A Foton do Brasil aproveita a vitrine da Agrishow 2026, realizada em Ribeirão Preto, para dar um passo importante na consolidação de sua estratégia de expansão no Brasil. A marca apresenta os semipesados Auman D 2632 e Auman D 1830 e, ao mesmo tempo, testa a receptividade do mercado ao futurista cavalo-mecânico elétrico eGalaxus.
A movimentação não acontece por acaso. Segundo Audie Carrara, gerente de marketing da marca, o momento funciona como um termômetro para medir o apetite do cliente brasileiro por novas tecnologias. E, principalmente, para direcionar os próximos passos da operação.
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Linha Auman amplia presença em aplicações do agro
Entre os lançamentos, o Auman D 2632 assume protagonismo ao entrar em um dos segmentos mais competitivos do mercado. O modelo chega com motor Cummins F6.7 de 320 cv e 122,4 mkgf de torque, transmissão automatizada ZF de nove marchas e PBT técnico de 26 toneladas.
Além disso, a Foton aposta em um diferencial estratégico que é a suspensão traseira pneumática de série. Na prática, isso abre espaço em nichos onde a integridade da carga faz diferença no resultado da operação.

Com isso, o caminhão se posiciona bem em aplicações como transporte de hortifrúti, bebidas, cargas frágeis e até insumos do agro que sofrem perdas com vibração. Ou seja, não se trata apenas de potência, mas de eficiência operacional.
Já o Auman D 1830 amplia a cobertura da marca no segmento de entrada dos semipesados. Equipado com motor Cummins 6.7 de 282 cv e câmbio automatizado, o modelo mira transportadores que buscam mais desempenho em relação aos tradicionais 17 toneladas, mantendo conforto com cabine semileito e foco em longas distâncias.
Nesse sentido, a estratégia é preencher lacunas do portfólio com produtos mais completos e competitivos.
eGalaxus é a vitrine tecnológica e Foton aposta em novos nichos
Se os semipesados representam volume, o eGalaxus simboliza futuro. Exibido pela primeira vez no País, o extrapesado 100% elétrico ainda não tem lançamento confirmado. Mas executivos da marca não descartam a possibilidade de vendas iniciadas na Fenatran deste ano. Todavia, o modelo já desperta forte interesse no agro. Outra estratégia é focar na logística entre centros de distribuição.
Com até 475 cv de potência, impressionantes 40.000 Nm de torque e baterias que podem chegar a 600 kWh, o modelo oferece autonomia de até 450 km (ciclo WLTP). Além disso, utiliza tecnologia de baterias LFP (fosfato de ferro-lítio), que entrega maior durabilidade e segurança térmica.

De acordo com Carrara, o caminhão entra agora em uma fase crítica. Ou seja, testes, validações e estudo de viabilidade. Ainda assim, o plano pode ganhar força rapidamente.
“Se o retorno continuar positivo, avançamos para homologação. E podemos apresentar o modelo oficialmente na Fenatran”, indica o executivo.
Agro, mineração e logística puxam potencial do elétrico
Embora o eGalaxus chame atenção pelo apelo tecnológico, a Foton já enxerga aplicações concretas. O agro aparece como um dos principais alvos. Sobretudo em operações internas, milk run e transporte entre unidades produtivas.
Além disso, mineração e logística de curta e média distância entram no radar. Nessas aplicações, o custo operacional reduzido e a previsibilidade das rotas favorecem a eletrificação.
Por outro lado, a infraestrutura ainda limita uma expansão mais rápida. A ausência de carregadores ultrarrápidos no Brasil, por exemplo, exige uma abordagem cautelosa, algo que a marca reconhece ao priorizar estudos antes de qualquer lançamento oficial.
Expansão da rede sustenta crescimento acelerado
Enquanto amplia o portfólio, a Foton também fortalece a base que sustenta esse crescimento, que é a rede de concessionárias e o pós-venda. Nesse sentido, a marca já conta com cerca de 80 pontos confirmados até o fechamento deste primeiro quadrimestre, mas pretende chegar a 100 unidades até o fim do ano.
Mas Carrara é fatídico em um ponto. “Antes de vender mais, a Foton quer garantir uma estrutura para atender melhor. Isso inclui treinamento técnico, expansão do centro de distribuição de peças e parcerias logísticas para agilizar o atendimento”.
Essa abordagem, segundo o executivo, evita um erro de crescer em vendas sem suporte adequado. “A ideia é ser brilhante no básico antes de avançar”, diz.















