetros da unidade. O seu principal instrumento é uma tela de sete polegadas que funciona como computador de bordo e que tem duas principais informações: velocidade em modo digital e a sequência da caixa de câmbio.

Mais abaixo é possível configurar vários menus com leituras de diversos parâmetros. A direita está o painel que marca velocidade e rotação e do lado esquerdo estão outros três relógios que marcam os níveis de combustível e AdBlue, a pressão dos pneus e a temperatura. No desenho suave e envolvente do painel integram-se climatizador, navegador, programador do piloto automático Cruise Control, freio estacionário e as luzes. A cabine é habilitada para levar dois condutores numa boa, pois possui duas camas, sendo que a cama superior possui dois ganchos.

A capacidade de armazenamento a bordo também é bastante generosa, pois dispõe de porta-objetos, amplos bagageiros e espaço para guardar ferramentas, além de três amplos gavetões sobre o para-brisa.

NOVAS SENSAÇÕES
Graças à posição elevada em que o motorista fica a bordo do veículo em relação ao asfalto, é possível desfrutar de uma ótima visão e de total domínio do veículo. Certamente a Renault Trucks conseguiu imprimir nos seus caminhões uma nova filosofia, uma forma diferenciada de entender o que é fazer uma viagem de longa distância rodoviária.

Após um curto período de aclimatação para os controles e outros acessórios que incorporam a T480, a condução torna-se prazerosa, graças também à presença de ajudas eletrônicas que equipam este cavalo mecânico. Talvez uma melhor distribuição dos botões no volante multifunção seria questão conveniente a repensar, assim como os controles do retarder e da caixa Optidriver.